Palácio das Artes abriga coletiva dos vencedores da quinta edição do Prêmio Marcantonio Vilaça

Para curador, obras refletem "diversidade da atual produção brasileira"

por Walter Sebastião 16/01/2016 08:00

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FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO/DIVULGAÇÃO
(foto: FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO/DIVULGAÇÃO)
O Palácio das Artes abre a agenda de exposições do ano com as coletivas Prêmio Marcantonio Vilaça, na Grande Galeria, e Quando o tempo aperta, na Sala Arlinda Corrêa Lima. A primeira reúne obras dos vencedores da quinta edição de um dos concursos de artes visuais mais importantes do país: Berna Real, Gê Orthof, Grupo EmpreZa, Nicolás Robbio e Virgínia de Medeiros. Com curadoria de Raphael Fonseca, a outra mostra é um projeto selecionado pelo mesmo evento.

Marcus Lontra, curador do Prêmio Marcantonio Vilaça, explica que o conjunto exposto em BH revela a diversidade da atual produção da arte brasileira. O espectador verá trabalhos incisivamente políticos e sociais e também aqueles que discutem a questão do espaço, além de criações voltadas para recuperação da memória, problematização do objeto de arte e identidade. O curador observa que tal diversidade de práticas, conteúdos e pontos de vista traduz a amplitude da ação artística em um país com realidades diferentes, eclético, cosmopolita e que “mantém fortes aspectos de Terceiro Mundo”.

“Essas vivências que se misturam no dia a dia também estão na arte que toca em questões tanto do mundo quanto do nosso cotidiano, que é de violência e tensão”, analisa Lontra. As obras são reinterpretações poéticas de situações de “embate com o real”, mas sem caráter de panfleto ou denúncia. Tal mirada vem de um mundo sem fronteiras, com os mesmos desafios postos a todos e alto nível de circulação do conhecimento.

Isso fica mais explícito nas produções de regiões metropolitanas, mas está também em criações de autores que vivem em qualquer lugar do Brasil. Não por acaso, os vencedores do Prêmio Marcantonio Vilaça vêm de Goiás, Brasília, Pará e Bahia. O único artista de São Paulo é o argentino Nicolás Robbio. Tal diversidade de origens, observa Lontra, indica que mudar para um grande centro “é opção pessoal, não mais obrigação”.

VETERANOS A diversidade de cenas criativas é também produto da atividade de artistas veteranos que construíram carreiras e obra importantes a partir dos anos 1980, sem sair da cidade onde viveram ou para a qual retornaram, explica Marcus Lontra. Exemplos disso são Amilcar de Castro, em Belo Horizonte; Iberê Camargo, em Porto Alegre; e Emanuel Nassar, em Belém do Pará. “Mesmo quando não deram aulas, criaram movimentos em torno deles, tornando-se presenças que fortalecem a arte e referência para outros artistas. Mostraram que pode ser melhor morar na Rua Carangola, em BH, do que no Brooklyn, em Nova York”, brinca o curador.

“A capacidade interpretativa se desenvolve com troca de ideias, diálogo e discordância, com uma referência de ação. Isso pode ocorrer num bar ou numa escola”, acrescenta Marcus Lontra, valorizando experiências e as movimentações locais. “O Google é complemento”, pondera, sem desconsiderar a importância da ampla circulação de conhecimentos nos meios digitais. As viagens também movem essa diversidade. Hoje, elas foram facilitadas por programas de residência de âmbito nacional e internacional. “Acho muito interessante a forma como o artista está conseguindo articular sua geografia íntima com a nacional e a do mundo”, explica.

Lontra argumenta que a arte fala de questões gerais que ganharam caráter transnacional. Berna Reale, por exemplo, aborda a violência do Pará, mas que também é do mundo. “Vivemos um bom momento da arte. Há produção criativa e diversificada que vem cumprindo o papel de problematizar a realidade”, explica. A diversidade e a abrangência nacional da mostra em cartaz em BH foram planejadas. Pesquisa realizada por curadores adjuntos partiu da divisão do Brasil em cinco regiões para selecionar 30 artistas. Desse grupo, saíram os cinco vencedores. Felipe Scovino e Renata Marquez pesquisaram Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.

Marcus Lontra explica que o processo permitiu aprofundar o conhecimento da produção artística nacional. “Isso trouxe qualidade, criou leitura plural da arte brasileira, representou o reconhecimento de que o país tem situações diferentes. Para mim, prêmio tem de ser o reflexo mais amplo possível de uma realidade artística. No caso do Brasil, ela é muito diversificada e complexa”, conclui. Depois de Belo Horizonte, o projeto segue para Recife, Curitiba e Belém.

PRÊMIO MARCANTONIO VILAÇA
Grande Galeria – Obras de Berna Real, Gê Orthof, Grupo EmpreZa, Nicolás Robbio e Virgínia de Medeiros.
Sala Arlinda Corrêa Lima – Adriano Costa, Ana Maria Tavares, Andre Komatsu, Marcelo Cidade, Gabriela Mureb, Hélio Oiticica, Leandra Espírito Santo, Lúcio Costa, Pierre Verger, Raquel Stolf, Rochelle Costi e Sara Não Tem Nome.
• Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400). De terça-feira a sábado, das 9h30 às 21h; domingo, das 16h às 21h. Até 20 de março. Entrada franca.

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