Cenas de 'Grande sertão: veredas' inspiram mostra 'Filigrana'

Exposição é fruto de trabalho de releitura do clássico de Guimarães Rosa pelo artista mineiro Willi de Carvalho

por Walter Sebastião 13/07/2015 09:56

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Ronaldo Alves de Oliveira/divulgação
Willi de Carvalho recriou cenas da obra de Guimarães Rosa (foto: Ronaldo Alves de Oliveira/divulgação )
A primeira vez que o artista plástico Willi de Carvalho leu 'Grande sertão: veredas', achou o romance difícil. “Li só por ler, já que todo mundo fazia isso”, observa. Mas ele voltou ao texto, desta vez prestando atenção na narrativa. “Descobri que a história tem tudo a ver comigo, que sou de Montes Claros. Guimarães Rosa não inventa nada, nós falamos daquele jeito”, garante.


Para Willi, as estrelas do romance são a escrita e os personagens. “Ambos maravilhosos. Ele (Rosa) mostra os sentimentos do povo sertanejo”, elogia. Duas caixas com cenas do 'Grande sertão...' foram criadas para a exposição em cartaz no Museu Casa Guimarães Rosa, em Cordisburgo, na Região Central do estado, terra natal do escritor. Willi exibe também um conjunto de peças com um tema caro à obra dele: festas populares.

Aos 49 anos, o artista mora e trabalha em Belo Horizonte. Já expôs no Museu do Folclore, na capital fluminense, e em galerias no Rio de Janeiro e em São Paulo. Também participou de coletiva que circulou pelo México, Espanha e Argentina, ganhou prêmio na Bienal Naif e atualmente apresenta mostra individual em Bruxelas, na Bélgica.

As obras do mineiro são construções tridimensionais de elaborado e delirante visual, criadas com preciosa atenção a detalhes ínfimos que se multiplicam por todo o espaço. Na origem de tudo, conta Willi, estão maquetes para cenários de teatro inventadas por ele quando era ator.

Suas primeiras peças eram cenas dentro de caixinhas de fósforos, a partir da sugestão do ator Hélio Leite. “Meu mestre”, diz. Colado na roupa de Leite, o objeto funcionava como cenário para contação de histórias. Posteriormente, ele passou a se dedicar a obras maiores.
Willi diz não se incomodar com rótulos. Com prudência, explica que seus trabalhos vêm tanto do que vivenciou em Montes Claros quanto do estudo (“não só na internet”) e da leitura. “Não sou primitivo, pode me chamar de artista popular brasileiro que está bom”, observa, com alguma ironia.

Todas as peças são desenhadas previamente, com direito à descrição dos elementos e o simbolismo deles. “O que faço tem algo de crônica sobre a cultura do povo. Preservo porque acho que ela vai acabar”, lamenta. Aliás, ele se considera “documental” no que refere a seus personagens, figurinos e adereços. “Ao longo do tempo, sinto que cresci no entendimento do fazer e da cultura popular”, resume, revelando que já mudou a cor de uma fita quando alguém lhe explicou que o tom não se adequava ao personagem. “Pra mim, quanto mais detalhes, mais rico de significados e sentimentos fica o trabalho”, conclui.

FILIGRANA
Objetos de Willi de Carvalho. Museu Casa Guimarães Rosa, Avenida Padre João, 443, Cordisburgo, (31) 3715-1425. Aberto de terça-feira a domingo, das 9h às 17h. Até 31 de setembro. Entrada franca. A exposição é parte da 27ª Semana Roseana.

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