Peça brinca com a Copa do Mundo e o traumático 7x1 da Seleção Brasileira

Espetáculo tragicômico estrelado por Alexandre Borges e Fioravante Almeida fica em cartaz nesta sexta e sábado em BH

por Walter Sebastião 19/06/2015 09:13

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Gisela Schogel/divulgação
GISELA SCHOGEL/DIVULGAÇÃO (foto: Gisela Schogel/divulgação)
Em 1974, um operário morreu de desgosto devido à derrota do Brasil para a Holanda na Copa do Mundo. O episódio foi o ponto de partida para a peça 'Muro de arrimo', do dramaturgo Carlos Queiroz Telles (1936-1993), montada em 20 países e traduzida para 12 idiomas. Em BH, o espectador verá a história de um modo diferente, ambientada antes do jogo Brasil e Alemanha, já sabendo do resultado da partida. Dirigido pelo ator Alexandre Borges, o espetáculo ficará em cartaz hoje e amanhã, no Teatro Bradesco.


Quem faz o papel do pedreiro Lucas, que apostou meio salário na vitória brasileira, é o ator Fioravante Almeida. “O que encanta em 'Muro de arrimo' é a paixão pelo futebol, sentimento coletivo dos brasileiros”, afirma Fioravante. Trata-se de um espetáculo tragicômico sobre um peão que tem de trabalhar exatamente na hora do jogo. “Ele é o Brasil. Tem poesia, é filho da esperança, que é de todos nós, de que as coisas vão melhorar e o país se desenvolver”, conta, observando que a profissão de Lucas poderia ser qualquer outra.

“Os pedreiros se tornaram os protagonistas da Copa do Mundo”, brinca o ator, referindo-se à polêmica de que os estádios não ficariam prontos antes do campeonato realizado no Brasil. Aliás, a peça é dedicada aos operários que morreram nas obras da Copa. “Lucas me encanta. Apesar da vida dura, consegue viver com leveza, alegria e sonhos”, observa.

O projeto nasceu da antiga amizade do ator com Alexandre Borges. Procurando algo que permitisse ao teatro dialogar com a temporada futebolística de 2014 e o clima que tomou conta do Brasil, a dupla chegou a Carlos Queiroz Telles. “É um texto bom de falar, fluente e com cadência”, elogia Fioravante. Encenar 'Muro de arrimo' em BH tem sabor especial, pois foi no Mineirão que o Brasil perdeu de 7 a 1 para os alemães. Inclusive, a capital mineira é citada no palco.

“O que me chama a atenção em 'Muro de arrimo' é a capacidade do brasileiro de ter esperança, de rir de si mesmo, apesar de viver momentos dos mais difíceis. É chavão dizer isso, mas é algo do nosso espírito”, observa o diretor Alexandre Borges. A peça é a segunda experiência do ator na direção. A primeira foi 'Uma pilha de pratos na cozinha', de Mário Bortolotto. “Busquei ritmos, nuances e estados de espírito diferentes para que tudo ficasse dinâmico”, explica.

“Diretor é um pouco técnico de futebol. Tem de motivar o jogador, fazê-lo acreditar no que não está vendo, tirar alguns vícios. E deve ter a generosidade, real, de querer que o outro brilhe e se supere”, conclui Alexandre Borges.

MURO DE ARRIMO
Teatro Bradesco, Rua da Bahia, 2.244, Lourdes, (31) 3516-1360. Sexta e sábado, às 20h. Ingressos: R$ 90 (inteira) e R$ 45 (meia-entrada).

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