Crise que afeta a Petrobras ainda não atinge financiamento cultural

Principais projetos incentivados pela estatal no estado têm recursos garantidos

por Carolina Braga Mariana Peixoto 22/03/2015 12:44

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José Luiz Pederneiras / Divulgação
Cena do espetáculo Triz, do Grupo Corpo (foto: José Luiz Pederneiras / Divulgação)

O impacto na área de patrocínio cultural da crise que afeta a Petrobras – maior investidora em produção de cultura (com benefício fiscal) do país – ainda não pode ser claramente medido. Segundo levantamento do Estado de Minas, a maioria dos projetos e grupos financiados pela estatal no estado teve seus projetos para 2015 mantidos intactos ou com pequena redução.

No entanto, a empresa tergiversa quando indagada sobre a data de lançamento do edital 2015 do Programa Petrobras Cultural, assim como a respeito das cifras reservadas ao patrocínio para a área neste ano. Segundo a Petrobras, o edital que seleciona projetos para patrocínio está “em elaboração” e, desta vez, será nacional.

De acordo com a estatal, no ano passado, Minas Gerais recebeu 9,08% dos investimentos do Programa Petrobras Cultural. O corte mais brusco em investimentos previstos para este ano atingiu o Grupo Corpo – o patrocínio anual à companhia caiu de R$ 4,1 milhões (2014) para R$ 3,1 milhões neste ano.

Minas Gerais enfrenta ainda uma situação particular em relação aos patrocínios. No ano passado, o valor máximo autorizado para patrocínios por meio da renúncia fiscal estadual (ICMS) foi atingido ainda no primeiro semestre, impossibilitando que projetos escolhidos pela petroleira na Seleção Pública Cultural Minas Gerais 2014 se servissem desse recurso.

Um acordo entre Petrobras, governo e produtores culturais estabeleceu que os projetos prejudicados por essa circunstância serão contratados ao longo de 2015. Com isso, R$ 10 milhões da Lei Estadual de Incentivo à Cultura em 2015 já estão comprometidos com 36 projetos, sendo R$ 3 milhões para Montagem e circulação de espetáculos, R$ 3 milhões para Mostras e festivais e R$ 4 milhões para Programação das atividades de equipamentos culturais. A Lei Estadual de Incentivo à Cultura 2014 autorizou a captação total de R$ 79 milhões.

A seguir, confira a situação dos principais patrocinados pela Petrobras em Minas Gerais.

CORPO
Patrocinadora do Grupo Corpo há 15 anos, a Petrobras diminuiu, neste ano, R$ 1 milhão do aporte financeiro previsto. Os R$ 4,1 milhões que seriam destinados à companhia de dança mineira neste ano caíram para R$ 3,1 milhões. “Houve uma época em que a Petrobras foi patrocinadora exclusiva do grupo. Há alguns anos, a empresa abriu mão da exclusividade, mas continua sendo nosso principal parceiro”, afirma o diretor artístico do Corpo, Paulo Pederneiras. No ano em que a companhia completa quatro décadas e estreia dois espetáculos, o desafio é abrir o leque de patrocinadores. “A diminuição do patrocínio afeta, sim, o grupo, mas não inviabiliza nada. Agora é que o Corpo tem que realmente conseguir outros patrocinadores, para continuar fazendo tudo o que faz”, diz Pederneiras.

GRUPO GALPÃO
Guto Muniz/Divulgação
Cena de De tempo somos, do Grupo Galpão (foto: Guto Muniz/Divulgação)

A história do Grupo Galpão com a Petrobras é longa. Há mais de dez anos a companhia é patrocinada pela estatal. Desde então, foram várias modalidades de patrocínio, entre elas, o exclusivo. “Nossa negociação deste ano não teve nenhuma alteração. Não houve corte. Já negociamos um conjunto de ações de contrapartida, mais ou menos como fizemos no ano passado”, afirma o ator Beto Franco. O valor acordado para 2015 é de R$ 2 milhões, o mesmo de 2014. Atualmente, o patrocínio já não é mais exclusivo, podendo o Galpão negociar com outras empresas, inclusive locais. “Não houve qualquer turbulência na nossa relação com a Petrobras”, garante.

FID
Sandra Marroig/Divulgação
Proyecto tango, da Companhia Periferico, no FID 2014 (foto: Sandra Marroig/Divulgação)

Apesar de Adriana Banana não se lembrar da data ao certo, já faz muitos anos que a Petrobras é parceira do Fórum Internacional da Dança. “Recebi um telefonema, e era a Petrobras perguntando se eu gostaria de ter o patrocínio deles. Desde então, tem sido anual e é reconfirmado ano a ano”, conta . A documentação para 2015, com o valor de R$ 300 mil, já está encaminhada e protocolada na Secretaria da Fazenda, já que a verba é repassada via lei estadual. A edição comemorativa dos 20 anos do FID está marcada para o segundo semestre.

MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES
TÚLIO SANTOS/EM/D. A. PRESS
Abertura da 18ª Mostra de Tiradentes, em janeiro passado (foto: TÚLIO SANTOS/EM/D. A. PRESS)

A Petrobras patrocina a Mostra de Cinema de Tiradentes há 13 anos. O evento já recebeu patrocínios contínuos mas, desde 2013, quando a estatal lançou edital voltado à difusão audiovisual, a mostra participa do edital e viu seu patrocínio cair de R$ 450 mil para R$ 250 mil. “Acho que estamos em um momento de transição, e a política de patrocínios ainda não se desenhou”, afirma a coordenadora Raquel Hallak. “Como na cultura a forma de financiamento é associada à economia, ao lucro das empresas, então o patrocínio é um reflexo disso”, diz Hallak, também responsável por eventos audiovisuais como a Cineop, em Ouro Preto, e a mostra Cine BH.

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