Cantores se arriscam como escritores e lançam os primeiros livros da carreira

Enquanto Alceu Valença publica poesias reunidas, artistas da nova geração reúnem colagens e comentários sobre composições

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Yanê Montenegro/Divulgação
Experiente cantor, Alceu Valença se aprofundou na poesia e no cinema (foto: Yanê Montenegro/Divulgação)
A música e a literatura podem compor boas parcerias. No último mês, quatro artistas anunciaram obras literárias: Alceu Valença, Karina Buhr, Letícia Novaes, da banda Letuce, e Lucas, do grupo Fresno. A maioria dos artistas apresenta em seus materiais poesias, crônicas e pensamentos. Alguns acabam levando a experiência musical para as páginas, seja com canções e composições, seja contando experiências sobre o repertório da carreira. Conheça um pouco sobre o trabalho de cada um deles nos livros.

Colaborou Luiza Maia

A estreia de Alceu
No ano passado, o cantor Alceu Valença estreou como diretor com o longa A luneta do tempo, exibido no festival Cine PE. Este ano, decidiu lançar-se na literatura pela primeira vez com O poeta da madrugada, livro que reúne poesias do intérprete de La belle du jour. Algumas composições do seu vasto cancioneiro e que não haviam sido musicadas também entraram na publicação, a exemplo de Sino de ouro.

As poesias não são exatamente uma novidade na vida de um dos mais importantes cantores brasileiros em atividade. Ele as escreve desde 1969. Frequentador de saraus desde menino, no interior de Pernambuco, Alceu optou pela composição musical, mas nunca abandonou os escritos que tanto lhe davam prazer e que, como o nome da obra sugere, são frutos de madrugadas em claro.

A obra, ele explica, foi ideia e tomou corpo graças à mulher, Yanê Montenegro. “Ela ficou entusiasmada com esta minha nova produção poética e teve a ideia de publicá-la. Entrou em contato com o escritório da editora e eles toparam na hora”, conta, referindo-se à editora portuguesa Chiado. Seus versos podem ter nascido para a música, mas caem muito bem no papel.

O poeta da madrugada
Chiado Editora, 160 páginas. Preço médio: R$ 28.

José de Holanda/Divulgação
Karina Buhr leva música às páginas de Desperdiçando rima (foto: José de Holanda/Divulgação )
Literatura antes da música

Baiana de nascença e pernambucana de coração, Karina Buhr está entre os cantores que decidiram se enveredar no mundo literário. A pedido de um editora, ela escreveu Desperdiçando rima, primeiro livro da carreira, que será lançado na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) em julho.

“Fiquei muito feliz porque, apesar de escrever bastante, acabo jogando minha energia no meu trabalho como cantora. Se fosse por minha iniciativa, viria um livro sim, mas não seria agora”, conta Karina Buhr.

A obra reúne crônicas, poemas, desenhos e textos inéditos da artista. Apenas a letra de Falta de sorte, gravada pela banda Comadre Fulozinha, da qual Karina faz parte, representa o lado compositora da baiana. Desperdiçando rima mostra a faceta de Karina Buhr como escritora, que, na carreira de cantora, está latente em suas composições. “É uma forma de conhecer mais as coisas que escrevo. Alguns temas do livro vão acabar virando música”, adianta.

Sobre a quantidade de cantores apostando na escrita, Karina vê como o fato de o cantor normalmente ser um artista completo. “No meu caso, escrever veio antes de cantar e é também algo que faço com mais propriedade. Inclusive, costumo falar que só canto porque são minhas letras e minhas músicas, e que, se fosse para ser cantora de repertório de outros compositores, eu não seria cantora”, completa.

Desperdiçando rima
De Karina Buhr. Editora Rocco, 192 páginas. Preço médio: R$ 24,50.

Laila Oliveira/Divulgação
Letícia Novaes realiza sonho antigo com livro (foto: Laila Oliveira/Divulgação)
Histórias da infância

Letícia Novaes, a vocalista da banda Letuce, também lançará o primeiro livro da carreira neste ano. Zaralha — Abri minha pasta é um sonho antigo da cantora que sempre teve o costume de guardar agendas, diários e anotações desde a infância. “Queria muito fazer um livro com essas coisas. Em Zaralha, tem exercícios da minha infância, da época que eu lidava com a dislexia, imagens, mensagens de celular engraçadas, colagens... É uma forma de mostrar minha construção humana”, explica.

Com previsão de publicação em agosto, Zaralha — Abri minha pasta está passando por um processo de financiamento coletivo no Catarse, site de crowdfunding. Letícia precisa arrecadar R$ 23 mil para a impressão de dois mil exemplares. Os apoios variam de R$ 35 a R$ 175 e ainda há opção de doar R$ 10, mas sem direito ao livro. “Essa editora é nova e tem apoiado novos artistas. Se fosse ser um livro só de poesia, seria barato. Mas como terá imagens e colagens, tudo isso encarece a obra. Já fiz isso antes com um álbum do Letuce e achei que seria uma boa ideia”, afirma.

Escrever é um ofício que, segundo Letícia, faz parte de sua carreira como cantora. Ela diz que a primeira coisa que repara em uma música é a letra. “Toco violão, arranho no piano, mas sou muito focada em letra. No Facebook, às vezes, eu escrevia umas coisas e era estimulante. A galera gosta desse meu lado cronista”, completa. Sobre o livro, Letícia adianta que é um obra de “vibes” e define como algo totalmente interno: “É o segredo da minha calcinha, agora com todo mundo”.


Zaralha — Abri minha pasta
De Letícia Novaes. Editora Guarda-Chuva. Preço médio: R$ 35.

Facebook/Divulgação
Lucas Silveira também é ilustrador da obra (foto: Facebook/Divulgação)
Autobiografia musical

Para o cantor Lucas Silveira, vocalista da banda Fresno, o primeiro livro, Eu não sei lidar, é uma autobiografia musical. A obra passeia por 16 canções compostas em diferentes momentos da carreira da banda gaúcha. O frontman do grupo também ilustra cada capítulo.

“Mesmo escrevendo as músicas de forma direta, várias pessoas entendiam as canções de um jeito totalmente pessoal, muitas vezes mais interessantes do que a interpretação que eu tinha”, conta. Mas os textos fogem de explicações literais. O objetivo do recém-lançado escritor é construir uma narrativa não-linear, contextualizando as composições com memórias que o moldaram como artista.

Nascido em Fortaleza e criado na capital gaúcha, Lucas não sentiu medo de expor momentos íntimos, como  o bullying sofrido no período escolar, que resultou na música Infância. “Falar sobre isso talvez gere identificação em adolescentes, quem sabe eles possam tomar uma atitude sobre isso”, revela.

A publicação chega às lojas junto com o DVD O começo de tudo, que celebra os 15 anos da Fresno — atualmente, formada por ele, no vocal e na guitarra mais Gustavo Mantovani (guitarra), Mário Camelo (teclado) e Thiago Guerra (bateria). Hiperativo, Lucas está à frente de outros três projetos musicais: Visconde, Beeshop e SIRsir.

Eu não sei lidar
Editora Dublinense, 160 páginas. Preço médio: R$ 32,90.

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