Festival Internacional de Fotografia convida o espectador a observar o mundo sob prismas inusitados

Sem fronteira entre a realidade e ficção, a mostra fica em cartaz até novembro

por Walter Sebastião 26/10/2015 08:10

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Daesung Lee/divulgação
As complexas singelezas do mundo contemporâneo, por Daesung Lee (foto: Daesung Lee/divulgação)
Está em cartaz o que talvez seja o mais importante evento de artes visuais de Belo Horizonte: o Festival Internacional de Fotografia (FIF). Três exposições exibem obras de quase uma centena de artistas, reunidas sob o título Mundo, imagem, mundo. Essa mostra sofisticada, sem pedantismo, argumenta a favor da criação e convida à reflexão. Farto e instigante, o material permite ao público fruir e compreender as estratégias da fotografia na arte contemporânea. Uma realização impecável.


O mote desta edição é o mundo que se torna imagem e se faz mundo continuamente recriado. É recorrente a frontalidade: personagens e coisas, de frente para o espectador, a buscar diálogo sobre o “deslimite” entre o ficcional e o real. Atitude de fundação de um lugar aberto à criação – mais do que à crítica, como em outros tempos – a conceituar o real amparado exclusivamente na fé ingênua e no que se vê, como já observou um filósofo. Ou seja, sem meditação sobre o complexo tema “o que é ver”.


Esse contexto evidencia cenografia e coreografias, fazendo da imagem um pequeno teatro de infinitas possibilidades (e cinema, referência para a fotografia). Esse palco traz visões aprofundadas do mundo contemporâneo, além de comédias e dramas ligeiros.


Todos os trabalhos expostos no Festival Internacional de Fotografia são muito bem realizados. Ganham significado especial os artistas em busca de construções que ainda lutam por algo imprevisto e singular, capaz de somar o estético, o social, o político e o histórico.


Houve um tempo em que o “contemporâneo” teve vigor inaugural. Em especial, quando ostentou sua dúvida em relação à burocratização da modernidade. Ou, como escreveu o crítico Mário Pedrosa, quando artistas trocaram a autoexpressão pela comunicação. Perspectiva que, tornada linguagem dominante e praticamente absoluta na sociedade, hoje se confunde com fórmulas estandartizadas, formal e existencialmente pobres. Atualmente, a sensação é de que, dadas as formas ou práticas, está posto o desafio: produzir conteúdo.


As exposições do Festival Internacional de Fotografia, em doses mais leves se comparadas a outras mostras, trazem também muitos trabalhos “conceituais”, diálogo com proposições “antiestéticas” e manipulação de imagens. Mas o que fica na lembrança – e faz pensar – são as singelas imagens do sul-coreano Daesung Lee. O artista não é o único que chama a atenção, mas, talvez, seja o mais arguto dos autores selecionados pelo FIF.

 

 

MUNDO, IMAGEM, MUNDO
Fotografia. Vários autores

 

Palácio das Artes

Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro. De terça-feira a sábado, das 9h30 às 21h; domingo, das 16h às 21h. Até 2 de novembro.


Casa de Fotografia de Minas Gerais

Avenida Afonso Pena, 737, Centro. De terça-feira a sábado, das 9h30 às 21h. Até 29 de novembro.

 

Espaço Cento e Quatro
Praça da Estação, 104, Centro. Segunda-feira, das 12h às 17h; de terça a sexta-feira, das 12h às 22h; sábado e domingo, das 16h às 22h. Até 8 de novembro.



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