Eriberto Leão traz Jim Morrison a Belo Horizonte

Peça em cartaz no Teatro Bradesco relembra os ideais do líder da banda The Doors, ícone do rock e da música libertária dos anos 1960

por Ana Clara Brant 25/09/2015 07:00

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Humberto Araújo/divulgação
Ex-roqueiro, Eriberto Leão canta, sabe tocar guitarra e já teve banda (foto: Humberto Araújo/divulgação)

Se Eriberto Leão pudesse resumir em uma palavra o pop star Jim Morrison – o líder da banda The Doors que morreu aos 27 anos, em 1971 –, certamente ela seria "inteligência". Ao longo de dois anos na pele daquele que é considerado um dos ícones do rock, o ator paulista, de 43 anos, diz que apesar de o personagem e o trabalho exigirem muito dele, a magia e o prazer de estar no palco superam tudo.

 

“Já tinha o desejo de fazer um espetáculo homenageando o Jim há muito tempo. Aos 17 anos, quando descobri sua poesia, passei a ler os mestres que o influenciaram, sobretudo os poetas malditos. Isso formou toda a minha bagagem literária”, revela.

 

Eriberto descobriu a contracultura graças a William Blake (poeta e pintor britânico) e a Aldous Huxley – de cujo livro, 'As portas da percepção', surgiu o nome da banda de Morrison. “Depois de ter contato com esses pensadores, passei a ver as coisas com mais amplitude. Isso se intensificou mais ainda quando mergulhei na obra do The Doors”, acrescenta.

 

No fim de semana, o musical 'Jim – A poesia de uma lenda do rock' chega a Belo Horizonte para duas apresentações: nesta sexta-feira (25/9) e no sábado (26/9), no Teatro Bradesco. “Pra mim, é uma grande honra estar na terra do Max Cavalera, figura que me inspirou bastante, e na da Babaya, que me ensinou a cantar”, afirma o ator, referindo-se ao fundador da banda Sepultura e à preparadora vocal mineira.

 

REVÓLVER

 

Na peça, o personagem João Mota, que nunca viu Jim Morrison, mas segue à risca as ideias do ídolo, vê-se com um revólver na mão. Eis que surge Morrison e a partir daí a trama se desenrola. Eriberto faz o papel do fã e do pop star. Renata Guida representa o feminino de diversas formas – como Pamela Morrison (mulher de Jim), a esposa de João Mota e ainda como Mãe Terra, conceito arquetípico da força criadora universal.

 

Quando o musical estreou, ocorriam as manifestações de junho de 2013. Eriberto conta que 'Jim' foi acompanhando a trajetória do país. “Como a produção era encenada no Teatro do Leblon, perto do local onde ocorriam protestos e até barricadas, muita gente custou a chegar. O Leblon estava literalmente pegando fogo”, recorda.

 

Tudo aquilo que aconteceu no Brasil naquele momento foi uma tentativa de mudança. Jim Morrison fala justamente disso, de recriar o mundo. Porém, agora o espetáculo está mais amoroso, meu Jim está buscando unir as pessoas. Acho que isso vale para o nosso dia a dia. Foi-se o tempo de manifestações viscerais. Temos que ter mais amor pra tudo”, opina.

 

Com texto de Walter Daguerre e direção de Paulo Moraes, Eriberto Leão e Renata Guida são acompanhados no palco pelos músicos Zé Luiz Zambianchi (teclado), Felipe Barão (guitarra) e Rorato (bateria). A direção musical é de Ricco Vianna. O ator interpreta 11 canções do The Doors, como os clássicos 'Light my fire', 'The end' e 'Rides on the storm'.

 

 

A música sempre esteve presente na vida de Eriberto Leão. Ele canta, toca violão e guitarra e teve uma banda de rock com Gastão Moreira, ex-apresentador da MTV. Ela se chamava Hip Monster. O ator participou de musicais como 'Ventania', do diretor mineiro Gabriel Villela. “Aliás, acho que meu grande laço com Minas Gerais é justamente o Gabriel. Adoro Minas. É o retrato do Brasil”, afirma.

 

O ator, que acaba de fazer 'Malhação', prepara-se para a próxima novela das 18h da TV Globo, Candinho, de Walcyr Carrasco. Antes, ele quer levar 'Jim' a outras cidades. Nos próximos dias, apresenta-se em Goiânia (GO) e Vitória (ES). “Nosso trabalho é minucioso; não dá para ressuscitar uma pessoa mais ou menos, pois tem muitos detalhes envolvidos. Não foram apenas dois meses de ensaios, mas uma vida inteira conectado à banda que considero a melhor de todos os tempos. Além do rock, The Doors transita pelo folk, jazz e até pela bossa nova. Mas o maior presente é ver os fãs do Morrison enlouquecidos no teatro. Isso vale demais”, celebra.

 

Amante da leitura desde criança e filho de uma professora de literatura, Eriberto Leão diz que nossos mestres – cita Darcy Ribeiro, Gilberto Freyre, Jorge Mautner e Raul Seixas – têm respostas para tudo. Um dos aspectos que mais o impressionam em Jim Morrison é o fato de ele ter sido um leitor voraz. “Além de ter Q.I. altíssimo, ele lia praticamente um livro por dia. Quem vai assistir à nossa peça acaba sacando novas coisas. Quem não conhece, se interessa pelo viés intelectual dele e, consequentemente, pela literatura”, observa.

 

DOM PEDRO II

 

Seu livro de cabeceira atualmente é 'O imperador cidadão', sobre dom Pedro II, do brasilianista Roderick Barman. Eriberto afirma estar completamente apaixonado pelo monarca que assumiu o trono aos 15 anos. “Dom Pedro II chegou a ser considerado como o mais sábio de todos os reis. Ele tinha uma máxima que vale mais do que nunca para os dias de hoje: um governante nunca deve pensar em enriquecer. Era um homem extremamente sensato. Atualmente, no Brasil, vivemos uma disputa inócua e um radicalismo que não levam a nada. O caminho está na sabedoria, e não na agressão. Acredito nisso”, conclui.

 

O musical será apresentado nesta sexta-feira (dia 25) e no sábado (dia 26), às 21h, no Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). A inteira custa R$ 60 (plateia 1) e R$ 50 (plateia 2). Informações: (31) 3516-1360. Sábado (dia 26), às 17h, Eriberto Leão participa de bate-papo com os críticos Rodrigo James e Marcos Kacowicz sobre o legado de Jim Morrison. A entrada é franca. Serão sorteadas duas cortesias para o espetáculo.



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