Marcelo Lelis recebe Prêmio Literário Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro

Mineiro foi vencedor na categoria literatura infantil

por Ângela Faria 30/11/2015 09:30

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Lelis/reprodução
Ilustração de 'Hortência das tranças' inspirada em Dom Quixote (foto: Lelis/reprodução)
Depois de ilustrar cerca de 100 livros e conquistar prêmios importantes, Marcelo Lelis, de 48 anos, decidiu escrever. Este ano, lançou Hortência das tranças (Editora Abacatte), sobre a moça que deixa marido e família para trás e sai pelo mundo para contar histórias inspiradas nos “causos” de Cervantes, Kafka e Monteiro Lobato, entre outros mestres. A estreia rendeu ao mineiro o Prêmio Literário Biblioteca Nacional na categoria literatura infantil, que será entregue hoje à noite, no Rio de Janeiro.

Lelis sempre gostou de escrever, mas o tempo é pouco para conciliar encomendas de ilustrações, o dia a dia na redação do Estado de Minas e outros projetos. Hortência nasceu do pedido de um depoimento sobre seu ofício. Em vez de se “autoentrevistar”, ele criou a personagem contadora de histórias.

O ofício do ilustrador ainda é pouco reconhecido no Brasil. Sempre se credita a autoria do livro ao escritor, que recebe direitos autorais. Isso faz diferença, sobretudo no caso de encomendas para escolas e vendas em livrarias, pois quem desenha costuma receber apenas o valor previamente acertado com a editora. Se o trabalho virar best-seller, ele não é recompensado financeiramente.

A situação está mudando, editoras têm aceitado rever esse modelo, mas ainda falta muito para o reconhecimento do ilustrador, diz ele. Feliz com o prêmio da Biblioteca Nacional, Lelis confessa: “Sempre fui visto. Queria ser lido”. Ganhar prêmio é ótimo, a repercussão de seu trabalho é internacional (em parceria com Ozanam, lançou o romance gráfico Gueule noire na França), mas nada se compara ao corpo a corpo com o leitor.

Recentemente, Lelis foi bater papo com alunos do Colégio Tiradentes, em BH. Viu-se cercado por 200 crianças na faixa dos 7 anos, encantadas em descobrir que desenhar é atividade “braçal” – e não “mágica” do computador. Ele decidiu deixar seu autógrafo-ilustração em cada exemplar. Claro, não deu tempo de desenhar para todo mundo. Resultado: teve de levar dezenas de livros para casa e, pacientemente, criou uma aquarela para cada garoto. “Hortência não é minha, mas um mote para que esses meninos tomem gosto pela coisa. Quem sabe eles não acabam escrevendo e desenhando as próprias histórias?”, conclui.

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