Construção de teatros de Belo Horizonte se arrasta e faz obras demorarem anos

Entraves burocráticos e retrabalho estão entre as causas do atraso das obras

por Carolina Braga 29/11/2015 14:11

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Leandro Couri/EM/D.A Press
Construído em concreto, palco do Teatro Raul Belém Machado está sendo refeito para colocação de piso de madeira (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press )
Já vai fazer um ano que a recepcionista Carolina dos Santos foi contratada para a bilheteria do futuro Teatro Raul Belém Machado, construído no Espaço Cênico Yoshifumi Yagi, no Bairro Alípio de Melo. Mas o que ela tem visto por lá até hoje são obras. Os moradores aparecem com a dúvida de sempre: quando é que vai abrir? “É a pergunta de todo mundo, e a minha também”, diz o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas Oliveira, responsável pela gestão do centro cultural.

Foi no Orçamento Participativo de 2007 que os moradores do Alípio de Melo aprovaram a construção de um teatro no espaço antigamente ocupado por um circo. O processo licitatório começou em abril de 2010. O tempo passou e, até agora, apenas o mato dá sinais de vida entre os blocos de concreto em torno da construção.

Problemas O projeto do teatro é assinado pelo arquiteto e cenógrafo Raul Belém Machado, que morreu em 2012. A construção durou de setembro de 2010 até março de 2014, quando foi entregue à FMC. “Não deixei inaugurar. Quando vi as obras terminadas, faltavam coisas muito específicas da arte. Não adianta abrir um teatro desses e colocar o povo para dançar ou fazer peça no cimento”, afirma Leônidas Oliveira. De acordo com o presidente da FMC, somente depois de concluída a obra foram identificados problemas impeditivos ao bom funcionamento do teatro, como o fato de o palco ter sido construído em concreto batido, e não em madeira. Oliveira diz ainda que foi necessário fazer adequações acústicas e de iluminação.

Como a compra de cada material tem que ser feita via licitação, a novela continuou. “Tivemos três pregões desertos (sem interessados). Fizemos três licitações. A comunidade sabe disso”, diz Oliveira. A obra, inicialmente orçada em R$ 1,6 milhão, teve um custo extra de R$ 846 mil para finalização da estrutura cênica. E, com isso, lá se vão mais de cinco anos desde que os primeiros tijolos começaram a ser colocados de pé no terreno da Rua Jauá, 80, e nada de o teatro ficar pronto.

“(A inauguração) não pode passar de fevereiro, março (de 2016). Esse teatro tem que estar aberto para o FIT-BH (Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte), simplesmente”, afirma Oliveira. A sala de espetáculos foi concebida para ser multiuso, podendo funcionar como um espaço fechado, com capacidade para 200 pessoas e pé-direito alto, ou aberto, para uma plateia de 2 mil pessoas.

“Será o primeiro teatro público fora da linha da Avenida do Contorno e também o primeiro teatro que a prefeitura constrói desde o Francisco Nunes, que é dos anos 1950. Por isso não pode ser um teatro mequetrefe. Podem me bater, falar o que quiser, mas não entrego um teatro desse jeito”, afirma o presidente da FMC. Segundo o gestor, todo o material necessário à reforma do teatro que ainda não chegou a ser aberto já está comprado.

REFORMA SEM PRAZO Antigo teatro da Imprensa Oficial, o Clara Nunes foi fechado em 2009 para obras de adequação de acessibilidade. Em 2013, o governo de Minas anunciou parceria com o Sesc, atual responsável pela reforma, com término previsto para 2017. Segundo o Sesc, as obras ainda não têm sinal verde. “Atualmente, estamos na fase de emissão do Atestado do Cumprimento das Diretrizes do Parecer de Licenciamento Urbanístico. Após a emissão desse documento, o projeto passará por nova análise da Secretaria Municipal Adjunta de Regulação Urbana, para a emissão do Alvará de Construção. Então as obras de revitalização poderão ser iniciadas.”

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