Rodrigo Moura, diretor artístico do Inhotim, deixa o cargo

Moura ocupava o cargo desde 2013. Seu substituto deve ser definido depois do carnaval. Ele disse ao Estado de Minas que não comentará sua saída antes disso

por Walter Sebastião 03/02/2016 08:00

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BETO NOVAES/EM/D.A.PRESS
O curador Rodrigo Moura, que deixa o cargo de diretor artístico do Inhotim (foto: BETO NOVAES/EM/D.A.PRESS)
O mineiro Rodrigo Moura, que ocupa desde 2013 o cargo de diretor artístico do Centro de Arte Contemporânea Inhotim, está deixando o posto. O substituto de Moura deverá ser definido numa reunião prevista para depois do carnaval, com o comando do museu e os outros dois curadores, o norte-americano Allan Schwartzan e o alemão Jochen Volz. Antônio Grassi, diretor executivo, ocupa interinamente o cargo.

Em conversa telefônica nessa terça-feira com a reportagem do Estado de Minas, Moura afirmou que não irá comentar sua saída até a reunião da próxima semana. Disse, no entanto, que as conversas sobre o seu desligamento já estavam em andamento há tempos e agora foram concluídas. Ele negou que algum atrito tenha motivado seu desligamento. “Estou aliviado, pois nunca foi meu projeto trabalhar em Inhotim pelo resto da vida”, afirmou.

Antônio Grassi, falando a respeito da saída de Rodrigo Moura, explicou que a decisão foi tomada em comum acordo com o curador. Creditou a decisão de Moura ao desejo do curador de buscar novos desafios e projetos. Destacou a importância e a qualidade do trabalho realizado por ele em Inhotim, citando especificamente o recém-inaugurado pavilhão dedicado à fotógrafa Cláudia Andujar. “Rodrigo é um dos fundadores de Inhotim, tem história longa aqui e realizou um trabalho sensacional. Por isso conversarmos agora é muito importante para decidir os próximos passos”, explicou.

PILAR Rodrigo Moura foi um dos pilares da formação da coleção Inhotim. Junto com Volz e Schwartzman elaborou, desenvolveu e concretizou a proposta de uma instituição que, sem ser enciclopédica, apresentasse um panorama expressivo da arte realizada a partir dos anos 1950. O acervo do Inhotim envolve criações que promovem um diálogo entre autores históricos e jovens realizadores do Brasil e do mundo por meio de obras concebidas especialmente para a instituição.

Moura sempre argumentou a favor de uma instituição distinta dos museus tradicionais, inclusive na localização geográfica, e que oferecesse ao visitante outra percepção da arte e, especialmente, uma oportunidade de fruição mais imersiva na complexa trama de questões postas pela produção contemporânea.

A valorização da produção brasileira experimental (de forma ampla, abarcando desde instalações e, mais recentemente, desenhos) foi um tema caro a Moura e sempre presente em sua atuação no museu. Trata-se de trabalhos que, seja por sua própria radicalidade ou por uma visão preconceituosa em relação a eles, eram sempre postos à margem dos acervos, tanto institucionais quanto privados.
Essa ação afirmativa terminou contribuindo para a formação de um olhar que amplia a compreensão sobre o trabalho artístico, para além da imagem comum de que toda obra é uma forma de contestação. Foi pela enfática atuação do trio de curadores que Inhotim ressaltou o anseio de criadores pelo desenvolvimento de novos meios expressivos. E um modo de trabalhar possível em contextos adversos e com a ambição de uma arte intelectualmente independente.

Tal proposta acabou evidenciando uma produção marcada por energia plástica e social, de que é exemplo o pavilhão de Claudia Andujar. São trabalhos de autores diversos, com pontos de vista distintos, que interpelam a história e o contexto dominante da arte global, construído sobre conceitos e práticas centradas em “grandes” nomes (que às vezes são até importantes) impostos pelo mercado internacional das artes.

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