Livro Tijucamérica mistura diferentes épocas, ficção e realidade no Rio

Obra faz homenagem ao América do Rio de Janeiro

por Cláudio Arreguy 01/08/2015 00:13

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FOX KIDS/AE/divulgação
José Trajano, comentarista de TV e autor do romance que convida o leitor a uma viagem (foto: FOX KIDS/AE/divulgação )
Que torcedor de futebol jamais compôs escalações de sonhos do time do coração? No campo da fantasia, a época não tem nenhuma importância, o jogador da década de 1950 pode tabelar com o dos anos 1960 e criar a jogada do gol do ídolo dos 1970. Valem a imaginação e, sobretudo, a devoção ao manto sagrado da paixão que o arrebatou ainda na infância. Em nome desse delírio atemporal, o jornalista esportivo José Trajano, carioca radicado em São Paulo, foi preciso. Seu recém-lançado Tijucamérica – Uma chanchada fantasmagórica é um gol e tanto.

Ambientado na Tijuca, o bairro em que o autor foi criado, o romance relembra momentos marcantes de tijucanos das artes e das letras e oferece rico painel cultural e dos costumes da vida do Rio de Janeiro, temperada com bom humor, críticas às condutas dos cartolas e muito non-sense. A ideia central é não apenas resgatar a história do centenário América Futebol Clube, o simpático “segundo time” da preferência dos cariocas, mas também conquistar o grande título que ele persegue desde o Carioca de 1960, o primeiro do então Estado da Guanabara.

No papel dele mesmo, Trajano, “eleito” presidente da agremiação, arregimenta uma seleção de esotéricos, umbandistas e médiuns conhecidos, como o mineiro Zé Arigó. O heterogêneo grupo é encarregado de reunir, tirando da aposentadoria ou via reencarnação, 25 ídolos do passado americano, dirigentes (como o antigo presidente do clube e da CBF Giulite Coutinho) e comissão técnica completa. O treinador é o mineiro Martin Francisco, o criador do 4-2-4. Personagens como o compositor Lamartine Babo, torcedor da equipe e autor do hino dos principais clubes cariocas, também são ressuscitados.

O presidente-narrador decide inscrever o time dos mortos-vivos no Campeonato Carioca, sendo combatido pelos cartolas de outros clubes, da Federação do Rio e por entidades religiosas. Enquanto o estádio, no coração da Tijuca, é reconstruído, a equipe, já atração internacional e acompanhada pela imprensa de todo o mundo, atua nos demais campos da cidade. O devaneio rola solto, dentro e fora do gramado, entremeando ficção e realidade e transformando o simpático bairro numa espécie de Macondo tupiniquim.
“Como o América nos últimos tempos não ganha de ninguém e só dá tristeza, resolvi alegrar quem ainda traz o time da Tijuca no coração”, diz Trajano, na apresentação do livro.

O resultado do campeonato é previsível, dado o propósito do autor. Mas é uma diversão e tanto para o apreciador do futebol conferir as fichas técnicas dos jogos e as escalações das equipes. Tanto as do América, com Eduzinho (irmão de Zico), Luizinho, Pompeia, Bráulio, Canário e os mineiros Leônidas e Wilson Santos, entre outros, como as dos adversários, igualmente atemporais e em clima de déjà vu.

Com prefácio do tijucano Aldir Blanc, Tijucamérica, mais que tributo a um time e a um bairro tradicionais, é uma viagem. Uma busca ao passado mais saudoso em meio às agruras do presente, com ternura e acidez dividindo a cena com instantes realmente dignos de chanchada. Em tempos de desencanto com o futebol, os ecos de certo 7 a 1 ainda nos cutucando a alma e nos ferindo o orgulho, é prazeroso constatar que, no coração do torcedor, recorrer ao sonho, distribuir as recordações em campo e pôr a fantasia para jogar ainda batem um bolão.



TIJUCAMÉRICA – UMA
CHANCHADA FANTASMAGÓRICA

De José Trajano
Editora Paralela
230 páginas, R$ 24,90

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