Por discordância com a direção do FIT-BH 2016, curadores entregam cargo

Eduardo Moreira (Grupo Galpão) e Diego Bagagal, que dividiam a curadoria com Walmir José, relatam falta de sintonia com a coordenação do festival e dizem que se "tornou muito difícil o trabalho em equipe"

por Carolina Braga 14/10/2015 16:10

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Os diretores teatrais Eduardo Moreira e Diego Bagagal anunciaram nesta quarta-feira (14/10) seu desligamento da curadoria do Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte, o FIT-BH. Moreira e Bagagal, junto com o também diretor Walmir José, foram escolhidos em janeiro passado pela Fundação Municipal de Cultura, realizadora do festival, para compor a curadoria. Cabia a eles colaborar na definição das diretrizes para a edição 2016 do FIT, que é bienal, assim como selecionar os  espetáculos a serem apresentados. Walmir José permanece no cargo.

A dupla de curadores que deixa o cargo divulgou uma carta à imprensa, em que cita como principal motivo para sua decisão a falta de sintonia entre as solicitações da curadoria e a produção do festival. “Acreditamos que (se) tornou muito difícil o trabalho em equipe”, afirmam. A diretoria de artes cênicas da Fundação Municipal de Cultura, que coordena o FIT, não retornou o contato da reportagem.


Edesio Ferreira/EM/D.A Press
Cássio Pinheiro, diretor de artes cênicas da Fundação Municipal de Cultura, durante a apresentação da curadoria, em janeiro de 2015 (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)
Além de anunciar seu afastamento da curadoria e expor as razões dessa decisão, a carta divulgada por Moreira e Bagagal inclui a relação das propostas apresentadas por eles à direção. Eles sugeriram, por exemplo, a temática da resiliência para o FIT 2016. Segundo eles, ser resiliente para um festival de teatro significa, entre outros pontos, apresentar temas que dialoguem com a alteridade, a multiplicidade e a diversidade da sociedade; pensar a cidade como um espaço de diálogo e de convivência democrática entre as diferenças, para além de uma mera vitrine de espetáculos.

“Temos certeza de que a efetivação de um festival coerente e relevante em termos de programação só se concretizará se a organização do festival se antecipar ao máximo na realização dos contatos e da produção para a vinda dos grupos selecionados. Grupos importantes são sempre muito solicitados e têm uma agenda complexa. Temos alertado constantemente para a urgente necessidade de fechar e garantir os grupos que possibilitarão tornar realidade nossa proposta. Mas, infelizmente, não tivemos o devido retorno”, afirmam, no texto.

De acordo com o documento, foram feitas pelos curadores sete viagens, entre elas internacionais para países como França, Escócia, Inglaterra e Portugal. Foi entregue à produção uma lista com 23 montagens do exterior, 11 nacionais e duas coproduções. “Na grande maioria dos contatos, propusemos sempre atividades de diálogo com os artistas e grupos de Belo Horizonte. Consideramos que as viagens foram estratégicas para podermos construir um programa amplo, que abarca os cinco continentes, coerente com os ideais da curadoria e com uma visão de troca e de formação que está além da vitrine de apresentação de espetáculos”, explicam.

Eles também propõem a realização da Casa FIT, um espaço dedicado aações de formação e exposições de artistas homenageados. Foram sugeridos os nomes de Teuda Bara e Jota D’Angelo, de Belo Horizonte, e também os de Augusto Boal (1931-2009) e Judith Malina (1926-2015), fundadora do The Living Theatre. 

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