Flip homenageia poetisa carioca Ana Cristina Cesar na edição de 2016

Poesia marginal, marca da escritora, deve dar o tom ao principal evento literário do país

por Ana Clara Brant 14/11/2015 13:50

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Pela segunda vez desde que foi criada em 2003, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) vai ter como autor homenageado uma mulher. Depois da escritora ucraniana radicada no Brasil, Clarice Lispector (1920-1977), ter sido o tema da edição de 2005, em 2016 será a vez da poeta carioca Ana Cristina Cesar.


Um dos principais nomes da poesia marginal dos anos 1970, Ana Cristina se suicidou aos 31 anos, em 1983. Expoente da geração da poesia marginal, que nos anos 1970 se firmou distribuindo edições caseiras no Rio de Janeiro, ao largo do mercado editorial e sob o peso da ditadura militar, Ana C., como é chamada por amigos e leitores, fundou uma vertente marcante na poesia brasileira contemporânea.

Flip/Divulgação
Conhecida como Ana C, poetisa carioca Ana Cristina Cesar ganha homenagem na Flip 2016 (foto: Flip/Divulgação)
 

 

Ao homenageá-la, a Flip traça uma linha de continuidade com a programação do festival, que vem ajudando a revelar ao grande público novas vozes na poesia brasileira. Muitos dos autores convidados nos últimos anos estão entre os destaques de uma geração fortemente influenciada por Ana Cristina, como Ana Martins Marques, Bruna Beber, Angélica Freitas e Mariano Marovatto. A portuguesa Matilde Campilho, convidada da edição deste ano, também tem na poeta carioca uma importante referência. Outros autores convidados, como Francisco Alvim, Charles Peixoto, Eucanaã Ferraz, Carlito Azevedo, Fabrício Corsaletti e Chacal, estão entre seus companheiros de geração e leitores.


No fim de 2013, a Companhia das Letras lançou Poética, obra que reuniu os livros Cenas de abril, Correspondência completa, Luvas de pelica, A teus pés, Inéditos e dispersos e Antigos e soltos, todos fora de catálogo há décadas. A curadoria editorial foi do poeta Armando Freitas Filho, amigo de Ana Cristina e o responsável legal por seu acervo, hoje sob a guarda do Instituto Moreira Salles (IMS) no Rio. Freitas ficou muito feliz ao saber da homenagem e ressaltou a força do trabalho da amiga mais de 30 anos após a sua morte.


Segundo o editor e jornalista Paulo Werneck, curador da Flip pela terceira vez, as homenagens do evento estavam muito centradas no meio do século 20 no Brasil, nas décadas de 1940, 1950. "Agora a gente desloca um pouco. A poesia marginal está junto com a Ana Cristina. É uma geração que marcou a forma de se escrever no Brasil, muito do que se faz hoje passou por nomes como Cacaso e Francisco Alvim", declarou.


A Flip 2016 vai acontecer entre 29 de junho e 3 de julho, 

 



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