'Desperdiçando rima': a estreia de Karina Buhr na literatura; leia trecho

Livro feito de cartas, contos, bilhetes, ilustrações autorais e sinopse de Gregório Duvivier será lançado no Recife no dia 8 de maio

por Larissa Lins 22/04/2015 08:10

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Facebook/Reprodução
Karina Buhr escreve crônicas do cotidiano e aborda temas atuais e de referência histórica (foto: Facebook/Reprodução)
A cena musical recifense começava a ferver quando a baiana Karina Buhr tornou-se adolescente em Pernambuco, onde já vivia desde os oito anos de idade. Na primeira metade da década de 1990, frequentava rodas de coco e ciranda na capital e no interior do estado. Tocava em bandas como Eddie e Bonsucesso Samba Clube. Em 1997 formou a banda Comadre Fulozinha, com a qual lançou três discos e seguiu em turnê pelo Brasil e por alguns países europeus.

Foi nessa fase que Karina, antes absolutamente dedicada ao canto e domínio de instrumentos musicais, passou a compor e a desenhar. Produziu capas e encartes para discos da banda - o que voltaria a fazer em carreira solo - e, talvez sem intuir, abriu caminho à versão de si mesma que abraça agora, a de escritora.

'Desperdiçando rima' (Editora Rocco, 192 páginas), estreia de Karina na literatura, reúne cartas, bilhetes - “mixados, falseados, esticados ou encolhidos”, como ela mesma diz - crônicas, desenhos e, principalmente, poesia. Mesmo nos textos em prosa, é fácil identificar resquícios de versos, rimas e uma métrica cuidadosa - heranças da música. São textos escritos à mão-livre, como descreve Gregório Duvivier na sinopse da obra, que tornam fluida a leitura das 192 páginas. Não se trata de um romance, mas sim de um caderno de notas.

Divulgação
(foto: Divulgação)
Referências históricas, políticas e feministas podem ser pescadas na diagramação que mescla palavras e desenhos - na maioria, de mulheres, em grande parte despidas. Quanto à inspiração, ela confessa: “Não sei [de onde veio], se soubesse ficaria fácil.” E emenda: “Não tem uma temática específica, cada página, cada texto fala de coisas diferentes umas das outras.”

Além do material inédito, produzido nos últimos meses, o livro explora algumas edições da coluna assinada por Karina na Revista da Cultura e, ainda, a letra da música 'Falta de sorte' - que está no disco 'Vou voltar andando', da banda Comadre Fulozinha. Crônicas do cotidiano retratam a vida em São Paulo, que a autora descreve, no conto 'Goiabada seca', como “a cidade maior de todas, a mais veloz de todas, mesmo com 500 quilômetros de lentidão.”

Dedicada à divulgação de Desperdiçando nas próximas semanas - o primeiro evento de lançamento ocorre em São Paulo, no dia 28, e a noite de autógrafos no Recife, no dia 8 de maio -  Karina se dedica também ao terceiro álbum solo.

“Essa vontade [de escrever] estava guardada, não tinha planos de fazer isso agora, estava começando a botar a mão na massa no terceiro disco, mas veio o convite da editora Rocco e topei na hora. Fiquei bem feliz com isso”, diz a cantora.


>> ENTREVISTA

Você diz que já fez músicas, plantou árvores e escreveu discos. Qual o próximo plano da carreira?
Estou nos trabalhos para o terceiro disco, mas ainda bem no começo mesmo, já que a concentração agora é no lançamento do livro.

Quem espera que leia seu livro?
Não tem um público específico, pelo contrário, pra mim quanto mais gente ler e quanto mais pessoas diferentes umas da outras lerem, melhor. Cada um, quando lê, faz seu próprio livro, inventa suas próprias histórias. E é maravilhoso imaginar ele tomando várias formas, significando coisas diferentes pra uns e pra outros.

Pretende levantar a bandeira do “sexo ágil” (projeto feminista) em outras plataformas além dos palcos, ilustrações e redes sociais? Há algum projeto em andamento para esse movimento?
Gosto do Sexo Ágil no formato de fanzine, mas tanto eu quanto Camila Fudissku (designer, que faz comigo o Sexo Ágil) temos vontade de imprimir ele e também de fazer mais vezes no ano, em vez de só no dia 8 de março [Dia internacional da mulher]. O primeiro foi em 2012, mas todos os anos, quando percebemos, já é 8 de março de novo e só nos resta fazer nossa edição única anual. (risos)

SERVIÇO
Desperdiçando Rima
Editora Rocco, 192 páginas
Preço: R$ 24,50
Disponível em e-book por R$ 16,00

Leia um trecho do livro:

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE E-MAIS