Um ano sem Ariano: Adaptação de Auto da Compadecida para quadrinhos espera autorização

Jô Oliveira é o criador da primeira graphic novel brasileira com referências ao romance Pedra do reino

por Diário de Pernambuco 23/07/2015 11:34

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Jô Oliveira/Cortesia
Jô Oliveira já ilustrou mais de 60 livros infantis, voltados para a educação e promoção da leitura (foto: Jô Oliveira/Cortesia)
Criador da primeira graphic novel brasileira, A guerra do reino divino, uma obra cheia de referências ao romance Pedra do reino, o artista gráfico pernambucano alimenta o sonho antigo de adaptar Auto da Compadecida para HQ. Em janeiro de 2014, por intermédio do Diario, Ariano concedeu a autorização aguardada há muitos anos por Jô Oliveira.

Apesar disso, o projeto não conseguiu avançar devido a entraves após a morte do escritor. Segundo o ilustrador radicado em Brasília, a família de Ariano não deu novas respostas. Consultado pela reportagem, Dantas Suassuna explicou que há muitos pedidos para serem avaliados. “Estamos segurando essas autorizações porque, para nós, ainda é muito recente a ‘ida’ de papai. Algumas questões vão ser resolvidas depois”.

Jô Oliveira já ilustrou mais de 60 livros infantis, voltados para a educação e promoção da leitura. Futuramente, ele planeja adaptar Ariano Suassuna para crianças, assim como fez com obras de Shakespeare. “É possível transformar a história para o público infantil ter acesso ao texto de uma maneira menos pretensiosa, mas que desenvolva o gosto pela obra. Quando lido com o texto, utilizo desenhos narrativos, acoplados com a história. Tenho visão de educador”. 

"A transposição entre plataformas é outra linguagem. Não há perigo algum. Quando você transpõe a literatura de Ariano para os quadrinhos, aquilo não é mais Ariano. É somente uma literatura perpassada pela imagem, pelo desenho. Pouco importa quem será o roteirista, se o próprio Ariano, se outro alguém, porque é algo novo, um outro estabelecimento de olhar. Não há essa história careta, ultrapassada de que vai "trair a obra".

Desde sempre a obra de arte serviu de base para outras obras de arte, outras linguagens. Ariano já é tão louvado, que não corre nenhum risco, assim como não correm riscos o ilustrador e a nossa cultura”. 
João Denys - diretor de teatro 

"Nada mais natural do que essa adaptação. Até me surpreende que só venha surgir agora. Há pelo menos oito anos, começou um movimento de levar obras consideradas clássicas para os quadrinhos, entre elas muitos contos de Machado de Assis. 

Naquela época, li alguns quadrinhos e notei que eles pecavam por serem muito fiéis ao texto original. No caso de O auto da Compadecida, por ser uma peça de teatro, acho que vai funcionar. Não precisa manter um "perfeito respeito" com a obra. Além do mais, é basicamente construída em diálogos, sem tanta descrição de cenários. Talvez seja mais fácil".
Thiago Corrêa – crítico literário e editor da Revista Vacatussa


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