Oficina analisa o legado histórico e político de Shakespeare

Para filósofo carioca Pedro Süssekind, que ministra a oficina, obra do britânico tem muito a ensinar ao homem contemporâneo

por Ana Clara Brant 08/06/2015 09:30

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Warner/divulgação
Cena de 'Ran', filme do diretor japonês Akira Kurosawa inspirado na tragédia shakespeariana 'Rei Lear' (foto: Warner/divulgação)
“Cada época pensa Shakespeare a seu modo”, afirma o filósofo carioca Pedro Süssekind, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), que chega nesta segunda a Belo Horizonte para ministrar oficina sobre o legado do bardo inglês. Quatro séculos depois de sua morte, o dramaturgo William Shakespeare continua atual. Em todo o mundo, seus textos são encenados no teatro, adaptados para o cinema e levados para a TV. Um exemplo dessa contemporaneidade é a versão de 'Romeu e Julieta' criada pelo Grupo Galpão, que projetou a trupe mineira internacionalmente e atrai multidões de espectadores.

“As peças de Shakespeare se mantiveram atuais ao longo do tempo. A obra dele não ficou datada, pois se abre para novas abordagens, interpretações, releituras e montagens. É uma obra inesgotável. No século 21, continuamos a nos identificar com os grandes conflitos humanos retratados ali”, afirma Süssekind. Até quarta-feira, ele comanda a oficina “Shakespeare e sua época”, promovida pelo projeto Letra em Cena, no Centro Cultural Minas Tênis Clube.

O interesse do filósofo pelo bardo começou na adolescência. Süssekind tinha 16 anos quando assistiu a filmes inspirados na obra de Shakespeare. 'Hamlet', de Laurence Olivier, Otelo, de Orson Welles, 'Macbeth', de Roman Polanski, e 'Romeu e Julieta', de Franco Zeffirelli, foram marcantes para sua formação, sem falar nas tragédias do cineasta japonês Akira Kurosawa: 'Ran' (adaptação de 'Rei Lear') e 'O trono manchado de sangue' (releitura de 'Macbeth').

“Conheci o teatro de Shakespeare no cinema. Os filmes me impressionaram muito, levando-me a ler algumas das peças dele, começando por 'Hamlet'. Passei a assistir às montagens teatrais todas as vezes que tinha oportunidade”, relembra. O interesse se manteve durante a faculdade de filosofia, especialmente devido às tragédias.

Pedro Süssekind conta que sempre volta a ler Shakespeare e a escrever sobre ele. “No doutorado, pesquisei a discussão sobre poética da tragédia e filosofia do trágico, tomando como ponto de partida um livro de Peter Szondi que traduzi, chamado 'Ensaio sobre o trágico'. Alguns anos depois, já como professor, essa pesquisa rendeu alguns cursos sobre o conceito shakespeariano de trágico. Também fiz um estudo sobre a recepção do dramaturgo na estética alemã do século 18 – que acabou virando livro em 2008, publicado com o título 'Shakespeare, o gênio original'”, conta.

CONEXÃO

A oficina em BH terá três enfoques: “A história – Shakespeare e o mundo clássico”, “A política – Uma visão cíclica do tempo” e “A filosofia – O pensamento da época de Shakespeare”.

Os temas têm conexão com peças escritas pelo bardo. Serão analisadas 'Antônio e Cleópatra', com o objetivo de debater o mundo clássico abordado pelo autor, além de discutir o teatro elisabetano e o Renascimento na Inglaterra; 'Ricardo III' e 'Henrique V', com enfoque na reflexão sobre a legitimidade do poder; e 'Hamlet', com destaque para o pensamento filosófico da época em que Shakespeare viveu.

“'Antônio e Cleópatra' é uma das peças romanas dele. Sua principal fonte é o livro 'Vidas paralelas', de Plutarco, o grande biógrafo e historiador da Antiguidade clássica. Vou comentá-la para discutir a importância da tradição clássica na Inglaterra dos séculos 16 e 17, mostrando como o dramaturgo se apropria da história clássica e a recria”, adianta Süssekind.

Ricardo III, por sua vez, é um dos grandes vilões maquiavelistas de Shakespeare, “um terrível estrategista político”, observa o filósofo. “Vou compará-lo a Henrique V para analisar a oposição entre o usurpador e o rei legítimo, e, com isso, a visão política apresentada nos dramas históricos”, explica Süssekind.

'Hamlet', claro, vai merecer atenção especial. “É a peça mais conhecida e talvez a mais complexa, a primeira das grandes tragédias escritas pelo dramaturgo no início do século 17. Meu comentário terá a intenção de apontar as principais referências filosóficas shakespearianas e o modo como ele as incorpora na criação teatral”, adianta Süssekind.

SHAKESPEARE E SUA ÉPOCA
Oficina ministrada pelo filósofo Pedro Süssekind. De segunda a quarta-feira, das 19h às 21h, na Sala Multimeios do Centro Cultural Minas Tênis Clube (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Preço: R$ 30 (um dia); R$ 40 (dois dias) e R$ 50 (três dias). A oficina é aberta a sócios e não sócios. Vendas somente na bilheteria. Informações: (31) 3516-1360.

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