Prêmio SP elege 'Tempo de espalhar pedras', o melhor romance de 2015

Escritor de 31 anos desbancou figurões como Chico Buarque (O irmão alemão) e Cristovão Tezza (O professor)

por Agência Estado 01/12/2015 09:13

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Marcelo Nakano/Divulgação
Vencedores da noite (da esquerda para a direita): Micheliny Verunschk, Estevão Azevedo e Débora Ferraz. (foto: Marcelo Nakano/Divulgação)
Em 2009, o potiguar radicado em São Paulo, Estevão Azevedo, então com 31 anos, foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, o principal do país, na categoria autor estreante com Nunca o nome do menino (Terceiro Nome). Mas não ganhou. Em 2015, ele voltou à lista final, e como já não era mais estreante, concorreu com figurões como Chico Buarque (O irmão alemão) e Cristovão Tezza (O professor), e com autores já premiados este ano, como João Anzanello Carrascoza, segundo lugar no Jabuti com Caderno de um ausente. E ganhou. Seu Tempo de espalhar pedras (Cosac Naify) foi considerado pelo júri como o melhor romance publicado no País em 2014 e rendeu a Azevedo, que, além de escritor – tem ainda outros dois volumes de contos -, é editor da Globo Livros, o prêmio de R$ 200 mil.

 

Tempo de espalhar pedras é situado numa comunidade de mineração num momento em que os diamantes começam a rarear. É uma história de amor, família, disputa, abuso, violência, vingança, corrupção moral e desumanização. Uma obra diferente das demais finalistas, e diferente, de forma geral, do que vem sendo produzido por autores brasileiros contemporâneos – quase sempre romances urbanos.


Os outros finalistas eram Alberto Mussa (A primeira história do mundo), Antônio Xerxenesky (F), Evandro Affonso Ferreira (Os piores dias da minha vida foram todos), Heloisa Seixas (O oitavo selo), Silviano Santiago (Mil rosas roubadas) e Socorro Acioli (A cabeça do santo). O anúncio dos vencedores foi feito na noite desta segunda-feira, 30, na Biblioteca Parque Villa-Lobos. O Prêmio São Paulo é oferecido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e distribui, no total, R$ 400 mil entre três escritores.


Na categoria autor estreante com mais de 40 anos, o livro premiado foi Nossa Teresa – Vida e morte de uma santa suicida (Patuá). Escrito pela poeta pernambucana Micheliny Verunschk, de 43 anos, ele acompanha a história de Teresa, uma pré-adolescente prestes a se tornar santa que decide se matar, e diversas outras histórias de suicídios, cometidos sob os domínios da Igreja ou não, tratados com lirismo, ritmo e delicadeza. Micheliny desbancou Eliana Cardoso (Bonecas russas), Elisa Lucinda (Fernando Pessoa, o cavaleiro de nada), Heliete Vaitsman (O cisne e o aviador), Míriam Leitão (Tempos extremos), Rodrigo Garcia Lopes (O Trovador) e Vanessa Maranha (Contagem regressiva).


A também pernambucana, mas radicada em João Pessoa, Débora Ferraz, de 28 anos, ganhou seu segundo prêmio por Enquanto Deus não está olhando (Record). Primeiro, ele foi considerado o melhor original de romance estreante no Prêmio Sesc. E, agora, depois de publicado, ele foi eleito, pelo Prêmio São Paulo, como o melhor romance de autor estreante com menos de 40 anos. Ela concorreu com André Viana (O Doente), Caio Yurgel (Samba sem Mim) e Mariana Portella (O outro lado da sombra). Enquanto Deus não está olhando retrata a busca de uma jovem por seu pai – e que é, também, sua busca por um lugar no mundo (sem um pai protetor).


Marcelo Nakano
Débora Ferraz, do romance "Enquanto Deus não está olhando" (Record), foi escolhida melhor estreante com menos de 40 anos. (foto: Marcelo Nakano)
Micheliny e Débora ganharam R$ 100 mil cada uma.


Foram inscritas 215 obras nesta edição do prêmio, que se destacou pelo alcance nacional: foram 21 finalistas de nove Estados – Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná e São Paulo. Esta foi também, segundo a organização, a edição com a maior presença de escritoras entre os finalistas: 10.


O júri final, responsável pela definição dos três vencedores entre os 21 finalistas, foi composto por Francisco Foot Hardman, historiador e professor do Departamento de Teoria Literária da Unicamp; Jiro Takahashi, editor e professor das disciplinas Literatura, Leitura e Produção de Textos e Estilística do curso de Letras do Centro Universitário Ibero-americano; Maria Fernanda Rodrigues, repórter de literatura do Estado; Rogério Pereira, fundador e editor do jornal Rascunho e diretor da Biblioteca Pública do Paraná; e Sylvia de Albernaz Machado do Carmo Guimarães, cofundadora da ONG Vaga Lume.

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