Desenhista Mauricio de Sousa completa 80 anos na próxima terça-feira

A família sempre foi a principal inspiração para as criações do desenhista e escritor, que homenageou toda a prole em suas obras

por Ana Clara Brant 25/10/2015 09:00

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Quinho/EM/D.A.Press
(foto: Quinho/EM/D.A.Press)

Magali Spada Sousa, de 54 anos, tem um apetite voraz e é apaixonada, sobretudo, por melancia. Luiz Carlos da Cruz, o seu Cebola, de 66, gosta bastante de camisa verde e vez por outra troca o “r” pelo “l”, até mesmo na hora de escrever. Já Marina Takeda e Sousa, de 30, é uma desenhista de talento, adora futebol e até bate uma bolinha ocasionalmente, enquanto Mauro Takeda e Sousa, 28, acompanha diariamente a meteorologia e não viaja sem checar a previsão do tempo.

Todas essas pessoas serviram de inspiração para as criações de Mauricio de Sousa, que completa 80 anos na próxima terça-feira. Três deles, Magali, Marina – que têm os mesmos nomes de seus personagens – e Mauro, que serviu de referência para Nimbus, são filhos do desenhista e escritor. Aliás, toda a prole de Mauricio (10 filhos, de quatro casamentos) ganhou homenagens em sua obra, sendo Mônica a mais conhecida.

Apetite de leão
Única dos filhos do cartunista e empresário que não mora em São Paulo, Magali escolheu Minas Gerais para morar, porque, segundo seu pai, é o lugar que tem a melhor comida do Brasil. “Pior é que é verdade. Mas foram as circunstâncias que me levaram a viver em Belo Horizonte. Há 20 anos, meu então marido foi transferido pra cá e gostei tanto que nunca mais quis sair de BH. Além da comida, é claro (risos), adoro o clima da cidade, as pessoas... Sem falar que não suporto o trânsito de São Paulo. Só lamento ficar longe da família e do meu namorado, que é do Rio”, diz.

Magali conta que Mauricio soube captar como ninguém o espírito, a aparência e a personalidade dos filhos ao criar os personagens dos gibis. A irmã Mônica, diretora-executiva da Mauricio de Sousa Produções, sempre foi geniosa e nunca tolerou injustiças, por isso a fama de brava. “Eu era mais meiga, boazinha e sempre tive esse apetite de leão. Comia, como muito e não engordo. Para você ter uma ideia, até hoje como tanto que minha barriga fica até dura. Almoço às 10h30 de tanta fome que tenho e só de ouvir falar em melancia já dá água na boca. Adoro ser a Magali.”

Em seu apartamento na capital mineira, ela tem a companhia da gata Dani e dos cachorros Pandora e Mauricio, que herdou da mãe, Marilene, morta em 2011. “Tinha a Moniquinha também. Mamãe adorava colocar o nome das pessoas nos bichos. Se eu morasse em Sampa, ia ser complicado, porque são tantos Mauricios na família (além do pai, ela tem dois irmãos e um sobrinho com esse nome) que, se a gente chama pelo nome, vem todo mundo e mais o cachorro”, diverte-se.

Magali ainda não sabe o que vai dar de presente para o pai pelos seus 80 anos, mas acredita que o que ele realmente gostaria é de juntar todos os familiares: os 10 filhos, 11 netos e três bisnetos. “Tenho muito orgulho do meu pai. É emocionante ver como ele tem tanto amor pelo que faz. Nunca vi alguém trabalhar tanto como ele, fazer questão de participar de tudo e de atender qualquer pessoa para tirar uma foto, dar um autógrafo”, ressalta.

Admiração pelo pai

Marina e Mauro, filhos do casamento de Mauricio de Sousa com a diretora de arte Alice Takeda, trabalham diretamente com o pai. Única dos 10 irmãos que desenha profissionalmente, Marina desenvolve os roteiros dos gibis. Mauro dirige a MS ao Vivo, empresa do Grupo Mauricio de Sousa que tem a missão de transformar as HQs em experiências ao vivo, de forma lúdica, educativa e cultural.

Os dois ganharam seus personagens na década de 1990 – Marina, que está sempre com um lápis ou uma caneta a tiracolo e ama desenhar, e Nimbus, o menino curioso por condições meteorológicas e clima, além de ser o mágico da turminha. Eles não escondem a admiração pelo pai.

Mauro considera Mauricio um homem extremamente determinado que, mesmo aos 80 anos, vai para a empresa diariamente acompanhar o trabalho. “Ele faz questão de aprovar tudo, desde os gibis até os espetáculos que dirijo na MS ao Vivo. Isso é admirável. É amor e dedicação ao que faz. Se eu fosse resumir o papai em uma palavra, seria humildade.”

Mauro afirma que a relação com Mauricio-pai e Mauricio-chefe é diferente e que, ao longo do tempo, eles conseguiram separar as duas coisas. “Não foi um processo fácil, mas hoje as relações estão equilibradas. O pai e o chefe são presentes e sempre que possível adoramos almoçar juntos na empresa”, conta.

Já Marina, que fez sua primeira capa para a Turma da Mônica aos 7 anos de idade, comenta que o otimismo é a faceta de que mais gosta em seu pai. “A forma como ele enxerga tudo sempre de maneira positiva é muito cheia de vida. Toda vez que a gente tem algum problema, ele sempre vem com uma resposta boa para tudo e mostra o lado bom. Isso é raro. Acho meu pai um gênio”, gaba-se.

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