Reinado de Elizabeth II, o mais longevo da Grã-Bretanha, teve importante impacto na música e no cinema

Nos palcos, protesto. Nas telonas, fascínio. Vida e política da monarca inspirou grandes artistas e produções lendárias

por Estado de Minas 04/10/2015 08:00

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FP PHOTO / PETER MUHLY
(foto: FP PHOTO / PETER MUHLY )
No último dia 9 de setembro a Rainha Elizabeth II se tornou a monarca de maior reinado em toda a história do Reino Unido. Após 63 anos e 216 dias no trono, a soberana desbancou sua tataravó, a rainha Vitória e alcançou a marca histórica.

Nascida em Londres no 21 de abril de 1926, Elizabeth Alexandra Mary se tornou rainha em 1952, após o falecimento de seu pai, o Rei Jorge VI. A coroação aconteceu em 2 de junho de 1953. O evento foi televisionado pela primeira vez naquela ocasião. Depois de 6 décadas no trono, a Rainha aproveita de uma popularidade invejável. Cerca de 90% dos britânicos simpatizam com a Rainha. Além disso, 77% da população se mantém favorável à adoção da monarquia no país. Ao longo dos anos, a rainha deixou seu legado também na cultura mundial. Nas artes, a figura da rainha como símbolo máximo da realeza britânica inspirou desde o espírito de protesto na música até a busca pelos detalhes da vida nos palácios pelo cinema.

Logo nos primeiros anos de reinado de Elizabeth II na Inglaterra, explodiu mundo afora a Beatlemania. Com o sucesso, o quarteto de Liverpool se aproximou da Realeza britânica. A relação, porém sempre guardou ares de “morde e assopra”. O primeiro contato da banda com a Família Real foi durante uma apresentação, em 1963, em um teatro de Londres que contava com a presença de membros da nobreza. Na ocasião, John Lennon soltou uma declaração ácida e marcante no final do show: “as pessoas nos assentos baratos podem bater palmas. As outras, podem sacudir as jóias”.



A alfinetada não estremeceu a relação dos membros da família real com os Beatles. A banda ainda tinha tanta popularidade que em 1965 receberam a medalha da Ordem do Império Britânico pelas mãos da própria Rainha. Em 1969, porém, John Lennon devolveu a honraria ao palácio de Buckingham, justificando um protesto contra o envolvimento da Inglaterra nas guerras da Nigéria e do Vietnã. Mesmo assim, a rainha foi homenageada pela banda com a música Her Majesty, faixa de encerramento de Abbey Road, disco lançado naquele mesmo ano.

“No future!”

Nos anos 1970 o mundo vivia uma turbulência. Nos Estados Unidos, o presidente Richard Nixon renunciava ante aos escândalos denunciados pelo caso Watergate. No Chile, as forças armadas sitiavam e bombardeavam o Palácio de La Moneda, em Santiago, dando início à ditadura militar de Pinochet naquele país. Na economia o planeta era chacoalhado por duas crises do petróleo. Neste cenário caótico, a rainha Elizabeth II completava 25 anos de reinado em 1977 e celebrava seu Jubileu de Prata com todo o luxo e pompa dignos da realeza britânica, em contraste com a Inglaterra em crise, assolada pela pobreza e o desemprego.

Foi neste contexto que o movimento punk rock deu as caras e conquistou multidões no Reino Unido no final da década. O maior expoente do movimento foi o grupo Sex Pistols com seu megahit God save the Queen. A faixa, mesmo título do hino britânico, trazia fortes críticas à família real, com frases como “Deus salve a Rainha e seu regime fascista” e “ela não é um ser humano”. O grupo, autor de façanhas como entoar God save the Queen em um barco em pleno rio Tâmisa, em Londres, durante o Jubileu da Rainha, influenciou uma geração de bandas, como The Clash, que seguiram a linha de ataques à realeza.



"Pela primeira vez a Monarquia era publicamente questionada. Membros da banda eram atacados nas ruas enquanto aos membros do Parlamento era pedido à forca para os cantores da banda. Apesar de ser banida do rádio e da TV e os Sex Pistols declarados inimigos públicos nº 1, a música God save the Queen chegou ao topo do sucesso”, explicam os professores da Cultura Inglesa Daniel Abreu e Déa Horta.

Pop

Mas nem tudo era protesto na música durante o reinado de Elizabeth II. O pop romântico também deu as caras na década de 1970 o que agradava a monarquia. Cantores nem tão “polêmicos” recebiam honrarias da realeza, como o galês Tom Jones. Nos anos 1990 e 2000, figurões da música inglesa também foram honrados com o título de Sir, como Paul McCartney, Elton John e Mick Jagger.

Recentemente, a Coroa inglesa tem se aproximado mais do pop britânico, quando como condecorou a cantora Adele com a medalha da Ordem. Recentemente um dos biógrafos da Rainha disse, em entrevista à revista People, que Elizabeth é uma grande fã da série Downton Abbey e que Sua Majestade gosta de procurar erros na produção. "Nos dias atuais a Rainha pode ser vista visitando o set de filmagens de Games of Thrones ou contracenando com outro ícone da cultura britânica, James Bond durante a abertura das Olimpíadas de Londres.", explicam os professores Daniel Abreu e Déa Horta.

Nas últimas décadas os shows de aniversário e os jubileus de ouro e diamante da Rainha arrastaram multidões para apresentações de música pop na Inglaterra. Nomes como Elton John, Paul McCartney, Ricky Martin, Robbie Williams e Kylie Minogue fizeram apresentações em celebrações da Realeza.

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Intérprete de James Bond no cinema, o ator Daniel Craig também ficou a serviço de Sua Majestade na abertura dos Jogos Olímpicos (foto: AFP PHOTO)
Fascínio no cinema


Se por um lado a música no período de reinado de Elizabeth II ficou marcada pelo protesto, o cinema por sua vez não economizou em buscar retratar nas telonas como é a vida luxuosa da realeza Britânica. Confira os principais filmes que retrataram a vida da família de Elizabeth.

A Rainha (2006)
Com elogiada atuação de Helen Mirre, filme mostra o momento em que a Rainha Elizabeth II toma conhecimento da morte da Princesa Diana e a preocupação em trabalhar sua imagem em público. Filme foi indicado para seis Oscars em 2007, rendendo o prêmio de ‘melhor atriz’ a Mirre.

Her Majesty (2001)
Comédia neozelandesa conta a história de Elizabeth, garotinha de uma pequena cidade da Nova Zelândia e fã incondicional da Monarca britânica, que se prepara para uma visita da Rainha a sua cidade-natal.

O discurso do Rei (2010)
Longa aborda a batalha do Rei Jorge VI, pai de Elizabeth II, para vencer a gagueira às vésperas de se tornar Rei e fazer o importante anúncio da Segunda Guerra Mundial para o país. Filme acumulou 12 indicações ao Oscar, vencendo em quatro categorias, incluindo a de ‘melhor filme’.


Curiosidades sobre o reinado de Elizabeth II

  • Dona dos mares
Pela legislação britânica, a Coroa é proprietária de todos os golfinhos, baleias, cisnes e outros animais que estejam em águas britânicas. A monarquia ainda organiza um censo anual de contagem dos cisnes do país.

  • Além do Reino Unido
A Rainha não é soberana apenas no Reino Unido. Elizabeth também é a monarca de outros quinze países como Austrália, Canadá, Jamaica e Nova Zelândia.

  • O preço da Realeza
Para 2015, o orçamento previsto para a Família Real é o equivalente a R$ 234 milhões de reais contra os R$ 215 milhões repassados em 2014. O orçamento é pago pelo cidadão inglês.

  • Afazeres
Engana-se quem pensa que a rainha não tem nenhuma função. A monarca é responsável por mandar telegramas de aniversário para cidadãos britânicos que completam 100 anos de idade. Segundo dados do site da Família Real, ela já enviou mais de 10 mil telegramas. Elizabeth II também envia felicitações a casais que celebram 60 anos de união.

  • Dois aniversários
Elizabeth comemora seu aniversário duas vezes por ano. A monarca celebra a data no dia 21 de abril, seu nascimento, e participa da comemoração oficial, em junho. Datas separadas são tradicionais e já foram usadas por outros monarcas.

  • Conectada
Se acha muito ligado na internet? Pois saiba que a Rainha mandou seu primeiro e-mail lá em 1976. O contato foi estabelecido a partir de uma base militar durante visita.

Fonte: site oficial da Família Real
 
*por Luiz Felipe Nunes

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