Alunos do Palácio das Artes apresentam espetáculo 'A máquina de fazer espanhóis'

Peça de encerramento do curso profissionalizante em 2015, se passa dentro de um asilo

por Carolina Braga 03/07/2015 09:23

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Paulo Lacerda/Divulgação
Alunos do Palácio das Artes fazem teste final no palco (foto: Paulo Lacerda/Divulgação)

A busca por algo novo e as descobertas aos 80 anos são coisas imprescindíveis na opinião da turma de teatro profissionalizante do Centro de Formação Artística do Palácio das Artes (Cefart). Não perder o frescor é uma das mensagens de a máquina de fazer espanhóis, espetáculo de encerramento do curso profissionalizante em 2015. A peça se passa dentro de um asilo.

A direção da montagem é de Cláudio Dias, ator da Cia. Luna Lunera e que há 15 anos saía da mesma escola para formar o grupo responsável por montagens como Aqueles dois e Prazer, entre outras. Foi dele a ideia de se inspirar na literatura do escritor angolano – radicado em Portugal – Valter Hugo Mãe; a máquina de fazer espanhóis é uma livre adaptação.

 Assim como é característico da literatura de Valter Hugo Mãe, o título da peça se restringe a letras minúsculas. “Ele escreve tudo assim, como se fosse um fluxo de pensamento”, explica o diretor. “Ele dizia que você não sonha em maiúscula. É uma utopia pensar que as palavras e a sociedade têm que ter um lugar de igualdade. Cabe ao leitor sinalizar o que é importante.”

O espetáculo conta a história de Antônio Jorge da Silva, um barbeiro de 84 anos que, após perder a mulher, passa a viver em um asilo e a compartilhar com os novos companheiros memórias e reflexões sobre a vida. “Gostamos muito do texto, de como diz e toca as pessoas. Nos perguntamos como fazer personagens com mais de 65 anos sendo jovens”, comenta Dias, esclarecendo que os atores têm, em média, 20 anos.

Descobrir o corpo desses personagens foi um dos maiores desafios do elenco formado por Carolina Cândido, Babú Pereira, Diego Roberto, Éder Reis, Flor Barbosa, Natália Pereira, Marina Tadeu, Priscilla Zopelaro, Ramon Brant, Tom Castro e Vanessa Machado. “Fizemos um trabalho de investigação corporal. Como chegar a esse lugar sem ser caricato”, diz o encenador.

Segundo ele, como a montagem envolveu pelo menos seis meses de trabalho intenso, parte desse período foi dedicada ao estudo pormenorizado dos personagens. Isso favoreceu a homogeneidade do elenco, aspecto sempre delicado quando se trata de muita gente em cena – são 11 atores.

Como Cláudio Dias conta, a máquina de fazer espanhóis carrega referência explícita ao período de ditadura em Portugal, uma época de desesperança com o país. “Todo português sonhou um dia ser espanhol”, ressalta. Segundo ele, de certa forma, o espetáculo atualiza essa discussão.

Ao falar sobre a importância de se abrir ao novo conectada a um delicado período histórico, o diretor acredita que assim também desperta a reflexão sobre a onda de retrocesso que o mundo vive. “Voltam à tona questões que a gente achou que já haviam sido ultrapassadas. Resolvemos colocar uma lupa nesse lugar.”

A máquina de fazer espanhóis
Quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h. Sessão extra aos sábados, às 16h30. Teatro João Ceschiatti do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Entrada franca, com retirada de senhas uma hora antes de cada sessão. Até 19 de julho.
Informações: (31) 3236-7400.

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