Com 25 anos de estrada, Armatrux celebra maturidade artística e estética

Companhia fundada em 1991 em Belo Horizonte é conhecida por transitar entre as linguagens do teatro, circo e bonecos.

por Carolina Braga 06/11/2015 07:00

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Agência Nitro / Divulgação
Cena de 'Thácht', novo flerte com o teatro do absurdo na trajetória do Armatrux (foto: Agência Nitro / Divulgação )
“Todo mundo começou com 20 anos”, brinca a atriz Tina Dias, sobre o elenco hoje na faixa dos 40. Quem acompanha a trajetória das artes cênicas em Minas certamente se surpreende quando toma conhecimento que o Armatrux Grupo de Teatro abre neste final de semana as comemorações de seus 25 anos. Até aqui foi uma trajetória bastante heterogênea em termos de linguagens, mas sobretudo de criações constantes.

Desta sexta (06) até o dia 29 de novembro a companhia ocupará o Galpão Cine Horto com exposição de acervo, seminários, oficinas e, claro, os espetáculos. Voltarão ao cartaz três peças dirigidas pelo parceiro fiel, o diretor Eid Ribeiro. São elas as montagens para adultos, Thácht (2014), No Pirex (2009) e a infantil De banda pra lua (2007).


Euler Junior/EM/D.A Press
O parceiro fiel, Eid Ribeiro será diretor da próxima montagem (foto: Euler Junior/EM/D.A Press)
Para o ano que vem tem montagem inédita. Será uma adaptação de contos inéditos do diretor Eid Ribeiro, que também participa do projeto. “Queremos estar todos juntos em cena novamente”, conta Tina Dias. A estreia está prevista para o segundo semestre de 2016.

“Houve uma época em que falávamos muito sobre a nossa multiplicidade de linguagens. Hoje sabemos que construímos algo próprio”, sintetiza Tina Dias. O Armatrux foi fundado em Belo Horizonte por Paula Manata, Paulo Sérgio Cavalcanti, Ricardo Macedo, Inês Gastelois e pelo diretor e bonequeiro Paulinho Polika. A primeira montagem foi Acorda Aderbal, criada para a rua com recursos circenses e teatro de bonecos.

Tina Dias se lembra do dia em que viu o espetáculo pela primeira vez. “Eu era da dança e achei o grupo o máximo. Passou um tempo e me chamaram para um espetáculo”, lembra. De convidada passou a integrante. O grupo hoje é formado por ela, Paula Manata, Tina Dias, Raquel Pedras, Eduardo Machado, Cristiano Oliveira e Rogério Araújo. “Construímos uma estética que passa pelo teatro físico, a manipulação de bonecos, objetos e imagens. Um coletivo é isso: a gente vive do desejo de vários”, define Tina.

O trabalho do Armatrux ainda tem uma boa parcela de artesanal. São os próprios atores que assumem desde a gestão da empresa passando até pela construção de cenários. Ao longo dos 25 anos foram 19 espetáculos e um público estimado de 500 mil pessoas. O Armatrux passou por todos os Estados Brasileiros e se apresentou em mais de 50 cidades do interior do Estado de Minas Gerais.

Angelo Pettinati/Esp.EM
Integrantes do Armatrux no centro cultural C.A.S.A, em 2013 (foto: Angelo Pettinati/Esp.EM)
Segundo Tina Dias, os três espetáculos escolhidos para a temporada dos 25 anos, de certa forma, são um resumo da obra. Tcht, que abre a série (em cartaz de 06 a 29 de novembro), é o mais novo deles. Em repertório desde o ano passado, é uma tragicomédia musical protagonizada por Eduardo Machado, Cristiano Oliveira e Rogério Araújo. A trilha sonora é executada ao vivo. Na trama, dois cômicos desenvolvem um diálogo absurdo, usando de forma única a musicalidade nas palavras e instigando o imaginário do espectador.

O infantil De banda pra lua venceu prêmios importantes como o 1º Prêmio de Dramaturgia Infanto-Juvenil de Minas Gerais/2005, 1º e o 2º Prêmio “Cena Minas” em 2007 e 2008. É a história de dois caipiras apaixonados pela lua e seus mistérios. A peça será apresentada aos domingos, dias 08, 15 e 22 de novembro, sempre às 11h.

Embora radicalidade de linguagem sempre tenha feito parte da trajetória do Armatrux, em No pirex a experimentação foi mais radical. A montagem dispensa a palavra para narrar o encontro de cinco personagens grotescos e surreais em torno da mesa de um restaurante. O espetáculo foi vencedor, em 2011, do Prêmio Sinparc de melhor direção e melhor iluminação.

Para Tina Dias, o maior desafio enfrentado hoje pelo grupo é a gestão. “Teatro é muito artesanal. Acaba que dentro do Armatrux todos os integrantes tem funções burocráticas muito sérias. Isso às vezes é muito duro para os artistas”, reconhece. Mesmo nesta realidade nem sempre desejada Armatrux demonstra maturidade.


Em 2008 o grupo inaugurou a cumeeira da C.A.S.A (Centro de Artes Suspensa e Armatrux), o centro cultural construído em parceria com Cia Suspensa na região do Vale do Sol, em Nova Lima. Os anos seguintes foram de construção. “É a nossa maior alegria”, diz Tina Dias.


 

ARMATRUX 25 ANOS – Temporada comemorativa.
De 6 a 29 de novembro. Galpão Cine Horto. Rua Pitangui, 3.613, Horto, (31) 3481-5580. Espetáculos: Thácht, de 06 a 29 de novembro, Sexta e sábado, 21h, Domingo, 20h; De banda pra lua, dias 8, 15, 22 de novembro, domingo às 11h; No pirex, 18, 19 de novembro, Quarta e quinta, às 21h. Ingressos: R$ 20 (inteira. 

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