Literatura infantojuvenil conta com nomes de grande sucesso

Embora o gênero continue atraindo novos escritores, profissionais ficam em segundo plano na atenção da crítica

por Ailton Magioli 25/05/2015 08:00

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Arte BH
(foto: Arte BH)
O descaso do Brasil pela criança leva a escritora Ruth Rocha a concluir que, mesmo representando um contingente que vende “um colosso”, a literatura infantojuvenil jamais vai ganhar o status daquela que é feita para o público adulto. “De vez em quando, 'O pequeno príncipe', que acaba de cair em domínio público, até aparece. Mas, em geral, somos ignorados”, diz a autora de, entre outros, Marcelo, marmelo, martelo, que soma 70 edições e 500 mil exemplares vendidos.

Stella Maris Rezende é outra campeã de vendas no segmento, cujo 'Sem medo de amar', atualmente fora de catálogo, já ultrapassou a marca de 800 mil exemplares vendidos. A autora diz que há um projeto de adaptação cinematográfica do best-seller e afirma que o ator e diretor Selton Mello também já manifestou interesse em filmar 'A mocinha do Mercado Central', no qual ele aparece como personagem.

Detentora de quatro prêmios Jabuti, Stella Maris lembra que seus livros sempre tiveram boa aceitação de mercado. Alguns foram adotados pelo Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), do Ministério da Educação (MEC), por meio do qual o governo federal adquire 800 mil exemplares para serem distribuídos em escolas públicas.

Presença frequente em feiras, salões e seminários, a escritora defende mais atenção ao trabalho dos professores, como grandes responsáveis pelo incentivo das crianças à leitura, ao lado dos pais. “Eles ganham muito mal”, diz, com conhecimento de causa, a professora aposentada. “Os professores são os nossos grandes guerreiros, que precisam ser mais valorizados.”

“Pátria educadora?”, interroga-se Ruth Rocha, para quem o lema do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff não passa de uma mentira. “Não há pátria educadora nenhuma”, diz, apontando o que classifica como “descaso vergonhoso” para com a área. Atualmente dedicada a uma coleção de livros didáticos, ao lado da também escritora Anna Flora Camargo Coelho, Ruth afirma não saber escrever para adultos e comemora o fato de 'Boi, boiada, boiadeiro', de sua autoria, estar de volta às livrarias, em sua oitava edição. O relançamento integra a série 'Palavras, muitas palavras', da Editora Salamandra.

TEXTO ENXUTO

Estreante no segmento com o infantojuvenil 'A florzinha bailarina', ilustrado por Ercília Fagundes Moura, o jornalista Samuel Soares Cunha afirma achar muito mais fácil escrever para o público jovem, bastando “enxugar o texto, que deverá ter poucas palavras para facilitar o entendimento da criança ou adolescente”. Com um romance inédito no prelo, o autor se mostra empolgado com o recente lançamento e anuncia ter fechado com a Via Comunicação Editora a proposta de uma coleção de mais 11 títulos, cuja temática principal será a natureza.

Em 'A florzinha bailarina', ele relata, de forma delicada e poética, a experiência do crescimento, perpassada por indagações características da infância diante do avanço do tempo. E em tempos de avanço tecnológico, a magia do livro de papel permanece atual, na avaliação do autor.

Na opinião de Fernanda Nia, que acaba de lançar o segundo volume de 'Como eu realmente... Passeios pelo lado meio esquisito da nossa imaginação', pela Editora Nemo, o público jovem brasileiro está cada vez mais ávido pela leitura. “Muitos estão descobrindo o universo das HQs agora”, diz ela. “O fato de HQs como as minhas oferecerem um apelo visual, com imagens coloridas, e, às vezes, proporcionarem uma leitura mais leve ou mais rápida, também é, sem dúvida, atraente para o leitor. Principalmente o mais jovem”, afirma.

Fernanda conta que decidiu publicar suas tirinhas a pedido de internautas que acompanham seu trabalho no site www.fernandania.com, desde 2011. Corrupção, intolerância e desrespeito aos direitos individuais são temas abordados por ela.

Já a estreante Renata Martins lança pela Editora Artesã o infantil 'O segredo da pérola mágica', por meio do qual busca despertar no leitor reflexões sobre autoconfiança. Para ela, a literatura pode colaborar na comunicação entre o adulto e a criança.

Aos jovens autores, a veterana Stella Maris Rezende recomenda “muita leitura, imaginação, paciência, habilidade e persistência”. “Na minha época, era mais difícil publicar. Hoje, os agentes literários estão aí para ajudar os jovens.”

PESQUISA

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) prevê para o mês que vem a divulgação de sua pesquisa anual do mercado livreiro. As duas pesquisas mais recentes (2013 e 2014) apontaram crescimento geral do setor e também do segmento infantojuvenil, apesar do sentimento de desânimo dos autores.

Ex-presidente e atual diretora da CBL, responsável por eventos como a Bienal Internacional do Livro, de
São Paulo, e o Prêmio Jabuti, Karine Pansa diz que o infantojuvenil continua como um segmento de mercado aquecido, apesar de não ser comparável aos denominados best-sellers adultos em termos de vendas. “Ainda assim, na última Bienal recebemos fenômenos do setor, como a norte-americana Cassandra Clare (autora da série 'Os instrumentos mortais') e a blogueira brasileira Bruna Vieira ('Depois dos quinze')”, diz.

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