Fernando Righi lança coletânea de contos inspirados em Belo Horizonte

Lançamento de 'O monstro do Arrudas & outras lamas' acontece no próximo dia 2

por Daniel Seabra 29/01/2016 14:25

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Cristina Horta/EM/D.A Press
(foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)
O jornalista, músico e escritor Fernando Righi Marco lança seu 10º livro, O monstro do Arrudas & outras lamas,  no próximo dia 2, na Livraria Asa de Papel (Rua Piauí, 631, Santa Efigênia), às 19h. Trata-se de uma coletânea de contos, todos inspirados em fatos da vida real, ou nem tanto, já que o livro é permeado por personagens que o autor "conheceu" em duas déadas pelas noites de Belo Horizonte.

O próprio nome do livro remete ao principal rio que atravessa a cidade, o Arrudas, que, ao longo dos anos, se tornou uma espécie de esgoto a céu aberto. E nesse emaranhado de personagens aparece um jornalista ambicioso, que busca uma matéria que lhe dará o Prêmio Esso, ou um colecionador de bugigangas, que questiona o egocentrismo e a superficialidade do mundo atual, entre outros.
 
Segundo Fernando, a formatação de um personagem passa por fatos que realmente ocorreram, misturado com uma certa dose de exagero. “São todos ‘reais’. A constituição de um personagem sempre passa por uma ou mais pessoas que o autor conheceu. Isso dá veracidade ao conto. Não são, contudo, completamente reais, pois passam pela visão peculiar de quem conta a história. Um exagero aqui, um maneirismo que não existia ali... Mas posso dizer que esses personagens não são imaginação”, garante o escritor.

Segundo ele, em alguns contos, amigos foram homenageados. “O monstro do Arrudas, por exemplo, é uma homenagem aos filmes de ficção científica B que vimos, principalmente no início dos anos 1970 (como O ataque das sanguessugas gigantes). Precisava de um jornalista daquela época. Homenageei o amigo Ilson Lima e seu editor Wagner Seixas”, revelou.
 
O autor ainda cita uma outra fonte sua que serviu de inspiração. “A vida é interessante. Este livro, e um outro que lancei antes, se inspiram numa pegadinha que percebi nos livros de Charles Bukowski, que li nos anos 1980: é tudo quase verdade, mas ele exagerava nas histórias, senão nem tinha chegado aos 60 anos”, brinca.

Sobre o fato de ter se tornado escritor, Righi explica que surgiu de uma necessidade de se expressar. “Todo artista tem necessidade de se expressar aos contemporâneos. Aquela visão peculiar do mundo. O detalhe que quase ninguém dá bola, no ‘devagar apressado’ do cotidiano (uma expressão de Guimarães Rosa). A geração nascida em 1950 e 1960 tem uma necessidade natural de autoexpressão. Sou produto dela”, frisa.
 
NA MÚSICA
 
Além de escrever, Fernando Righi Marco também se arrisca na música, tocando baixo em inúmeras bandas. “Pelejei por toda a década de 1980, ao lado de muitos talentosos amigos, para encontrar uma linguagem própria por meio do rock. Foram bons conjuntos que, infelizmente, morreram no anonimato. Passou, mas persisti. Publiquei seis livros de poesia e vou abrindo novas perspectivas por maio da prosa. Se há a necessidade de dizer algo, não dá para passar pela vida sem dizê-lo”, explica.
 
Por fim, o autor pede que os leitores alterem o foco e busquem por novos talentos e obras diferenciadas. “Tem muita gente publicando coisa boa em Belo Horizonte. Peço aos leitores um voto de curiosidade. Não comprem apenas os títulos recomendados pelas grandes editoras, mas folheiem os independentes que, porventura, conseguiram chegar às prateleiras das livrarias”, diz.

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