Ao longo de sua história, Corpo teve 106 bailarinos até hoje

Passagem pelo grupo representou salto na carreira de profissionais que se lembram com carinho de sua trajetória na companhia

por Helvécio Carlos 02/08/2015 10:30

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JOSÉ LUIZ PEDERNEIRAS/Corpo
Bailarinos do Corpo dançam a coreografia Nazareth (1993) (foto: JOSÉ LUIZ PEDERNEIRAS/Corpo)

Em 40 anos de história, 106 bailarinos rodaram o mundo com o Grupo Corpo. Alguns – como Macau, Míriam Pederneiras, Cristina Castilho, Paulinha Cançado – continuam trabalhando na companhia em funções técnicas ou administrativas. Outros seguiram novos rumos.


Diogo de Lima passou oito anos com o grupo em duas fases, entre 1999 e 2007, quando recebeu um convite tentador. A Tulane University, de New Orleans, convidou o bailarino para desenvolver um curso integrado à faculdade de dança. “O engraçado é que, sempre que voltava ao Brasil para visitar a companhia, acabava entrando em cena para dançar, substituindo um bailarino que se machucava justamente quando eu chegava”, relembra.


Hoje, além de ser professor na faculdade, Diogo trabalha como coreógrafo residente da Marigny Opera Ballet e do New Orleans Ballet Theatre. “Eu me aventuro ainda coreografando e atuando em filmes e comerciais”, diz ele, que já contracenou com James Franco em comercial da Gucci.


Diogo entrou para o Corpo aos 18 anos. “Um pouco imaturo”, como reconhece. “Aprendi muito durante esse tempo, especialmente com a Macau, o Tio (ele se refere a Rodrigo Pederneiras como Tio) e o Paulo. Eles são peças fundamentais na minha formação como bailarino e como pessoa”, afirma, com respeito e gratidão. “O Grupo Corpo é definitivamente minha segunda família no Brasil e sempre tenho muitas saudades de todos”, diz ele, que pretende ver o espetáculo comemorativo dos 40 anos da companhia em São Paulo.

AUDIÇÃO
O bailarino Werner Glik é de geração anterior à de Diogo de Lima, mas também tem boas lembranças dos tempos na companhia. “Minha formação profissional foi amadurecida no Corpo”, sintetiza ele que, no final dos anos 1990, enfrentou 170 candidatos para a única vaga masculina oferecida na audição. “Ainda não era um profissional, mas eles apostaram em meu potencial.” Werner cita como coreografias de destaque Canções, Prelúdios e 21.


A saída de Glik do Corpo foi forçada pela idade. “O trabalho aeróbico e físico é muito intenso. Com o passar do tempo, o organismo sente”, afirma. Longe da companhia, o bailarino atuou nos Estados Unidos como free lancer. Depois, foi para Paris, onde trabalhou na Maison de la Dance como host de companhias que, como o Corpo, faziam temporadas por lá. Hoje, atuando como empresário, ele comanda a Sebastião Eventos, em Macacos.


Um dos bailarinos mais representativos na história do Corpo, Rui Moreira também passou duas temporadas na companhia, de 1983 a 1986 e de 1990 a 2000. “Lembro-me de que alguém me disse que, naquela época, havia uma ótima companhia de dança em Belo Horizonte, que viajava o mundo inteiro”, conta o bem-humorado paulista. Rui saiu de São Paulo, enfrentou uma audição com 80 candidatos – “O que era muito para aquela época” – e foi aprovado.


Três anos depois retornou a São Paulo e, de lá, seguiu para a Europa. Retornou no final dos anos 1980 para se recuperar de uma torção no pé e, “admirando ainda mais o trabalho do Corpo”, voltou para a companhia, reestreando em A criação (1990).


“Aos 37 anos, meu corpo e meu pensamento se distanciavam dos projetos da companhia”, relembra, explicando sua saída. Fora do Corpo, Rui fez belos trabalhos, como Quilombos urbanos, com a Cia SeráQue?, e o espetáculo De uma margem à outra, na França. Hoje, mantém o projeto Rui Moreira Companhia de Dança. “Espaço para reciclar as minhas ideias de criador”, resume. Entre os espetáculos de que guarda as melhores lembranças, aponta Missa do orfanato, que tem coreografia de Rodrigo Pederneiras para música de Mozart. “Gostaria que todo o mundo soubesse dançar, só para dançar a Missa.”

 

PARCERIAS

A união do Corpo com a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais é um projeto acalentado por pelo menos um par de anos. “Eu, que sempre vivi em Belo Horizonte, sou completamente encantado por ela, pois, pela primeira vez, a cidade tem uma orquestra de excelência”, afirma Paulo Pederneiras. O maestro Fabio Mechetti, que também sonhava em trabalhar com a companhia de dança, ainda espera que, um dia, consiga conciliar as agendas para que a Filarmônica execute, ao vivo, a trilha do espetáculo Dança sinfônica, que estreia na próxima quarta, junto com a companhia. Depois de trabalhar com o Giramundo (com Pedro e o lobo) e o Corpo, o regente espera que a orquestra desenvolva um projeto com o Galpão.

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