Festival de História começa amanhã, em Diamantina

Com o tema "Diálogos oceânicos", evento conta com pesquisadores brasileiros e portugueses, além de atrações culturais

por Ana Clara Brant 07/10/2015 07:50

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(foto: Reprodução)
Depois de aportar na cidade portuguesa de Braga, o Festival de História (fHist) atravessa o Atlântico e volta às origens em Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, onde será realizado de amanhã a domingo. Em sua terceira edição, o evento é pautado pelo tema Diálogos oceânicos, propondo reflexão sobre as raízes históricas, diásporas, diversidades e identidades culturais dos povos de língua portuguesa.


“Apesar de o assunto ser o mesmo de Braga, as mesas e debates serão diferentes, embora sigam a linha geral dessa temática. Procuramos dar continuidade, mas com enfoques diferentes. Foi até uma ousadia, já na terceira edição, a gente ter atravessado o oceano. Contamos com participação muito expressiva de grandes nomes da literatura, história e política portuguesa”, ressalta o jornalista Américo Antunes, coordenador do festival.


A versão lusitana foi realizada em maio. O festival vai reunir historiadores, educadores, jornalistas e especialistas renomados do Brasil e de Portugal em diversos espaços de Diamantina, como a Praça Doutor Prado, onde será montada a Tenda da História, o Teatro Santa Izabel, a Casa de Chica da Silva e o Mercado Velho,


Na abertura, amanhã, estarão presentes o jornalista e ex-ministro Franklin Martins e a historiadora Heloísa Starling, cientista política e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), curadora do evento em parceria com as historiadoras Júnia Furtado e Pilar Lacerda. Martins vai falar sobre a influência da política na música popular brasileira. Estudado por ele durante quase duas décadas, o tema rendeu a trilogia Quem inventou o Brasil?, que aborda as relações entre música e política no país entre 1902 e 2002.


Estarão em Diamantina o historiador mineiro José Murilo de Carvalho, especialista no período imperial e da Independência, tema do debate do qual participa, na sexta-feira. Durante uma década, o pesquisador reuniu milhares de documentos que circulavam no período da ruptura com a Coroa portuguesa. O trabalho foi publicado em quatro volumes pela Editora UFMG, na caixa intitulada Guerra literária – Panfletos da Independência (1820-1824). De acordo com o autor, os panfletos trazem uma nova dimensão para a interpretação da Independência porque mostram que o debate não se limitou à elite, mas foi compartilhado nas ruas por vários setores da sociedade.


Em recente entrevista ao Estado de Minas, José Murilo de Carvalho declarou que os mais de 300 textos reproduzidos na publicação contradizem a ideia de queas classes mais pobres não tiveram acesso ao debate sobre o processo independentista. “Os panfletos manuscritos eram afixados em locais públicos e lidos em voz alta para os circundantes. Os impressos eram também muitas vezes lidos em reuniões. Essas modalidades de leitura ampliavam a audiência para além da pequena população alfabetizada”, explicou o professor.


O evento conta ainda com nomes de destaque da pesquisa histórica brasileira, como Marcello Basile e João José Reis, e também portuguesa, com a presença de Antônio Costa Pinto, das Universidade de Lisboa, e Miguel Sopas de Melo Bandeira, das universidades de Coimbra e do Minho. As mesas de debate tratam de diversos aspectos da história nacional: escravidão, patrimônio histórico e cultural, ocupação urbana, massacres indígenas, guerrilhas urbanas e rurais no período militar (1964-1985) e a sociedade de Diamantina no século 19.


“O fHist tem uma perspectiva diferente, pois consegue apresentar a história e as ‘comadres’ da história, como costumo dizer que são o jornalismo e a literatura, de uma forma muito acessível, pensando, sobretudo, no estudante que tem a oportunidade de ter contatos como figuras bastante relevantes do nosso país e até do exterior”, comenta Heloísa Starling.

 

3º Festival de História de Diamantina (fHist)

De amanhã a domingo, em Diamantina. Inscrições para as mesas: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia). Dá direito a todos os eventos na Tenda da História. As demais atividades, como oficinas, mostras e lançamentos de livros, são gratuitas. Informações: ww.festivaldehistoria.com.br

 

 

MINICURSO

De 14 a 16 de outubro, o jornalista, escritor e ex-ministro Franklin Martins vai ministrar um curso gratuito baseado na trilogia que escreveu, Quem foi que inventou o Brasil? – A música popular conta a história da República. As aulas serão no período da tarde, na sala 1012 da Fafich, na UFMG. No minicurso, realizado pelo Projeto República da Federal, será analisado como o cancioneiro popular conta, reflete e interpreta os principais fatos, eventos e personagens políticos da República brasileira. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail projetorepublica@ufmg.br. Vagas limitadas. Informações: (31) 3409-6498.   

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