Internet ajuda a preservar a memória da capital mineira guardando fotos antigas da cidade

Rede possui grande volume de imagens desde os tempos em que ainda não era uma cidade, mas apenas um arraial

por Ana Clara Brant 28/09/2015 08:00

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Acervo APM/Divulgação
Visão noturna da Avenida Afonso Pena em 1950 na página Curral del Rey.com mostra como a via era toda arborizada (foto: Acervo APM/Divulgação)
A imagem é de 1929 e traz 16 pessoas, entre homens, mulheres e crianças, todos de chapéus, e retrata a inauguração de um dos principais cartões-postais de Belo Horizonte, o Viaduto de Santa Tereza. Postada na página de uma rede social, em pouco tempo ela teve cerca de 700 curtidas e 260 compartilhamentos. Sem contar os comentários. Gente comparando com os dias de hoje, outros se emocionando e reconhecendo parentes na foto e teve até quem analisasse o figurino da época.


“Esse retorno e essa troca são muito bacanas”, comemora o professor de geografia Leandro Damasceno, que em 2012 criou no Facebook a comunidade Fotos antigas de Belo Horizonte. “As pessoas se identificam ou identificam conhecidos, tentam descobrir juntas que lugar é esse ou aquele, já que a cidade mudou muito ao longo das décadas. Apesar de eu colocar crédito em todas as fotografias, acontece de uma ou outra não ter e aí, quando posto, alguém avisa que aquela foto é sua. Isso é bem legal também.”

A página, que foi a primeira focada em imagens do passado da capital mineira, tem hoje cerca de 37 mil seguidores, de todas as idades. A maioria, no entanto, se concentra na faixa dos 25 aos 35 anos. “Essa coisa de jovem não gostar de passado é balela. Eu mesmo tenho 31 anos e sempre me interessei em saber mais sobre coisas antigas. Além de resgatar a história, o objetivo desse projeto é que todo mundo possa ter acesso, porque está ali de graça para quem quiser ver. As pessoas gostam sim de saber sobre suas origens, como era antigamente. O problema é que não temos muita coisa pra cultuar a memória”, acredita.

RICO ACERVO
Na leva da comunidade de Leandro foram surgindo outras nas redes sociais, como a do geógrafo Alessandro Borsagli, a Curral del Rey.com. Na verdade, seu trabalho vem desde 2009, quando, por conta da profissão, percebeu que tinha um vasto material sobre o desenvolvimento da cidade. “Eu vi que não existia praticamente nada que retratasse o passado de BH e aí criei um site e um blog destinados a promover a discussão e a reflexão sobre seu processo de desenvolvimento urbano, desde o Arraial do Curral del Rey até os dias atuais, e que fosse ricamente ilustrado com imagens antigas e atuais da urbe mineira”, explica.

Desde o começo, Alessandro ficou impressionado com a repercussão, diz que já teve fotos com mais de 100 mil visualizações. Por isso, pelo menos no Facebook, faz questão de postar diariamente algumas das 12 mil imagens de seu acervo. Como em outras comunidades, muitas foram garimpadas em blogs, sites, arquivos de instituições, de revistas e jornais, como o próprio Estado de Minas, e são de autoria de nomes importantes da fotografia mineira, como Gines Gea Ribera, Igino Bonfioli, Wilson Baptista e José Góes, entre outros. “As mais complicadas de conseguir estão com os colecionadores e eles não cedem de jeito ne-nhum. Sou louco para ter uma fotografia de pessoas nadando no Arrudas, mas é muito difícil”, anseia o geógrafo, que vai lançar em breve o livro 'Rios invisíveis da metrópole mineira'.


Alessandro Borsagli lamenta as grandes mudanças que BH enfrentou ao longo dos anos, apesar de saber que é um processo irreversível, mas acredita que tudo poderia ter sido de outra maneira. “O processo de desenvolvimento urbano foi feroz, e a gente vê isso pelas fotos. Ele é baseado na questão da especulação imobiliária, em decisões infelizes do poder público. A meu ver, a capital cresceu de forma equivocada, e isso prejudicou sobretudo a qualidade de vida. Nas fotos até a década de 1960, por exemplo, vemos tantos elementos naturais, como os rios, uma grande arborização, e infelizmente isso se perdeu”, desabafa.

Já na comunidade criada pelo designer gráfico Oades Farley, a BH antigamente, o diferencial é comparar um mesmo lugar em épocas dife-rentes. De acordo com ele, os registros que fazem mais sucesso são os da Praça Sete, do Viaduto de Santa Tereza e da Afonso Pena. “Os internautas adoram conferir o que mudou num determinado local, o que foi mantido. Os anos 1930 e 1940 também são bem comentados e revelam imagens belíssimas. Pena que BH não preservou muita coisa desse período”, lamenta.

 

 Fundação Getúlio Vargas / Divulgação
Inauguração do Viaduto de Santa Tereza, em 1929 (foto: Fundação Getúlio Vargas / Divulgação)

 

PRIMEIROS ANOS
No geral, os criadores das páginas asseguram que a capital mineira tem realmente muitos registros de sua história, mesmo na época quando ainda era um arraial. No entanto, dos primeiros anos como cidade há pouquíssimos retratos. “A comissão construtora da nova capital tirou muitas fotos antes de destruí-lo e muitas até de qualidade. Porém, o início de BH tem muito pouco e eu, particularmente, queria muito ter. Mesmo com essa lacuna, é possível fazer sim um passeio pela história da nossa cidade por meio da fotografia”, destaca o professor Leandro Damasceno.



PÁGINAS NO FACE
» Fotos antigas BH
» Curral del Rey
» BH antigamente

SITES E BLOGS
» www.curraldelrey.com
» www.curraldelrei.blogspot.com.br
» www.duniverso.com.br/fotos-da-antiga-belo-horizonte-de-volta-ao-passado
» bhnostalgia.blogspot.com.br

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE E-MAIS