'A costureira' traz a lendária mímica suíça Gardi Hutter a Belo Horizonte

Artista interpreta a palhaça Joana D'Arpo, que luta contra a manipulação de deusas mitológicas sobre seu destino em metáfora sobre a vida

por Ailton Magioli 30/07/2015 00:13

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Gardi Hutter/acervo pessoal
Já declarada ''tesouro nacional'' da Suíça, Gardi Hutter foi uma das primeiras mulheres a obter o reconhecimento do gênero mundialmente (foto: Gardi Hutter/acervo pessoal)
“Ser um clown hoje em dia é praticamente uma resistência contra o mundo”, diz a suíça Gardi Hutter, que, pela primeira vez em Belo Horizonte, apresenta nestas quinta e sexta, 30 e 31, no Grande Teatro do Sesc Palladium, o solo 'A costureira', em que interpreta a palhaça Joana d’Arpo. Ela argumenta que, enquanto os meios de comunicação se esforçam para deixar todos deprimidos e desesperados com a tragédia humana, o palhaço se ocupa de fazer dela motivo de riso.

“Digo que Joana é um corpo-máscara. Além do nariz vermelho, o corpo dela é um grande enchimento de espuma”, explica a artista, já declarada “tesouro nacional” da Suíça. Pioneira na área, Gardi Hutter foi uma das primeiras mulheres a obter o reconhecimento do gênero, mundialmente. Sua personagem já se transformou em boneca e marionete, além de estar entre as fantasias mais usadas pelos suíços durante o carnaval.

Como mulher, ela diz não ter sentido qualquer empecilho à sua atuação em área normalmente dominada pelos homens. “Fui muito bem recebida desde o início de minha carreira, pois acabei me tornando uma novidade”, justifica Gardi, lembrando que não havia outras palhaças, então. “Todos os teatros e programadores ficaram interessados em conhecer o meu trabalho”, acrescenta ela, dizendo ter se inspirado em mestres como Charles Chaplin, o Carlitos, e Buster Keaton para construir a carreira de sucesso.
Gardi Hutter/acervo pessoal
''Enquanto pessoas normais pegam caminhos retos e curtos para resolver as coisas, o palhaço pega o caminho mais sinuoso, comprido e demorado'', comenta artista suíça (foto: Gardi Hutter/acervo pessoal)
Cômico
A identificação com a personagem, garante a palhaça, está na figura humana, alguém que sempre busca vencer e superar obstáculos. “A diferença é que, enquanto pessoas normais pegam caminhos retos e curtos para resolver as coisas, o palhaço pega o caminho mais sinuoso, comprido e demorado. Essa é a sina dele: coisas simples se tornam complicadas e ele se atrapalha”, explica Gardi, salientando que a comédia é a base de todo o trabalho dela. “O cômico é quem revela de maneira jocosa o que há escondido na sociedade.”

A criação de 'A costureira' partiu do desejo de Gardi de montar um espetáculo no qual pudesse abordar a relação entre o destino e a morte como um divertido jogo da vida. O destino está ligado a fios e tesouras em várias mitologias, como as três deusas mitológicas do destino – a Moira (grega), a Parca (romana) e a Norne (nórdica). Enquanto a primeira gera o fio da vida, a segunda o mede e a terceira o corta. A mesa de costura, portanto, se torna o novo universo da palhaça Joana.

Uma bisbilhotada através de uma casa de botão é suficiente para descobri-lo: o fio de sua história se desenrola como seus rolos de tecidos. Os manequins estão ao seu redor e nem mesmo a morte é capaz de parar suas enormes tesouras.

 

Contudo, entre agulhas e carretéis, o destino dela pode bem perder o fio. Num inusitado golpe do destino, um grande abismo se abre dentro de sua caixa de costura. A roda da vida também faz parte do ateliê de Joana, gira ao redor da finitude do ser e da infinitude do jogo.

O espetáculo estreou em outubro de 2010 e, desde então, circulou por vários países da Europa, onde se tornou um dos destaques da mostra off do Festival de Avignon, na França, em 2012. Com mais de 30 anos de carreira, Gardi Hutter conquistou vários prêmios ao longo da trajetória de palhaça, mímica e atriz.

GARDI HUTTER EM A COSTUREIRA
Quinta e sexta-feira, 30 e 31 de julho, às 20h, no Grande Teatro do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro). Ingressos – Plateia I: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia); Plateia II: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia); Plateia III: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). Classificação: livre. Duração: 70 minutos. Informações: (31) 3270-8100.

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