Escritor e jornalista José Castello dá oficina em BH

Autor diz que "para escrever é necessário um pouco de ócio, para as ideias se juntarem"

por Ailton Magioli 21/03/2015 00:13

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LUZ COMUNICAÇÃO/DIVULGAÇÃO
(foto: LUZ COMUNICAÇÃO/DIVULGAÇÃO)
Por mais que negue adesão ao Facebook - “Parece um saco sem fundo”, justifica – José Castello, de 64 anos, lembra que o século 21 é digital, “um caminho sem volta, contra o qual não dá para lutar”. Atração de inauguração da agenda do ano do projeto Ofício da Palavra, na noite de terça-feira, no Museu de Artes e Ofícios, o escritor carioca diz estar sempre em torno da internet, por meio da qual ele posta a coluna semanal que escreve para o jornal carioca O Globo, paralelamente no blog A literatura na poltrona.

“Acabei de postar um texto para quarta-feira que vem, falando da Clarice”, afirma Castello que, não por acaso, aproveita a estada na capital mineira para também ministrar segunda e terça-feiras, no Teatro Bradesco, a oficina literária Clarice Lispector – Entre a bruxaria e a filosofia. “Esta não será a primeira nem a última vez que estarei falando de Clarice”, observa o escritor, cujo sugestivo título de oficina persegue praticamente todas as atividades que desenvolve em torno da escritora.

Segundo o escritor, Clarice virou uma “condenação” para ele. “Reuni e encadernei todos os textos e artigos que escrevi sobre ela. São mais de 100 páginas, nas quais eu acredito ter o rascunho de um ensaio sobre Clarice, que quero enfrentar”, acrescenta José Castello, que há anos vem trabalhando a obra da escritora sob a perspectiva da bruxaria e da filosofia. “Para completar, ainda formei o grupo Extremos, com a psicanalista Maria Hena Lemgruber, para a leitura pública de livros dela, sobretudo Água viva”. Castello recorda que começou a ler Clarice Lispector aos 19 anos, passando por “momentos insuportáveis”. Afinal, justifica, “não é fácil”. Ao lado de Fernando Pessoa, Clarice é, na opinião dele, o grande gênio da literatura portuguesa.

José Castello se mudou há 20 anos para curitiba. Para viver na capital paranaense, diz seguir a fórmula de Cristóvão Tezza. “Fingindo que não vivo em Curitiba”, revela o escritor carioca, homem de poucos amigos na cidade, onde vive uma vida isolada, ideal para a prática da escrita. “Queria algo menos agitado do que o Rio”, diz, justificando a saída da cidade na qual escreveu a maioria de suas obras, à exceção da biografia de Vinicius de Morais, O poeta da paixão. “Para escrever é necessário um pouco de ócio, para as ideias se juntarem”, afirma o escritor, salientando, no entanto, que Curitiba é “excessivamente” influenciada por São Paulo.

“Aqui somos um pouco satélite de São Paulo, da qual estamos a 35 minutos de voo e a 5h de carro.” Castello conclui atualmente seu primeiro livro infantil, Dentro de mim ninguém entra.

Especialmente escrito para a coleção de literatura infantil da editora Berlendis, que une escrita e artes plásticas, o livro de estreia do escritor na área terá textos entremeados por obras de Arthur Bispo do Rosário. Trata-se de obra narrada por Arthur, menino de 11 anos que também está escrevendo um livro. “É um pouco da história deste menino, narrada na primeira pessoa”, explica. Paralelamente, Castello prepara o terceiro romance, provisoriamente intitulado O jardim das amoreiras, que se passa em Lisboa.

JOSÉ CASTELLO – OFÍCIO DA PALAVRA

Oficina na segunda-feira e terça-feira, às 19h30; e projeto Ofício da Palavra na terça-feira, no Museu de Artes e Ofícios, Praça da Estação, s/nº, Centro. Entrada franca. Informações: (31) 3248-8600. As inscrições para a oficina sobre Clarice Lispector que o escritor vai ministrar na cidade podem ser feitas na bilheteria do Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes), a R$ 80 (sócios do Minas Tênis Clube) e R$ 120 (não-sócios do clube).

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