Artistas participam de debate em BH sobre a importância da arte

Criola, Leda Gontijo, Mário Zavagli e Paulo Laender estarão presentes em evento que acontece na quinta-feira, com mediação de Carlos Wolney

por Ana Clara Brant 22/09/2015 08:00

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Jair Amaral/EM/D.A Press
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
O que move a arte? Esse deverá ser o norte do segundo debate do ciclo de seminários Arte É Preciso, promovido pelo Estado de Minas, que ocorre nesta quinta-feira, às 19h30, no Espaço Cultural do jornal. O ciclo terá um total de quatro encontros em torno da importância da arte, sempre às quintas-feiras. A entrada é franca ao público, mediante inscrição prévia.

As inscrições para o seminário da próxima quinta se encerram hoje. Podem ser feitas via e-mail jornada@uai.com.br. Participam desta segunda mesa de debate o escultor e arquiteto Paulo Laender; o artista plástico, aquarelista, professor de pintura e desenho Mário Zavagli; a escultora, pintora, ceramista e uma das primeiras alunas de Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) Leda Gontijo, e a grafiteira belo-horizontina Tainá Lima, a Criola. A mediação será do artista plástico, gravador, pintor, desenhista, professor e vice-diretor da Escola Guignard, Carlos Wolney. Haverá transmissão simultânea pelo Portal UAI (www.uai.com.br) e pelo site do EM (www.em.com.br).

Um dos principais nomes da aquarela no Brasil, Mário Zavagli considera positiva a iniciativa de realização dos seminários, já que, segundo aponta, é cada vez mais raro o debate sobre a arte, sobretudo as artes plásticas. Zavagli lembra que, no passado, a cidade fervilhava com salões de arte e outros eventos. “Tinha muita coisa acontecendo, muito mais galerias e o movimento era bem maior. Acho formidável a gente retomar isso. As artes plásticas acabaram se tornando um pouco espetaculosas, e não só no Brasil, mas no mundo inteiro”, afirma.

Na mesa da próxima quinta-feira, Zavagli, assim como os demais convidados, falará sobre sua trajetória, sua formação e seu processo criativo. Ele iniciou a carreira como pintor. Mais tarde, ganhou prêmios em diversos salões, com desenhos em preto e branco, produções dramáticas dos anos 1970, alusivas à atmosfera pesada da ditadura militar. “Seja a pintura, a gravura ou o desenho, gosto muito da imagem em si. Mas, para falar a verdade, todo tipo de linguagem desperta meu interesse; instalações, performances”, diz.

Paulo Laender tem opinião semelhante à de Zavagli. Ele avalia que as artes atravessam um período de queda de visibilidade. “Estamos num momento de muito obscurantismo, em vários aspectos, e a cultura é uma coisa que no Brasil se perdeu bastante nos últimos tempos. Até a década de 1990, havia uma intensidade grande na vida cultural. Só para você ter ideia, eu expunha duas a três vezes fora do país e mantinha mostras anuais no Rio de Janeiro e em São Paulo. Apesar de não termos naquela época uma economia nem um mercado tão fortes como hoje, a gente movimentava muito mais.”

FRAGILIDADE

Laender avalia que a produção de arte contemporânea também não está numa boa fase, marcada pela repetição e falta de renovação. “O momento atual da arte está muito frágil. Mas não sou pessimista, porque vivo de arte e não conseguiria fazer outra coisa, não só pelos aspectos profissional ou financeiro, mas sobretudo pelos aspectos espiritual e filosófico”, afirma.

Já a centenária artista Leda Gontijo (que seguiu os passos da mãe, que era pintora acadêmica) avalia que é necessário impulsionar a discussão em torno da arte. “Nosso povo tem tantas qualidades e justamente com essa coisa da arte temos poucos eventos e pouca divulgação. E olha que temos representantes bem relevantes e de tanta história na área, desde o Aleijadinho, passando pelo Guignard, que fez seu nome aqui. O mineiro é bastante fechado, por isso só tenho que celebrar um seminário”, diz.

Em 8 de março de 2016, às vésperas do 101º aniversário de Leda, comemorado no dia 12/3, será inaugurada uma exposição retrospectiva da artista, com curadoria do produtor de eventos Paulo Rossi, na Galeria do Minas I. A artista, que nasceu em Juiz de Fora em 1915, e mora há três décadas em Lagoa Santa, na região metropolitana, não se imagina fazendo outra coisa na vida. Desde menina, gostava de fazer os próprios brinquedos e, ao longo do tempo, foi desenvolvendo seu dom e sua criatividade.

“Minha família é toda de artistas de várias áreas – pintura, literatura, música. Acabei me enveredando mais para a escultura e não sou presa a uma arte determinada. Faço o clássico, o barroco, o moderno, trabalho com madeira, pedra-sabão, marmorite. Só não pode deixar de trabalhar”, enfatiza.

Paulo Rossi é o autor da ideia da realização do ciclo de seminários Arte É Preciso, antecedendo o leilão da Jornada Solidária, previsto para 10 de novembro. Todos os artistas e especialistas convidados para os encontros participam em benefício do programa social do Estado de Minas, que neste ano atende 11 creches comunitárias e um abrigo para crianças em situação de risco social.

SEMINÁRIO ARTE É PRECISO

Debate com Criola, Leda Gontijo, Mário Zavagli e Paulo Laender. Mediação de Carlos Wolney.
Quinta, às 19h30
Espaço Cultural do Estado de Minas (Av. Getúlio Vargas, 291, Funcionários).
Entrada franca mediante apresentação de convite.
Credenciamento pelo e-mail jornada@uai.com.br.
Informações: (31) 3263-5700, das 9h30 às 12h e das 14h30 às 18h.

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