Mostras no Palácio das Artes tratam da relação com o espaço

Mineiras Nydia Negromonte e Adriana Maciel e fluminense André Griffo apresentam obras em salas separadas

por Walter Sebastião 17/04/2015 10:15

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Nydia Negromonte/Divulgação
Obras de Nydia Negromonte (e), Adriana Maciel (centro) e André Griffo (d) integram exposições no Palácio das Artes (foto: Nydia Negromonte/Divulgação)
Duas importantes artistas apresentam, a partir de hoje, exposições no Palácio das Artes: Nydia Negromonte e Adriana Maciel. Ambas são mineiras, a última vivendo e trabalhando no Rio de Janeiro, e trazem grandes conjuntos de suas obras. Uma propõe aproximação “do corpo físico das coisas”; a outra convida à imersão no que chama de “espaços imaginários”.

Nydia mostra construções, em diversas linguagens e materiais, fazendo um ensaio sobre transformação e tempo. Adriana usa a pintura para interpelar a arquitetura que abriga a arte. Ambas iniciaram suas atividades na segunda metade dos anos 1980, estão completando 50 anos, metade deles dedicada à arte. E têm carreira com mostras coletivas e individuais em importantes espaços dedicados à arte contemporânea.

Ocidente, lembra a artista Nydia Negromonte, é onde o sol se põe. O que, observa, tem muita beleza mas carrega também a ideia de morte, queda, fim. Dubiedade, acrescenta, que ela explora nos trabalhos que apresenta em exposição que leva o nome exatamente de 'Ocidente'. São fotos com intervenções, construções criadas com objetos comuns, peças fundidas em bronze, projeções criando narrativas etc.

Nydia suspeita que motivos trabalhados agora, deliberadamente, estão em tudo que realizou. Como a questão da transformação da matéria, o desejo de reter um estado físico dela ou um movimento, a diversidade de meios e linguagens. “Sempre gostei mais de apresentar do que de representar”, observa. O resultado, para a artista, é um ensaio sobre “a aproximação com o corpo físico das coisas”.

Espaço São trabalhos, conta Nydia, que não nascem, necessariamente, de um projeto ainda que venham da busca pelo melhor modo de realizar uma ideia. “Gosto do enfrentamento direto com o espaço, do corpo a corpo com os materiais, de fazer experiências no momento de construção da peça”, explica. “É procedimento que vem do desenho, linguagem que leva a arriscar o tempo todo sobre uma superfície”, justifica.

Procedimento, conta Nydia, que traz surpresas. Como ver crescer raízes em legumes recobertos com cerâmica, instalação criada para a 30ª Bienal de São Paulo que fez sucesso de público. Houve vezes também em que o imaginado, apesar dos testes, não funcionou como ela previa. Esta exposição traz as obras 'Post/Posta', 'Bússola', 'Quaro operações', 'Fábula', 'Quatro ventos', 'Topografia hidrófila', 'Notas de prova' e 'Ocidente', realizações de 2014 e 2015.

Falando sobre as quase três décadas de atividade, Nydia Negromonte avisa que arte é área difícil. “O problema nem é exatamente a venda das obras, o que é trabalho paralelo ao de criar, mas desenvolver de forma contínua a pesquisa, não se afastar das atividades. Mas me sinto feliz em não ter parado de trabalhar, em estar em atividade durante todo este tempo”, observa.

“Minhas pinturas criam espaços imaginários, silenciosos, metafísicos, com carga psicológica forte. E mais mentais do que físicos”, conta Adriana Maciel. Ela se refere a obras cujas imagens são frestas, buracos, aberturas, túneis, cortes, passagens, perfurações etc. Representação sem compromisso de realismo, avisa a artista. Telas que estão nas paredes, mas também no teto, no chão, nos cantos ou no meio da sala.

Tradições “Meu motivo de pintar é conseguir, valendo-me das tradições da pintura, criar algo incisivo, que tem reverberação sobre o espectador”, explica Adriana. “São espaços milimetricamente elaborados para viver um sentimento que está no nosso âmago enquanto seres humanos”, acrescenta. “São trabalhos que não anulam questões da pintura como o ilusionismo, a perspectiva, o pictórico etc. A pintura tem um lastro e um futuro enorme a ser pesquisado”, defende.

A produção atual traz questões, observa a artista, com as quais vem lidando já há mais de duas décadas. Os primeiros trabalhos, recorda, já eram uma consideração sobre o espaço, mas a partir de ambientes que traziam resquícios da presença humana. Motivo de satisfação é estar apresentando, no momento e na terra natal, todo o conjunto dedicado a seu trabalho da última década.

Adriana, avaliando a carreira, confirma que as questões de carência de mercado incomodam. “Fazer arte cobra garra sem esperar nada em troca. Mas é muito bom olhar para o realizado e encontrar um elo entre as coisas que você fez e as que está fazendo. Traz sentimento de evolução do olhar, crescimento como ser humano e de ter construído um mundo”, garante.

Diálogos André Griffo também expõe no Palácio das Artes. Ele tem o hábito de valer-se da pintura e do desenho para projetar instalações. Só que, às vezes, o projeto emancipava-se da finalidade e, ocasionalmente, revelava que a instalação nem era tão interessante assim. Passou então a expor o processo de criação das peças sem apresentar o objeto construído. Método que está na mostra que o fluminense realiza em BH, que reúne seis pinturas, quatro desenhos e instalações realizados entre 2011 e 2015. “É diálogo entre diferentes meios de representação, embate do real com as ideias”, explica. O artista é arquiteto e vem se dedicando às artes visuais desde 2009.

Exposições de Nydia Negromonte, Adriana Maciel e André Griffo
Nesta sexta, nas galerias Arlinda Correia Lima, Genesco Murta e Mari’Stella Tristão. Palácio das Artes, Av. Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. De terça a sábado, das 9h30 às 21h; aos domingos, das 16h às 21h. Até 7 de junho. Entrada franca.

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