Circo do Paraná apresenta artistas brasileiros e estrangeiros em BH

Com 60 integrantes, Circo Maximus se apresenta em Belo Horizonte até agosto reúne profissionais brasileiros e estrangeiros que se apaixonaram pelo picadeiro e amam a vida na estrada

por Ana Clara Brant 25/07/2015 00:13

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Euler Junior/EM/D.A.PRESS
A ucraniana Anastácia Polianska, o argentino Giovany La Fuente, o brasileiro Lorran Santiago, que fugiu com o circo m em Sergipe e os jovens Thalita e João Hélio Vieira (foto: Euler Junior/EM/D.A.PRESS)
 

O céu é de lona e o chão, de estrelas. Esse é o cenário da casa e do ganha-pão de Lorran Santiago, de 44 anos, do argentino Giovany La Fuente, de 36, de Thalita Vieira, de 12, da ucraniana Anastácia Polianska, de 23, e do pequeno João Hélio Vieira, de 7.

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Todos eles são filhos da “mãe de todas as artes”, o circo, e não se imaginam fazendo outra coisa a não ser entreter o público no picadeiro. “É a maior alegria que existe você estar aqui e receber o aplauso das pessoas, o sorriso de uma criança, de um velhinho ou de um adulto, até porque é uma das poucas opções de entretenimento que conseguem reunir e agradar a todas as gerações”, diz Anastácia, em um português excelente para quem vive há apenas dois anos no Brasil. Ela é equilibrista de prato, bailarina e ainda se apresenta com o bambolê.



A ucraniana é uma das 60 integrantes (entre artistas e técnicos) do Maximus, circo que tem base em Maringá, no Paraná, e instalou sua tenda no terreno anexo ao Piso 2 do Boulevard Shopping, em Santa Efigênia, onde fica até 17 de agosto, com apresentações diárias. Filha de professores de escola de circo, Anastácia conheceu há cinco anos o marido brasileiro e globista (um daqueles motoqueiros que se arriscam no globo da morte), num picadeiro da Alemanha. Hoje estão juntos na trupe paranaense. “A cada dia me apaixono mais pelo Brasil, sobretudo pela comida. Aprendi a fazer arroz, feijão, que adoro. Sempre olho as receitas na internet para cozinhar para o meu marido”, diz.


Outro estrangeiro que se encantou pelo Brasil é o argentino Giovany La Fuente, uma espécie de faz-tudo no Maximus. É globista, equilibrista, caraca maluco (uma espécie de palhaço sem maquiagem e dançarino) e trapezista. O hermano literalmente nasceu no picadeiro, já que sua mãe, também circense, teve o parto antecipado. “Vim ao mudo do lado de um camelo (risos). Naquela época, ainda havia animais no picadeiro e não deu tempo de ir para o hospital. Circo é uma coisa de sangue. Você tenta sair, mas não tem jeito. Ele te chama de volta”, afirma.

Foi durante uma das apresentações do Maximus pelo interior de São Paulo que ele conheceu sua atual mulher. Foi praticamente amor à primeira vista. “Ela estava na plateia e nos apaixonamos. Depois do espetáculo, fui descobrir que ela era filha de locutor circense e hoje ela também integra a trupe. Para você ver como essa arte é um ímã mesmo". O casal espera agora o primeiro filho.

Euler Junior/EM/D.A.PRESS
(foto: Euler Junior/EM/D.A.PRESS)


Artistas amam a vida na estrada

A vida nômade não parece ser problema para os astros e estrelas do picadeiro. Muito pelo contrário. Praticamente todo mês eles estão numa cidade diferente e contam com toda uma infraestrutura para isso. Muitos artistas são casados entre si e moram em trailers ou motorhomes – casas motorizadas com direito a cama, fogão, banheiro com chuveiro, TV de plasma e varanda com espreguiçadeira.

“Até churrasco a gente faz aqui. Moramos no trailer de fevereiro a novembro, porque é a época da temporada circense. Mas sabe que, quando chega dezembro e voltamos para casa, acabamos passando muito tempo também no trailer? A casa de verdade fica meio de lado. É costume”, conta Clodimar de Jesus Vieira, um dos administradores da Rede Maximus de circo.

Vieira é pai de Thalita, de 12 anos, bailarina que desde os 3 anos mostra seu talento na arena. A menina revela que se acostumou a mudar de escola mensalmente e que, embora seja complicado fazer amizades, ela não se importa de ter uma rotina nômade. “É a vida que minha família leva e eu também. Meus amigos são do circo. Alguns colegas do colégio me zoam porque sou circense e outros acham muito legal.”

Como os espetáculos costumam ser à noite, Thalita diz que tem aproveitado as folgas à tarde para passear no shopping próximo à tenda. “Tem gente que vai conhecer a cidade ou vai ensaiar. Cada um curte o seu tempo livre de um jeito”, conta a bailarina, cujo sonho mesmo é se aventurar no globo da morte. “Já me arrisco com a bicicleta lá dentro e, algum dia, estarei de moto”, garante.

Também da família Vieira, João Hélio, de 7, já aprontava no picadeiro aos 18 meses. Hoje ele é o palhaço Salaminho, nome de guerra que herdou do pai e do avô. O que o garoto mais gosta de fazer, além das típicas brincadeiras de palhaço, é viajar. “É muito legal cada hora estar num lugar. Já conheci muita cidade.”

O mágico e locutor Lorran Santiago, de 44, não só conheceu várias cidades, mas também muitos países por causa de sua atividade. De uma família de juristas, ele se apaixonou quando o circo apareceu em Aracaju (SE), sua cidade, e acabou fugindo com o grupo de artistas. “Eu tinha apenas 13 anos e foi a maior confusão. Até prenderam o dono do circo. Mas fiz um acordo com minha mãe. Assim que eu completasse o ensino médio, poderia escolher que caminho seguir”, recorda. Lorran já chegou a ser palhaço, rodou a América Latina com a trupe do ator mexicano Carlos Villagrán, o Kiko, do seriado Chaves, como locutor, mas seu fascínio sempre foi pela cartola. “Minha mágica é simples, pura, sem ficar criando grandes pirotecnias e ilusionismos. E assim é com o circo de uma maneira geral. Ele tem uma pureza e uma simplicidade que nenhuma arte tem. Por isso será eterno.”


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(foto: Euler Junior/EM/D.A.PRESS)


Garagens circenses

A partir deste sábado, Belo Horizonte recebe o projeto Garagens Periféricas, que promoverá quatro espetáculos circenses, gratuitos, na periferia da capital – participam os bairros Salgado Filho, Nova Cintra, Jardim América e São Cristóvão. Às 16h deste sábado, na garagem do Centro Cultural Salgado Filho (Rua Carmelita Prates da Silva, s/nº), a atração é A flauta que você me faz, fusão do circo e do teatro. Domingo, às 11h, em uma garagem na Rua Jornalista João Bosco, 26, Nova Cintra, apresenta-se o Circo Borandá. Haverá apresentações também nos dias 9/8 e 18/10. Informações: (31) 9485-4880/3504-3032 e pelo blog ateliedotitete.blogspot.com.br/p/garagens-perifericas.html.

CIRCO MAXIMUS

Até 17 de agosto, no espaço anexo ao Piso 2 do Boulevard Shopping (Av. dos Andradas, 3.000). De segunda a sexta, às 20h. Sábados, domingos e feriados, às 16h, 18h e  20h. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia e menores de 12 anos). Informações: (31) 2538-7438.

 

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(foto: Euler Junior/EM/D.A.PRESS)


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