Musical refaz a trajetória do cantor Wilson Simonal

Apresentação acontece neste fim de semana, no Palácio das Artes

por Ana Clara Brant 16/10/2015 08:00

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Leonardo Aversa/Divulgação
(foto: Leonardo Aversa/Divulgação)
Na mitologia grega, Ícaro, filho de Dédalo, ficou conhecido pela tentativa frustrada de deixar a ilha grega de Creta voando. Caiu e morreu. Em homenagem a essa figura mitológica, o ator Ícaro Silva, de 28 anos, foi batizado. Um nome que, segundo ele, tem tudo a ver com sua personalidade e com os artistas de maneira geral. “Ícaro é um arquétipo bem interessante no nosso meio, porque a gente tem que tomar cuidado com certos ‘voos’. Quanto mais alto voamos, mais perdemos a noção. Se cairmos, a queda é grande”, filosofa.

O ator interpreta um personagem que sentiu como poucos as adversidades da profissão artística e foi do céu ao inferno. S’imbora, o musical – A história de Wilson Simonal reconta a trajetória de um dos maiores cantores da MPB. Ícaro Silva, que recentemente deu vida a Jair Rodrigues em Elis, a musical, produção também assinada pela dupla Nelson Motta e Patrícia Andrade, foi selecionado entre mais de 1 mil candidatos.

“Torcia muito para ser o escolhido, pois é um personagem muito rico, cheio de camadas e com uma história intrigante e bonita. Tenho muito orgulho de fazer esse papel e ele me ajudou a ser um artista melhor, até porque o Simonal era assim”, destaca.

Com direção de Pedro Brício, o espetáculo conta a vida do cantor desde quando era um garoto pobre, passando por sua descoberta por Carlos Imperial até o estouro, na década de 1960, no rádio e na TV. A decadência artística também está presente: no início dos anos 1970, sua carreira começou a se desestruturar.

Simonal teve encerrado o contrato com a Globo, brigou com a banda Som Três e desfez o escritório da Simonal Produções. A gota d’água foi o desentendimento com seu contador. O cantor pediu ajuda a amigos policiais, agentes do Dops, que sequestraram o rapaz. Simonal foi então acusado de delator a serviço da ditadura militar. Nada foi provado contra ele. Simonal dizia que até torturadores e terroristas foram anistiados, menos ele, condenado ao ostracismo até sua morte, em 2000.

A direção musical de Alexandre Elias e os arranjos de Max de Castro, filho de Simonal, são fiéis à obra do artista, mas trazem um olhar criativo, contemporâneo. “Não só o Max, mas os outros filhos (Simoninha e Patrícia) estiveram presentes o tempo todo com a gente e foram extremamente generosos”, conta Ícaro.

Em quase três horas de peça, não faltam hits eternizados na voz de Wilson Simonal como Balanço Zona Sul, Sá Marina, País tropical, Meu limão, meu limoeiro, Lobo bobo e Mamãe passou açúcar em mim.

S’IMBORA, O MUSICAL

Sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 19h, no Grande Teatro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos entre R$ 70 e R$ 180. Informações: (31) 3236-7400 ou 4003-2330.

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