BH celebra 150 anos de 'Alice no país das maravilhas' com atrações

Programação conta com mostra de quadrinhos, filmes e lançamento de edição especial da obra e sua continuação, 'Através do espelho'

por Ana Clara Brant 03/07/2015 09:24

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Alexandre Guzanshe/EM/D.A. PRESS
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. PRESS)
Foi num passeio de barco pelo Rio Tâmisa (Inglaterra), em 4 de julho de 1862, que surgiu um dos mais fascinantes e enigmáticos clássicos da literatura universal, 'Alice no país das maravilhas'. O reverendo, matemático, fotógrafo e escritor britânico Charles Lutwidge Dodgson, que assinava sob o pseudônimo Lewis Carroll, estava acompanhado das três filhas do reitor da Christ Church, Henry George Liddell, as meninas Alice, Lorina e Edith Liddell, com idades entre 8 e 13 anos.


Carroll entreteve as garotas contando, de improviso, uma história sobre uma menina chamada Alice que ia parar em mundo fantástico, após cair na toca de um coelho. Alice Liddell gostou tanto da história que pediu ao seu autor que a escrevesse. Três anos depois, em 4 de julho, Caroll lançou o livro, que encanta gerações desde então.

Nesse Sábado, Belo Horizonte celebra o aniversário de lançamento do livro com uma série de atividades sobre a obra e seu autor. Responsável pelo dia temático Carrollsday em BH, que está em sua sexta edição, a artista visual Beatriz Mom diz tratar-se de uma “iniciativa que envolve não só a literatura e a poesia nonsense, mas outras linguagens que dialogam com a história do livro, como artes plásticas, música, moda, cinema e intervenções”.

Neste ano haverá exposição de edições especiais de 'Alice no país das maravilhas', incluindo zines e quadrinhos, organizada por Diná Araújo, coordenadora da seção de obras raras da biblioteca da UFMG; uma mostra de filmes inspirados na obra de Carroll; a instalação de uma réplica do Momtabuleiro – objeto em escala humana criado por Beatriz com uma das 64 casas de espelho e outras tantas casas, que vão diminuindo de tamanho até que em uma delas caiba o tabuleiro todo.

A artista e realizadora convida o público a participar de uma partida de xadrez sem lógica predefinida, disponibilizando para o jogo peças criadas por ela, como os peões siameses, a rainha-na-torre, entre outras. Destaca-se na programação o lançamento de edição comemorativa da Editora Zahar, que reúne em um só volume 'Alice no país das maravilhas' e sua continuação, 'Através do espelho'.

As publicações foram ilustradas pela artista plástica e presidente da Sociedade Lewis Carroll do Brasil, Adriana Peliano, que fez intervenções com colagens nos desenhos originais de John Tenniel, ilustrador das primeiras edições dos livros de Carroll, somando a elas elementos de trabalhos de Dalí e Escher. “O que busquei foi um pensamento sobre a obra, e não descrever o que se passa na história. A imagem é um estopim para que a pessoa possa ver o que se passa além”, afirma. Haverá ainda leitura e oficina de ilustração, grand slam de poesia, a participação de uma Alice cosplay, entre outras ações.

Alexandre Guzanshe/EM/D.A. PRESS
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. PRESS)
ALICEMANIA
Beatriz Mom diz que se tornou uma ‘alicemaníaca’ ainda criança e que a pergunta feita pela lagarta à protagonista “Quem é você?” nunca saiu de sua cabeça. “Nem a própria Alice sabia mais quem ela era. É uma questão muito humana: quem somos de verdade. O livro é tão intrigante, curioso e provocativo que, a cada vez que o leio, descubro um ponto novo”, diz a coordenadora do Carrollsday. Ela anuncia que a edição 2016 usará o mote dos 60 anos de lançamento de 'Grande sertão: veredas', de Guimarães Rosa, para transportar a personagem para o sertão, no lugar da toca do coelho.

Já Adriana Peliano observa que a versão brasileira da Sociedade Lewis Carroll adota uma abordagem mais artística e menos teórica, diferentemente de suas contrapartes inglesa, norte-americana e japonesa. “Como boa parte dos nossos associados são artistas, nossos eventos são sempre voltados para esse lado, com intervenções, oficinas e colagens.”

Ao longo de mais de 20 anos pesquisando a história, Adriana diz que foi percebendo como ela permite múltiplas leituras e interpretações, corroborando a afirmação de Carroll segundo a qual “uma obra significa muito mais do que o autor quer dizer”. “'Alice' tem um caráter enigmático, paradoxal, além de trazer muito mais perguntas do que respostas. Quem ler do ponto de vista psicanalítico, por exemplo, vai ter uma interpretação; quem ler do ponto de vista da física quântica ou da matemática, vai ter outra. A riqueza desse livro é poder gerar visões e leituras diferentes tanto na arte como no pensamento”, analisa.

 

CURIOSIDADES

  • Acredita-se que alguns personagens do livro sejam baseados em pessoas da sociedade e da aristocracia inglesas. Há quem afirme que a rainha do País das maravilhas era a rainha Vitória.
  • A continuação de 'Alice no país das maravilhas', 'Através do espelho', foi lançada em 1871. As primeiras letras de cada estrofe do poema que encerra o livro formam o nome da menina.
  • A primeira edição do livro foi um fenômeno no Reino Unido e teve como fãs a rainha Vitória e o então garoto Oscar Wilde.
  • A tiragem inicial de 2 mil exemplares foi removida das prateleiras devido às reclamações do ilustrador John Tenniel sobre a qualidade da impressão. A segunda edição se esgotou rapidamente.

 

CARROLLSDAY 2015
Especial 150 anos de publicação de Alice no país das maravilhas. Sábado, das 10h às 18h, no Memorial Minas Gerais Vale (Praça da Liberdade, 640). Entrada franca. Classificação livre. Informações: (31) 3024-7768 e pelo Facebook.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE E-MAIS