Problemas do mundo contemporâneo norteiam novo espetáculo do Grupo Galpão

Com direção de Márcio Abreu, da Cia Brasileira de Teatro, 'Nós' tem estreia marcada para dia 16 de abril no Galpão Cine Horto. Os ingressos começam a ser vendidos dia 07 de abril.

por Carolina Braga 05/04/2016 14:43

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Guto Muniz / Divulgação
Em 'Nós' Grupo Galpão propõe uma discussão inédita sobre a dimensão política da vida cotidiana (foto: Guto Muniz / Divulgação )
Por mais que o teatro seja político em sua essência, essa dimensão poucas vezes frequentou o primeiro plano do discurso nas montagens do Grupo Galpão.  Nós é um passo inédito na história de 34 anos da companhia. Évez questões contemporâneas norteiam a criação. O 23º espetáculo da trupe tem direção de Márcio Abreu, criador da Cia Brasileira de Teatro, de Curitiba. A montagem estreia no próximo dia 16 de abril para uma a temporada de um mês no Galpão Cine Horto.

“Falar de uma nova criação é sempre complexo”, afirma o diretor. A dramaturgia de Nós foi criada por Abreu e Eduardo Moreira a partir dos improviso dos atores. Ou seja, quando começaram a criar a peça, em outubro de 2015 não tinham noção para onde iam. É uma jornada bastante diferente na trajetória do Galpão, repleta de clássicos da dramaturgia mundial.

Desde 2005 Márcio Abreu é parceiro frequente do Galpão Cine Horto. Participou de diversos de projetos como Sabadão e Festival de Cenas Curtas com os companheiros na Companhia Brasileira. A experiência faz o diretor pensar sobre a função pública desempenhada pelo centro cultural mantido pelo grupo que tem ecos no novo espetáculo. “O entendimento do que é público ou privado influenciou muito este trabalho”, conta.

Em cena, Antonio Edson, Chico Pelúcio, Eduardo Moreira, Júlio Maciel, Lydia Del Picchia, Paulo André e Teuda Bara lançam ao debate questões pertinentes com o mundo de hoje. Nós tem angústias, violência,  intolerância, ao mesmo tempo em que carrega esperança. É uma montagem para espaços fechados (sem chance de ir para a rua, como é tradição do Galpão), mas propõe uma relação diferente com a plateia.

Guto Muniz / Divulgação
Os atores Júlio Maciel e Paulo André em cena do espetáculo 'Nós' com direção de Márcio Abreu (foto: Guto Muniz / Divulgação )
“É uma sorte poder fazer o trabalho nessa dimensão de risco, de investigação, de mergulho em uma experiência no desconhecido que nem sempre a gente tem a chance de fazer. Muitas ocasiões nos vemos pressionados pelo tempo, por expectativas, por alguma coisa que talvez equivocadamente a gente chame de mercado e até por desejos de realização. Sinto que eliminamos o quanto pudemos esse tipo de pressão e nos colocamos em uma espiral mais vertical de relação com o trabalho”, detalha Márcio Abreu.

As cenas acontecem em um grande quadrado montado no centro do palco. A plateia se acomoda em arena, bem próxima dos atores. É intencional. Márcio Abreu e o Grupo Galpão propõe ao público noções de proximidade e convivência. Nós não tem uma trama linear. São sete pessoas, que se reúnem em torno de uma mesa, durante a preparação de uma sopa. Enquanto descascam batatas, cortam cenouras e outros legumes, cidadãos falam e pensam sobre o estar no mundo.

“O exercício teatral que o Márcio propõe é muito da permeabilidade e da concretude. Isso é um risco permanente”, comenta o ator Eduardo Moreira. “O Márcio é um artista sem fronteiras. Esse espetáculo também não tem fronteiras muito definidas. Estamos deixando de ser menos atores e mais performers”, diz o ator Paulo André. “É uma fronteira muito desafiadora”, resume Eduardo.

Nós
16 de abril a 15 de maio. Quinta a sábado, 21h, domingo, 19h. Galpão Cine Horto. Rua Pitangui, 3.613, Horto, (31) 3481-5580. R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Venda a partir de 7 de abril pelo endereço www.sympla.com.br/galpaocinehorto ou na bilheteria do teatro, duas horas antes do início do espetáculo.

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