Começam no sábado, 25, a Feira Nacional do Livro e Festival Literário de Poços de Caldas

Os eventos reúnem grande número de autores e expositores e mais de 80 mil títulos

por Ana Clara Brant 20/04/2015 00:13

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Flipoços/Divulgação
(foto: Flipoços/Divulgação )

Na 1ª edição da Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas, realizada em maio de 2006, o evento contou com apenas 30 expositores e uma programação voltada apenas para atividades infantis. Este ano, a feira, que é realizada simultaneamente com o Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços), vai reunir, de sábado até 3 de maio, no Espaço Cultural da Urca, na cidade do Sul de Minas, cerca de 50 expositores com mais de 80 mil títulos de livros a preços atrativos, dezenas de palestrantes e atrações variadas ligadas não só à literatura, mas à música, cinema, teatro e gastronomia.


“Começamos timidamente, com poucos convidados, mas a receptividade da população foi impressionante”, explica Gisele Ferreira, diretora da GSC, empresa organizadora do festival. “Poços é uma cidade muito literária, desde a sua criação, em 1872, e tudo isso favoreceu para que tanto a feira quanto o festival crescessem ao longo dos anos. A Flipoços se consolidou e se tornou um dos principais eventos de literatura do Brasil e o maior do estado”, destaca, enumerando alguns dos palestrantes confirmados: Ignácio de Loyola Brandão, Zuenir Ventura, João Carrascoza, Ana Miranda, Clóvis de Barros, Luís Erlanger, Antônia Pellegrino e Carlos Herculano Lopes.


Em 2015, o tema escolhido para celebrar os 10 anos do Festival Literário é “A literatura como resgate da velha infância”, que convida todos a uma reflexão sobre os bons tempos em que as brincadeiras de rua e os livros faziam parte do universo infantil. O patrono da Flipoços 2015 será o escritor, jornalista e cartunista mineiro Ziraldo, que participa pela primeira vez do evento. “A ideia é redescobrir a criança que existe dentro de nós por meio dos livros e fazer com que a garotada de hoje viva mais no mundo das crianças, com as brincadeiras de rua e jogos coletivos, do que no mundo da tecnologia. E o Ziraldo tem tudo a ver com isso, porque ele pega todas as gerações e ainda hoje vem conquistando os pequenos cada vez mais”, acrescenta Gisele.

Pedido de perdão Primeiro escritor de renome que foi à Flipoços, Ignácio de Loyola Brandão participa do evento pela terceira vez. Ele vai lançar nessa edição um livro que tem tudo a ver com a temática do festival: Os olhos cegos dos cavalos loucos. O escritor revela que levou 60 anos para escrever este livro, que é uma homenagem ao avô, Zé Maria, um marceneiro que construiu um carrossel de cavalos de madeira e cujos olhos eram bolinhas de gude. Um dia houve um incêndio e do carrossel só restaram as bolinhas, que ficaram guardadas numa caixa. Numa traquinagem, o neto Ignácio pegou as bolas de gude e foi brincar com os amiguinhos. No entanto, acabou perdendo todas elas.


“Vovô ficou muito deprimido porque era a única coisa que tinha restado do carrossel”, lembra o escritor. “Minha avó ficou cobrando quem tinha pegado as bolinhas, mas meu avô nunca acusou ninguém. Anos depois, ele me deu aquela caixa vazia, e me disse que sempre soube que era eu quem tinha pegado as bolinhas e que era para eu guardar as melhores coisas da minha vida dentro dela. Nunca guardei nada porque nunca achei que tivesse nada mais importante do aquilo que o meu avô tinha”, acredita Loyola, que considera Os olhos cegos dos cavalos loucos uma espécie de pedido de perdão ao avô.


 Acostumado a participar de eventos literários país afora, Ignácio de Loyola Brandão afirma que quanto mais feiras, festivais, fóruns e bienais de literatura forem realizados, mais se chama a atenção para livros e autores, mas é importante que isso se transforme também em formação de leitores. “Acho fundamental levar os escritores para as escolas, para a periferia e outros locais porque há casos em que a feira fica lá e as pessoas acabam não tendo acesso, ficam com receio, ou não querem ir. Muitas vezes nós é temos que ir em busca do leitor.”

Juventude Estreante na Flipoços, a escritora mineira Stella Maris Rezende, que mora no Rio de Janeiro, está bastante ansiosa por causa da palestra que fará sobre “A aventura de ler na juventude”. “Sempre ficava me perguntando quando iriam me convidar, porque é um evento superconsolidado. Pretendo falar sobre essa descoberta da leitura, a magia e outras coisas que surgem na juventude, como a sexualidade, as primeiras desilusões”, frisa.


Vencedora do Prêmio Jabuti de ficção em 2012 com o livro A mocinha do Mercado Central, Stella aprovou o tema do festival, ainda mais que está acostumada a escrever para crianças e acha extremamente relevante resgatar os valores antigos da infância. Nascida em Dores do Indaiá, ela é outra que tem participado de vários eventos de literatura no Brasil e só tem a celebrar a proliferação deles. “Todos são importantes e, apesar de se parecerem em vários aspectos, cada um tem a sua particularidade.”

 

 

Destaques da programação

Dia 25
Abertura Orquestra Ouro Preto com o espetáculo
Cantigas de bem querer
Palestra de Stella Maris Rezende
“A aventura de ler na juventude”

Dia 26
Homenagem especial e bate-papo com Ziraldo

Dia 27
Ignácio de Loyola Brandão lança
Os olhos cegos dos cavalos loucos

Dia 28
Encontro Arte da Periferia

Dia 29
Encontro dos Escritores Lusitanos

Dia 30
Bate-papo com o escritor e jornalista Luis Erlanger
João Carrascoza conversa sobre o livro Aquela água toda

Dia 1º
Zuenir Ventura e Merval Pereira debatem o jornalismo
Encontro “Ler é bacana”, com Thalita Rebouças e Babi Dewet

Dia 2
Bate-papo com Ana Miranda

10ª Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas e Festival Literário (Flipoços)

De 25 de abril a 3 de maio, no Espaço Cultural da Urca
– Poços de Caldas. Entrada franca. Para as palestras
masters é necessário ingresso, que é trocado por livros
doados Informações: www.flipocos.com

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