Sara Não Tem Nome e Chacal dividem o palco em Belo Horizonte

Apresentação acontece dentro do projeto Digas! Poesia Falada, que tem entrada franca

por Fernanda Machado 14/10/2015 08:59

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Diego Xavier/Divulgação
Sara Não Tem Nome deve tocar enquanto o carioca Chacal recita seus poemas (foto: Diego Xavier/Divulgação)
A mineira Sara Alves Braga escolheu um nome artístico impessoal, porém marcante: Sara Não Tem Nome. Apesar da negação inscrita em sua alcunha, o nome da jovem tem alçado voos, recebendo elogios de críticos Brasil afora e chamando a atenção de artistas veteranos, como o carioca Chacal, com quem ela divide o palco do Teatro de Bolso do Sesc Palladium a partir das 19h30 de hoje, na programação do projeto Digas! Poesia Falada.


Aos 22 anos, Sara coleciona trabalhos em diversas áreas. Música, vídeo, fotografia, poesia e ilustração fazem parte de seu repertório. “Desde criança, já gostava de desenho e música. No ensino fundamental, tive aulas com o cineasta Carlos Magno Rodrigues, que passava uns filmes incríveis. Depois, fiz um curso com o (diretor Dellani Lima. Quando chegou a hora de escolher o que fazer, entrei para a Escola de Belas Artes da UFMG, no curso de artes visuais”, conta.


Mas Sara não se contentou em trabalhar apenas com vídeo. “Sempre quis fazer algo mais interdisciplinar. A ideia de pegar um tema e pensar as diversas áreas em cima dele me interessa muito”, conta. Tanto que uma de suas obras mais recentes é o disco Ômega III, lançado em setembro deste ano e disponível para audição em plataformas on-line de música. Com 12 músicas, o álbum traz composições que Sara escreveu em sua adolescência, tratando de crises e desilusões comuns a esse período.


O disco foi gravado durante sua participação na 10ª Residência Artística do Red Bull Station e teve produção de Julito Cavalcante (das bandas BIKE e Macaco Bong), participação do amigo mineiro Guto Borges – na guitarra em Atemporal – e masterização do australiano Rob Grant, que já trabalhou com bandas como Tame Impala e Death Cab for Cutie.


A boa acolhida a Ômega III surpreendeu a artista. “Acho que o disco caiu num momento curioso. Ele fala sobre questões existenciais, de crise, e acho que estamos numa fase difícil na sociedade. Talvez as pessoas tenham se identificado”, afirma. “Fiquei feliz com o reconhecimento, porque às vezes tenho a impressão de que as pessoas olham para mim e pensam: essa menina faz um monte de coisa e, no fim, não deve fazer nada direito.”


Na cartola, Sara ainda tem mais dois discos, além de trabalhar na produção do filme Carne vermelha, um projeto já apresentado em forma de instalação com três vídeos curtos. Na noite de hoje, ela aproveita para lançar o livro Eu robô, que reúne frases aleatórias criadas por meio de um aplicativo a partir de suas postagens no Facebook.


Na parceria com Chacal, seu companheiro de palco nesta noite, ela vai tocar enquanto ele declama seus poemas. “Ele disse que fará algo mais performático, estou curiosa”, diz. A mineira conheceu Chacal no ano passado, durante apresentação no Circuito Literário da Praça da Liberdade. Na ocasião, ela musicou poemas dele, que assistiu à performance da plateia. No fim da apresentação, ele foi elogiá-la. “Disse que tinha gostado muito da minha visão do trabalho dele e falou em fazermos algo juntos. Mas nem acreditei que pudesse rolar mesmo.”


O show de lançamento de Ômega III em BH está previsto para novembro, em dia ainda não definido. Na apresentação, Sara Não Tem Nome deverá ser acompanhada pelos mesmos músicos que gravaram o disco, Gustavo Athayde (BIKE e Cabana Café), Hafa Bulleto (BIKE e Cabana Café) e Daniel Fumega (Macaco Bong).

 

Digas! Poesia Falada
Com Chacal e Sara Não Tem Nome. Nesta terça, às 19h30, no Teatro de Bolso do Sesc Palladium. Av. Augusto de Lima, 420, Centro. Entrada gratuita com retirada de ingresso 30 minutos antes da apresentação. Informações: (31) 3270-8100



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