Luis Fernando Verissimo lança coletânea de crônicas 'As mentiras que as mulheres contam'

Autor busca repetir sucesso da versão masculina com livro que chega amanhã às lojas

por Mariana Peixoto 06/10/2015 08:00

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(foto: Divulgação)
Tem aquela da mulher que paga uma fortuna numa Louis Vuitton e, ao descobrir uma amiga que gastou uma pechincha por uma bolsa falsa, porém exatamente igual à sua, resolve mentir. Tem ainda o caso de uma fulana carente que leva um cego para casa, faz dele seu amante e acaba causando uma tragédia. E tem também uma outra que fala que é muito mais velha só para acharem que ela é muito mais nova.


Mulher mente por qualquer razão. E os homens, desde a mais tenra infância, aprendem a conviver com isso. “'Olha o aviãozinho!' A primeira mentira. Ela querendo nos convencer de que o que tinha na mão não era uma colher com papinha, mas um avião. Um avião!”


É dessa maneira que Luis Fernando Verissimo dá a partida para sua nova coletânea de crônicas. Nas livrarias a partir desta quarta-feira, As mentiras que as mulheres contam (Editora Objetiva), é uma resposta ao best-seller de 15 anos atrás, As mentiras que os homens contam (500 mil exemplares vendidos). As 48 crônicas que recheiam o livro foram garimpadas pela editora do extenso material publicado na imprensa. Somente o texto introdutório (o do aviãozinho), que amarra o livro, é inédito.


Aos 79 anos, o marido de Lúcia (a primeira namorada séria) há 52, pai de Fernanda, Mariana e Pedro e avô de Lucinda, é um dos escritores mais populares do país. Também cartunista, tradutor, roteirista, dramaturgo, saxofonista, romancista bissexto (com seis títulos publicados), fez da crônica seu principal ofício.


Escrevendo semanalmente para três jornais, Verissimo versa com a mesma facilidade sobre temas áridos tanto quanto os corriqueiros. Nessa coletânea, que vem se somar a 60 livros publicados, ele fala de temas comezinhos, mas que fazem parte da vida de homens e mulheres.


É o orgasmo fingido, o presente passado para a frente, a mentira para ganhar um afago do marido, aquela desculpa esfarrapada que não faz mal a ninguém. Na entrevista a seguir, concedida ao Estado de Minas por e-mail, Verissimo mantém nas respostas o estilo de suas crônicas: curtas, certeiras e inspiradas.

 

‘‘Prefiro escrever, com tempo para pensar e não dizer bobagens’’ 

 

Em que situação uma mulher não mente?
Dormindo.

Quem mente mais: o homem ou a mulher?
Acho que é o homem, mas mulher é mais criativa.

O senhor está casado há mais de 50 anos. Um casamento só funciona com mentiras?
Eu nunca menti para a minha mulher, só omiti a verdade algumas vezes.

Qual foi a última mentira que o senhor disse?
Eu não minto. Esta é a primeira vez.

No Brasil de hoje ainda há motivos para rir?
O Brasil às vezes é desanimador, mas nunca deixa de ser engraçado. Muitas vezes no mau sentido.

Escrever hoje, para o senhor, é algo mais complicado do que há 20 anos?
Escrever fica cada vez mais difícil. Exigimos cada vez mais de nós mesmos e a autocrítica aumenta. Eu escrevia mais, antigamente. Não sei se fiquei mais conciso ou mais preguiçoso.

Dos seus livros, de qual o senhor mais gosta?
O analista de Bagé (1981). Não por ser diferente dos outros, mas por ser o primeiro que chamou a atenção.

Tem ideia de quantas crônicas o senhor já escreveu?

Já perdi a conta. Mesmo. A crônica sai com facilidade ou custa a sair, depende do assunto e da abordagem. Na minha experiência, as que dão mais trabalho são as que têm menos repercussão.

O que uma boa crônica deve trazer?

Antes de mais nada, deve ser atraente. É literatura de consumo rápido, ou pega o leitor ou ele escapa.

O senhor escreve muito e fala pouco. Escrever é melhor do que falar?
Prefiro escrever, com tempo para pensar e não dizer bobagens. Ou menos bobagens. Mas, na verdade, eu não falo pouco. São os outros que falam muito.

O que o senhor ainda espera da vida?
Eu sonhava em ser eterno, mas já me convenci de que não vai dar.

Citações e textos atribuídos ao senhor existem a perder de vista na internet. Isso, de alguma maneira, o incomoda?

Não há o que fazer para evitar os textos apócrifos. Alguns são até bons, e aí eu agradeço os elogios. Frequento pouco a internet. Acho que as redes sociais, muitas vezes, revelam o que há de pior nas pessoas. E o ódio é sempre triste.

O que é pior: fazer uma palestra ou dar uma entrevista ao vivo?
Empatam.

 

As mentiras que as mulheres contam
De Luis Fernando Verissimo.
Objetiva, 184 páginas, R$ 34,90 (livro) e R$ 23,90 (e-book).

 

 

Crônica

 

E por falar em festa...

 

“– Minha filha, você me deu sua palavra que a sua festa ia acabar às duas horas.
– E acabou, papai.
– Sim, mas às duas da tarde! Nós estávamos almoçando, hoje, e ainda estava chegando gente pra festa de ontem!
– É que a turma se excedeu um pouco, papai, qualé?
– Outra coisa, você jurou que seus amigos iam ficar na sala e não invadiriam os outros aposentos.
– E então?
– Então que eu fui acordado no meio da noite por um cabeludo me perguntando se não tinha vodca em casa.
– Ele se perdeu, só isso.
– Tudo bem. Mas ele precisava me chamar de 'sô do pijama'?
– Papai...
– E mais. Eles quis tirar sua mãe da cama para dançar.
– Qual é o problema?
– E ela foi.”

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