Em BH, peça inspirada em 'Frankenstein' reflete sobre repúdio ao ''esquisito''

Em 'Monstrum', Fáustica Companhia usa criatura fantástica para tratar de rejeição e discriminação ao que foge da norma

por Bossuet Alvim 27/08/2015 16:08

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Fáustica Companhia/Divulgação
''O estranho, o esquisito, o exótico, o discriminado, são essas as figuras que mais me atraem e me sensibilizam'', declara a diretora e dramaturga Cynthia Paulino (foto: Fáustica Companhia/Divulgação)
Já um senhor de 197 anos, o monstro de Frankenstein ainda conquista gerações do alto do posto de clássico da literatura mundial. Na capital mineira, jovens formados pela Escola de Teatro da PUC entram em cartaz com 'Monstrum', adaptação livre da obra publicada por Mary Shelley em 1818. Sob o olhar da Fáustica Companhia, a história do Doutor Victor Frankenstein e sua criatura hedionda ganha acréscimos de cultura pop, diálogos com autores como Lord Byron e referências de outras fontes mitológicas.

 

"Desde criança sempre fui fascinada por estórias de terror, e o Monstro de Frankenstein era e ainda é um dos meus favoritos", conta Cynthia Paulino, que assina direção e dramaturgia do espetáculo. Criado das partes de cadáveres e perseguido por humanos, o fruto da loucura de Frankenstein é apontado como ícone do terror, mas está sujeito a diversas interpretações. "Sempre me passou uma impressão muito mais de fragilidade do que de horror", observa a diretora.

 

A leitura de 'Monstrum', portanto, abre espaço para interpretações menos formais do que as apresentadas no cinema, por exemplo. A história serve, garante Cynthia, como ponto de partida para reflexões sobre nossos tempos. "O mundo está a cada dia mais e mais refém da ‘Matrix’. Compramos, vendemos e vivemos aparências, rejeitamos e somos rejeitados pela primeira impressão. Se você lê o romance, entende que o cientista é muito mais vilão do que seu experimento", declara.

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Sofrimento da criatura transmite ''uma impressão muito mais de fragilidade do que de horror'' (foto: Fáustica Companhia/Divulgação)
Tratado como aberração por seus pretensos pares, o monstro criado por Frankenstein se depara com rejeição em todas as etapas de sua saga. A despeito dos sustos ou da narrativa épica, é um estudo do repúdio à feiúra do monstro que motiva a peça da Fáustica Companhia.

 

"O estranho, o esquisito, o exótico, o discriminado, são essas as figuras que mais me atraem e me sensibilizam porque são - quase sempre - mais profundas e interessantes", explica a diretora. "Me interessa estar entre aqueles que se questionam, que encontram sua qualidade por baixo da camada medíocre e tão valorizada da normalidade". 

 

'Monstrum'
Adaptação de 'Frankenstein ou O Prometeu moderno', de Mary Shelley, pela Fáustica Companhia.

Sexta-feira e sábado, 28 e 29 de agosto, às 21h; domingo, 30, às 20h. Funarte (Rua Januária, 68 - Floresta). Ingressos a R$ 10 e R$ 5. Informações: (31) 3213-3084.



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