Cientistas mantêm suspense sobre presença de Nefertiti na tumba de Tutancâmon

No Cairo, especialistas afirmam que ainda é cedo para fazer qualquer confirmação sobre os restos de uma das mais poderosas rainhas do Egito Antigo, que viveu há 3,3 mil anos

por AFP 01/04/2016 20:14

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EFE
(foto: EFE)
Os acadêmicos, os apaixonados em Egiptologia e a imprensa internacional terão de continuar esperando para saber se na tumba de Tutancâmon também jaz a múmia de Nefertiti e seu tesouro funerário.

"Um quarto teste com escâner", utilizando tecnologia diferente "será feito em abril, antes de abrir um debate internacional em 8 de maio", no Cairo, anunciou nesta sexta-feira o novo ministro de Antiguidades, Khaled al Anani.

Em uma aguardada declaração à imprensa nacional e internacional no Vale dos Faraós, o ministro ampliou o suspense em torno da tumba do faraó.

Na quinta-feira, uma equipe de especialistas americanos trabalhou para comprovar uma teoria do egiptólogo britânico Nicholas Reeves, convencido de que ali também fica a tumba de Nefertiti.

Durante dez horas, os especialistas revisaram minuciosamente quatro paredes da câmara funerária de Tutancâmon para captar com um radar a existência de supostas cavidades escondidas.

"Trabalhamos a três centímetros dos muros", recobertos de afrescos majestosos que representam Tutancâmon durante as cerimônias funerárias, informou à AFP Eric Berkenpas, um dos engenheiros da National Geographic Foundation, que realizou a análise.

Reeves afirma que há duas câmaras secretas. Uma é o hipogeu (tumba subterrânea, na arqueologia) de Nefertiti. A outra poderia ser uma sala de armazenamento inexplorada, que data da era de Tutancâmon.

Nefertiti, uma rainha que exerceu um importante papel político ao lado do marido, o faraó Akenaton, e que foi imortalizada como símbolo de beleza de seu tempo, viveu há mais de 3.300 anos.

"Observei 40 imagens registradas em locais diferentes da tumba", disse Reeves nesta sexta-feira. "Acho que é justo dizer que fizemos os exames mais detalhados já feitos na tumba", acrescentou.

Mohamed Abbas Ali, especialista egípcio que trabalhou no projeto, explicou que as novas análises permitiriam obter "uma apresentação em 3D de qualquer objeto localizado atrás do muro".

Anani indicou que os resultados não estarão disponíveis antes de uma semana, adotando o mesmo discurso prudente de seu antecessor, Mamduh al Damati.

"Temos de rever, depois voltar a rever, daí confirmar e, então, voltar a repassar nossas posições", indicou Anani, que na quinta-feira disse que as autoridades esperam encontrar algo, mas que "não tinha certeza por enquanto".

Damati provocou grande expectativa entre arqueólogos e egiptólogos, tanto acadêmicos quanto aficionados, convocando uma coletiva de imprensa em Luxor, no sul do Egito, em frente à tumba de Tutancâmon.

As autoridades tinham prometido anunciar um resultado que poderia ser "a descoberta do século 21".

Em meados de março, tinha "90% de certeza" de que a tumba continha duas câmaras que nunca foram descobertas, com materiais "metálicos e orgânicos", após realizar análises nos muros com escâneres muito sofisticados.

Mas, se Nefertiti era efetivamente a esposa de Akenaton, então, não seria a mãe de Tutancâmon? E por que esta rainha influente poderia ter sido enterrada em uma câmara adjacente à tumba de Tutancâmon?

O mistério teria origem na morte inesperada de um menino-rei, de 19 anos, no ano 1324 antes da era cristã, avaliou Reeves.

Na falta de uma tumba disponível para abrigar Tutancâmon, os sacerdotes teriam decidido reabrir a tumba de Nefertiti dez anos após sua morte, para o faraó.

Os especialistas egípcios afirmam ser mais provável, porém, que a câmara contenha a sepultura de Kiya, outra esposa de Akenaton, filha do faraó, ou outro membro da família real.

Ao contrário de outras tumbas que foram objeto de pilhagem, a de Tutancâmon, descoberta em 1922 pelo arqueólogo britânico Howard Carter, continha mais de cinco mil objetos de 3.300 anos de antiguidade. Intactas, essas peças constituem uma das coleções mais fabulosas de tesouros antigos do mundo inteiro.

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