Festival literário vai reunir 60 escritores em Araxá

Evento comemora os 50 anos de carreira da gaúcha Lya Luft. Programação de eventos aproxima o leitor de seus autores preferidos

por Ana Clara Brant 24/08/2015 07:30

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Edilson Rodrigues/CB/D.A Press
Lya Luft diz que ficou feliz em festejar meio século de ofício junto de escritores e amigos (foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press)
A escritora gaúcha Lya Luft, de 76 anos, completou meio século de carreira. Avessa a homenagens, ela nunca se importou com efemérides. Na verdade, o início de sua trajetória ocorreu em 1964, com o lançamento de Canções de limiar, pequeno livro de poemas. “Pois é, foi no ano passado, mas não dei bola e ninguém deu. Não sou ligada a formalidades”, revela, aos risos. Mas como nunca é tarde para comemorar, Lya será a autora homenageada no 4º Festival Literário de Araxá (Fliaraxá), que vai de quarta-feira a domingo. Cerca de 60 autores passarão pela cidade mineira.


Com cerca de 30 livros publicados, a premiada autora vai falar sobre sua obra em um momento especial, no sábado, em mesa que terá a participação da amiga Nélida Piñon, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL). Lya também vai entregar o Prêmio Fliaraxá Literatura nas Escolas aos vencedores do  concurso de redação voltado para jovens de 7 a 18 anos.

“Achei muito simpático esse tributo. Sou amiga fiel do Afonso Borges (curador do Fliaraxá) e, embora não ligue muito para homenagens, essa me alegra. Estou feliz em encontrar gente querida como Nélida, Miriam Leitão, Marina Colasanti e Affonso Romano, entre outros. Gosto muito de Minas, onde tenho ótimo público”, diz Lya. O marido dela, Vicente de Britto Pereira, também participará de mesa-redonda sobre seu livro, Ensaios sobre a embriaguez. “Vai ser melhor ainda!”, festeja a gaúcha, que estreia no Fliaraxá.

Um dos eventos literários mais importantes do estado, o festival chama a atenção do país. Com entrada franca, programou debates, oficinas, palestras, lançamentos, exposição fotográfica, concurso literário e apresentações teatrais. “O evento já está consolidado. Se pudesse, nem colocaria o nome de festival, mas de seminário, curso, palestra ou até de universidade do livro. São quatro dias e, de hora em hora, você tem a oportunidade de estar diante de pessoas que admira, grandes pensadores, figuras com histórias sensacionais. Mais do que festa, o Fliaraxá é uma possibilidade de aprendizado, uma experiência ímpar”, afirma o curador Afonso Borges.

Outro destaque da edição deste ano é Mauricio de Sousa, que completa 80 anos em outubro. Além de fazer palestra, o cartunista e criador da Turma da Mônica vai participar de sessão de autógrafos para a criançada.

PORTUGAL A integração com Portugal e a língua portuguesa é um dos motes do festival. Por isso, estará em Araxá um dos principais biógrafos de Fernando Pessoa, o pernambucano José Paulo Cavalcanti Filho. Entre os convidados estrangeiros estão o português Gonçalo Tavares, com livros traduzidos em vários países, que ministrará oficina, e o jornalista, tradutor e escritor argentino Leopoldo Brizuela, autor de Uma mesma noite. Ele vai dividir mesa de debates com o brasileiro Bernardo Carvalho, que escreveu Nove noites.

A lista de convidados inclui Marçal Aquino, Fernando Bonassi, Santiago Nazarian, Xico Sá, Carlos de Brito e Mello, Sérgio Abranches, Francisco Azevedo, Mary del Priore, Frei Betto, Marina Colasanti e Luiz Ruffato, encarregado de ministrar oficina de microcontos. Sem contar as badaladas autoras da literatura juvenil brasileira: Paula Pimenta, Thalita Rebouças, Bruna Vieira e Babi Dewet.

DA TERRA O festival não se esqueceu de sua sede. Aproveitando os 150 anos de Araxá, celebrados em 2015, e os 50 da Academia Araxaense de Letras, a terra de Dona Beja será contemplada com lançamento de livros de autores locais e rodas de conversa com os araxaenses Leila Ferreira, Dirceu Ferreira, Canarinho e Odone.

“A adesão da população é um aspecto muito positivo. Não adianta fazer festival só turístico, ele tem de atingir o local onde é realizado. Desde o começo, Araxá nos recebeu muito bem”, diz Afonso Borges. Em 2016, o homenageado será o escritor Milton Hatoum.

A parceria da literatura com o teatro é outro destaque. Serão apresentadas as peças Mineiramente (Ponto de Partida), A máquina de fazer espanhóis (de Cláudio Dias, fundador da Cia. Luna Lunera), A alma imoral (com Clarice Niskier) e Armatrux – a banda.

Três perguntas para

Lya Luft, Escritora

Que balanço você faz de seus 50 anos de carreira? Quais são os planos para o resto do ano?
Muito trabalho, muito prazer, muita sorte, muitas alegrias. É este o balanço. Sai em setembro um livro dando minha visão do momento confuso e preocupante do Brasil: Paisagem brasileira, pela Editora Record. É quase uma crônica alongada. De resto, meu plano é ficar quieta em Porto Alegre ou em Gramado, aqui no Rio Grande do Sul, onde temos uma casa, escrevendo quando tiver alguma ideia, pintando, lendo, curtindo os amigos, a família e o marido.

Você se dedica a vários gêneros: poesia, romance, crônica, ensaio, tradução e literatura infantil. Qual deles te dá mais prazer?
Muitos escritores giram entre vários gêneros. Clarice, por exemplo, escreveu ficção e crônica, entre outras coisas. Para mim, é apenas natural: escrevo o que me dá vontade na hora. Não sou nada complicada. Mas, no fundo, acho que sou mesmo é ficcionista. Até nas minhas telas, porque também pinto, sei que conto histórias.

Você vai participar de mesa com Miriam Leitão e Marina Colasanti sobre a aventura de escrever para crianças. Qual é o maior desafio de lançar livros para esse público?
Acho que vou te decepcionar, mas não encaro como desafio e nem me custou qualquer esforço fazer livros para criança. Foi apenas botar no papel histórias que inventava para as minhas netas. E me diverti imensamente.

4º FLIARAXÁ
De quarta-feira a domingo, na Fundação Cultural Calmon Barreto, em Araxá. Programação completa: www.fliaraxa.com.br

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