Dança ganha espaço na cena cultural de BH, com a 42ª campanha de popularização

Dos 159 espetáculos em cartaz, apenas 11 são de dança. Para profissionais, participação ajuda a conquistar público e afastar imagem elitista do balé

por Pedro Galvão 19/01/2016 08:00

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
DANIEL VIDAL/DIVULGAÇÃO
(foto: DANIEL VIDAL/DIVULGAÇÃO)
Desde 1999, a Campanha de Popularização do Teatro inclui a dança – tanto no nome quanto nos cartazes da programação. No entanto, a presença da arte que projetou internacionalmente o Grupo Corpo e deu relevância nacional a outras companhias mineiras, como o Primeiro Ato, ainda é tímida diante das peças teatrais. Apenas 11 dos 159 espetáculos da atual edição da campanha (a 42ª) são de dança.

Embora em número pequeno, as atrações de dança incluem profissionais respeitados e um variado leque temático, que contempla do tango ao frevo, oferecendo oportunidade de contato com a dança a um público menos familiarizado de diversas idades.

Se na temporada regular das casas de espetáculo a dança fica restrita a um público muito segmentado – pelos valores dos ingressos e pela própria especificidade de sua linguagem –, na Campanha de Popularização ela tem a chance de chamar as massas para o baile. Pelo menos é o que avaliam alguns dos artistas participantes.

“A própria dança se coloca muitas vezes elitizada, protagonista de sua própria realidade, coisa que a arte cênica, por interagir mais com o público, não é. Participando da campanha, conquistamos um público além daquele já fidelizado”, analisa a diretora e coreógrafa Cristina Helena, que comanda a peça Pica-pau rei na Estrada Real, que busca ser uma opção para toda a família, misturando personagens de clássicos infantis com sátiras sutis.

O diretor artístico, bailarino e coreógrafo Mauro Fernandes, que dirige, produz e atua em Buenos Aires 9090, acredita que a dança ocupa seu lugar de direito ao fazer parte da campanha. “Quando falamos de teatro não podemos considerar só a dramaturgia, mas tudo que está no palco – a inclusão da dança é uma obrigatoriedade.” Apesar disso, ele reconhece que, para a difusão da dança, a plataforma da campanha é importante. “Para nós é muito bom, porque a dança não costuma ter espaço tão nobre.”

Rômulo Duque, presidente do Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas de Minas Gerais (Sinparc), que promove a campanha,  afirma: “A dança tem muita relevância em Minas Gerais. Temos companhias e profissionais de reconhecimento internacional atuando aqui, e a campanha é a oportunidade de o público compreender esse reconhecimento”.

Variedade de ritmos

No ranking da venda antecipada de ingressos para a campanha deste ano, o espetáculo de dança mais bem colocado aparece apenas na 60ª posição. Trata-se do Legado andalusí, que tem direção da coreógrafa Fátima Carretero e autoria de Carlos Carretero. Orgulhoso da procura por sua peça, Carlos diz que a dança flamenca é popular e universal, capaz de agradar a qualquer público.

“Mostramos no palco uma trajetória do flamenco, que é uma dança visceral, feita com o coração. Por isso, qualquer pessoa de qualquer origem é capaz de se emocionar.” A peça tem também a assinatura da Companhia de Baile Flamenco, fundada em Belo Horizonte há 30 anos.

As tradições nacionais também têm lugar na programação. Os espetáculos Aquarela brasileira e Cangaço: Lampião em um cordel dançante, do grupo Guarará, dirigidos por Carlos Moreira e produzidos por Alexsander Magalhães, abordam o folclore e a cultura popular brasileira por meio da dança.

“Embora alguns pensem que a dança folclórica é retrógrada, tentamos mostrar o contrário – que o folclore ainda está presente na vida do brasileiro. Essa oportunidade é muito importante para nos igualar às grandes companhias de dança contemporânea e de salão”, afirma o produtor.

Além das temáticas mais tradicionais, como o folclore nacional, o flamenco espanhol e o tango argentino, a dança e a música contemporânea completam a grade. A peça Retina, do grupo Camaleão, recorre a uma trilha com Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Kurt Cobain e Amy Winehouse – que morreram aos 27 anos,  marcados por excessos e transgressão – num questionamento da sociedade atual.

A Companhia de Dança do Palácio das Artes também participa da programação com seu recente Primeirapessoadoplural, pesquisa de linguagem que se propõe a uma reflexão em torno da interseção dos aspectos individual e coletivo.

A DANÇA NA CAMPANHA
Confira os espetáculos que participam da promoção

Aquarela brasileira
Folclórico – Cine Theatro Brasil Vallourec  (Grande Teatro) 11/2; 21h – R$ 15 – livre

Buenos Aires 9090
Tango – Teatro Alterosa – 4/3 a 6/3; sexta e sábado, às 21h; domingo, às 20h – R$ 12 – livre

Cangaço: Lampião em um cordel dançante
Folclórico – Sesiminas e Sesc Palladium – Amanhã, às 19h  (Sesiminas); 4/3, às 21h (Sesc Palladium) – R$ 15 – livre

Do lado esquerdo de quem sobe
Contemporânea – Sesc Palladium – 12/2 e 13/2, às 21h – R$ 15 – livre

Legado andalusí
Dança flamenca – Cine Theatro Brasil Vallourec (Grande Teatro) – 23/1 e 24/1; sábado, às 20h30; domingo, às 19h R$ 15 – livre

Pica-pau rei na Estrada Real
Infantil – 27/2 e 6/3; sábado e domingo, 16h – R$ 5 – livre

Primeirapessoadoplural
Contemporâneo – 27/2 e 28/2; sábado, às 20h30; domingo, às 19h – R$ 10 – 16 anos

Quebranto
Folclórico – 26/2 a 28/2; sexta-feira e sábado, às 21h; domingo, às 20h – R$ 15 – 10 anos

Retina
Contemporâneo – 19/2 a 21/2; sexta-feira e sábado, às 20h; domingo, às 19h - R$ 5 – livre

Tango nuestro baile
Tango – Teatro Bradesco e Cine Theatro Brasil Vallourec (Teatro de Câmara) – 13/2 e 14/2; sábado, às 21h; domingo, às 20h (Bradesco) e 22/2  a 24/2, às 21h (Brasil Vallourec) – R$ 15 – livre

Thymos
Jazz – Sesc Palladium (Grande Teatro) – 6/3, às 19h – R$ 15 – livre

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE E-MAIS