Grupo de voluntários do Sesc cria trabalhos em bordado inspirados em Guimarães Rosa

Exposição que circula por cidades de Minas Gerais chega nesta sexta a Caeté

por Walter Sebastião 15/05/2015 10:53

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FOTOS: SESC/DIVULGAÇÃO
Trabalho exibido na mostra 'Minha vida é umbordado comGuimarães Rosa' (foto: FOTOS: SESC/DIVULGAÇÃO)
O livro 'Primeiras estórias' foi o ponto de partida para a realização dos 23 trabalhos que compõem a exposição 'Minha vida é um bordado com Guimarães Rosa', em cartaz a partir de hoje, no Museu Casa João Pinheiro e Israel Pinheiro, em Caeté (MG).

Os bordados, feitos entre 2012 e 2013, são de autoria de voluntários do programa Sesc Mais Grupos. Os voluntários propuseram a criação de um grupo de bordado. O programa Mais Grupos oferece apoio aos grupos, como infraestrutura para reuniões, e os grupos promovem oficinas, entre outras iniciativas de cunho social.

No caso do grupo Minha Vida É um Bordado, rodas de leitura, conversas sobre a obra de João Guimarães Rosa (1908-1967) e até uma visita a Cordisburgo (MG), sua terra natal, fizeram parte do processo de inspiração para os trabalhos que resultaram na exposição.

“Os trabalhos encantam pela simplicidade, leveza e verdade. Está em cada imagem uma história de transformação, uma superação”, afirma a analista de projetos do Sesc e curadora da exposição, Gláucia Marise Ribeiro Santos.

Gláucia conta que, muitas vezes, ouviu de voluntários a frase “não sou capaz”. A reação, diz ela, era responder que sim são capazes e incentivar a continuidade do trabalho.

Para a professora aposentada Maria Antônia Raposo Lemos, de 79 anos, uma das fundadoras do grupo, bordar faz bem à saúde. “Teve gente que chegou ao grupo com depressão e hoje está bem”, observa, contando que o remédio foi trabalhar com as linhas coloridas e os variados pontos que se pode fazer com elas. E literatura também: “Ajuda a memória, puxa a imaginação e contribui para a cultura em geral. Ficar alheio às coisas que estão acontecendo e só vendo televisão não é bom”, observa.

A curadora da exposição diz que o incentivo à leitura é um objetivo primordial da iniciativa. “Ler é resgate do exercício de pensar. Temos, em nossa vida cotidiana, muitas tecnologias que, por oferecerem tudo pronto, deixam o cérebro preguiçoso e carente de fantasia, de imaginação. Quem libera a magia e mantém a criatividade viva é a literatura.”

A escolha pelo universo roseano veio da convicção de que “não há quem não se reconheça no modo como o escritor apresenta as relações humanas, as perdas e lembranças, os temas da finitude e do amor. É como se ele universalizasse travessias que fazemos como seres humanos”, aponta a curadora.

Porém, criar imagens a partir dos textos do autor de 'Grande sertão: veredas' não foi fácil, segundo a professora Maria Antônia. “Os textos de Guimarães Rosa têm entrelinhas e, às vezes, é difícil de entender.” Ela trabalhou com o conto 'Nada e a nossa condição', sobre um fazendeiro que se torna viúvo e recompõe sua relação com as filhas e os empregados, após a perda da mulher. “Fazer o trabalho é muito bom, mas ver o resultado final é uma maravilha”, diz a bordadeira.

A exposição 'Minha vida é um bordado com Guimarães Rosa' está cumprindo itinerância por Minas Gerais. Chega a Caeté depois de passagem por Ouro Preto. Já esteve em cartaz também em Belo Horizonte e Cordisburgo.

A mostra é o segundo trabalho realizado pelo grupo Minha Vida É um Bordado, que estreou com 'Pontos turísticos de Minas Gerais'. O próximo projeto, já em andamento, trata de escritores modernistas brasileiros.

'Minha vida é um bordado com Guimarães Rosa'
23 trabalhos em bordado, inspirados em Primeiras estórias. Museu Casa João Pinheiro e Israel Pinheiro, Praça Paulo Pinheiro, nº 1, Centro, Caeté (MG), (31) 3465-4900. Segunda a sexta, das 9h às 12h e das 13h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 9h às 12h e das 13h às 17h. Até 29/06.

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