Cai sigilo de carta de Mário de Andrade para Manuel Bandeira

Missiva do modernista para Manuel Bandeira, mantida inacessível a pedido da família do segundo, deve se tornar pública a partir desta quinta-feira. Decisão foi tomada com base na Lei de Acesso à Informação

por Estado de Minas 17/06/2015 08:30

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REPRODUÇÃO/A IMAGEM DE MARIO - FOTOBIOGRAFIA DE MARIO DE ANDRADE
O modernista Mário de Andrade trocou 15 cartas com Manuel Bandeira (foto: REPRODUÇÃO/A IMAGEM DE MARIO - FOTOBIOGRAFIA DE MARIO DE ANDRADE)
Uma carta do escritor Mário de Andrade (1883-1945) ao poeta Manuel Bandeira (1886-1968), mantida em sigilo desde 1978, quando foi doada pela família de Bandeira ao acervo da Fundação Casa de Rui Barbosa, em Botafogo, na zona sul do Rio, vai se tornar pública nesta quinta-feira. A ordem para divulgá-la foi dada pela Controladoria-Geral da União (CGU) no último dia 9, após processo com base na Lei de Acesso à Informação que se estendeu por quatro meses. Pesquisadores supõem que, no documento, Mário admita expressamente ser homossexual. A carta poderá ser vista pessoalmente, após agendamento pelo e-mail consulta.acervo@rb.gov.br.

A orientação sexual do autor de Macunaíma e um dos ícones do modernismo brasileiro é debatida há décadas. Embora o escritor tenha dado indícios de sua homossexualidade em outras cartas e em sua obra, como no conto Frederico Paciência, ele nunca falou publicamente sobre o tema. O teor da carta – uma das 15 trocadas entre os literatos entre 1928 e 1935 – não foi divulgado até hoje supostamente por ser o único documento em que ele abordava a homossexualidade.

A carta integra um conjunto de documentos e livros doados pela família de Bandeira à Casa de Rui Barbosa. Todos os demais objetos já estavam disponíveis para consulta pública.

Ligada ao MinC, a fundação é responsável pela preservação do acervo de Rui Barbosa e de escritores como Bandeira e Drummond.

O pedido que originou a ordem da CGU foi feito via Lei de Acesso à Informação em fevereiro pelo jornalista Marcelo Bortoloti, da revista Época.

A instituição relutava em liberar o acesso à carta por temer que sua abertura contra a vontade do herdeiro levasse futuros doadores a desistirem de ceder acervos.

Numa resposta à CGU, a instituição disse que a divulgação poderia causar “problemas para o trabalho sério que vem sendo desenvolvido por instituições que tratam os arquivos privados, bem como desavenças na relação de confiança estabelecida durante anos com os depositários de arquivos na FCRB”.

Pesquisadores temem que, a partir desse episódio, acervos importantes só sejam doados por colecionadores ou personalidades para entidades privadas, que não se submetem à Lei de Acesso à Informação.

Escritor, poeta, crítico literário, musicólogo, folclorista e ensaísta paulistano, Mário de Andrade escreveu seu primeiro livro, Há uma gota de sangue em cada poema, em 1917. Em 1922, participou da Semana de Arte Moderna e lançou Pauliceia desvairada. Entre suas obras também estão Amar, verbo intransitivo: idílio, Macunaíma e Belazarte. Mário dirigiu o Departamento de Cultura do município de São Paulo de 1935 a 1938, período em que planejou a Biblioteca Municipal. Com Rodrigo Melo Franco de Andrade, criou em 1936 o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Viveu no Rio de Janeiro de 1938 a 1941, quando foi professor de filosofia e história da arte na então Universidade do Distrito Federal, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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