Feminismo, literatura e política são temas de debate com a filósofa Marcia Tiburi

Bate-papo defende a luta cotidiana e o diálogo como meio de transformação

por Ana Clara Brant 23/03/2016 08:00

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Simone Marinho/divulgação
(foto: Simone Marinho/divulgação)
O feminismo é a bola da vez e, mais do que isso, é o espírito do nosso tempo, como defende a filósofa, escritora e professora Marcia Tiburi. Sejam meninas de 10 anos que não se sentem muito à vontade com o fato de usar shortinhos na escola, as adolescentes que já percebem um olhar mais malicioso dos garotos ou uma senhora mais madura que fica indignada pelo fato de ganhar menos do que os colegas do sexo masculino. Marcia acredita que praticamente todas as mulheres estão falando e se preocupando com as questões feministas. “É o assunto do momento e significa que a gente está vivendo um momento de um despertar de consciência e de uma reflexão da mulherada”, opina.


O feminismo é apenas um dos motes do bate-papo que a escritora fará hoje à noite na programação de março do Sesc Palladium, que tem como tema neste mês “Arte, mulher e feminismo”. Marcia Tiburi vai debater e articular a literatura com política, filosofia e, claro, feminismo. “A ideia é fazer um elo entre esses assuntos e provar como estão interligados. Quero mostrar como a literatura não precisa se fazer isenta de feminismo e política, do mesmo modo que o feminismo não precisa ficar isento de filosofia e literatura; e assim por diante”, expõe.


No entanto, é o movimento social, filosófico e político que luta pela igualdade de direitos que deve nortear boa parte da fala de Marcia, assim como foi na conversa que ela teve com o Estado de Minas. A filósofa gaúcha ressalta que todas as mulheres livres e emancipadas economicamente devem muito ao feminismo, fato que passa despercebido por muitas. “O feminismo não é da situação, mas da oposição. Ele nasceu como crítica de um estado de coisas injustas, seja no campo político, simbólico, físico, econômico, imaginário. Surgiu contra a falta de direitos da mulher. E muitas nem se dão conta da importância disso. Mas não é por mal”, diz.


Marcia, de 45 anos, acrescenta que, para a sua geração, foi complicado ser feminista, porque viviam numa época em que tudo praticamente ia bem e não tinham o que contestar. “Tivemos um surto de otimismo em vários aspectos, sobretudo, o político. Acreditávamos que tudo estava mudando para melhor. Um partido dos trabalhadores e de esquerda – embora ligado a alguns setores da direita – estava no comando”, lembra. Mas de repente a coisa virou. “Em meados de 2013, com as manifestações de junho, tudo mudou. Houve um recrudescimento do autoritarismo e o feminismo se tornou a única forma de pensamento e ação, de teoria e de prática de não violência que pode superar essa situação. E é difícil ser feminista nesse regime de patriarcado. Mas é bacana ver toda essa ebulição por parte das mulheres de várias idades e setores”, exalta.

 

Literaturas – Questões do nosso tempo

Feminismo, filosofia e política, com Marcia Tiburi. Hoje, às 20h, no Teatro de Bolso do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro). Entrada franca, com retirada de ingresso 30 minutos antes do evento. Classificação: 14 anos

 

 

Vem aí... O homem
do guarda-roupa


Desde 2012, quando publicou Esse era meu rosto (Record), que trata da memória, herança e raízes afetivas, Marcia Tiburi não escrevia romance. No segundo semestre, ela retorna à ficção com O homem do guarda-roupa, que será lançado no Brasil e em outros países simultaneamente. A obra vai centrar na política e na questão do gênero. “Geralmente, levo um bom tempo para finalizar meus livros, mas asseguro que ele sai ainda este ano”, brinca.

 

 

 

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