Saiba quem são os mineiros que vão participar do Salão do Livro de Paris

Entre os 43 autores nacionais convidados para o evento literário na França estão oito escritores de Minas Gerais. Além de divulgar suas obras, eles participam de debates

por Ana Clara Brant 19/03/2015 08:00

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Companhia das Letras/divulgação
Luiz Ruffato diz que o salão literário francês está entre os cinco mais importantes do mundo (foto: Companhia das Letras/divulgação)
Depois das homenagens recebidas em 2013 na Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, e em 2014 na Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, na Itália, o Brasil volta a ser convidado de honra de um dos eventos mais importantes da literatura mundial: o Salão do Livro de Paris, que começa nesta quinta-feira.

A comitiva do país reúne 43 escritores com livros traduzidos na França ou em negociações para que isso ocorra. A Câmara Brasileira do Livro (CBL) informa que a seleção levou em consideração a abrangência de títulos literários, o equilíbrio entre autores novos e consagrados, a presença de diversas regiões brasileiras no evento e a proporção entre homens e mulheres. A lista reúne Ana Maria Machado, Fernanda Torres, Edney Silvestre, Nélida Piñon, Ana Miranda, Paulo Coelho, Marina Colasanti, Daniel Munduruku, Daniel Galera, João Anzanello Carrascoza, Antônio Torres, Sérgio Lobo e Marcello Quintanilla, entre outros. Mineiros estarão em Paris: Adauto Novaes, Affonso Romano de Sant’Anna, Angela Lago, Luiz Ruffato, Maria da Conceição Evaristo Brito, Ricardo Aleixo e Sérgio Rodrigues.

Ruffato considera o salão francês um dos cinco mais importantes do mundo. Autor do polêmico discurso com críticas à situação social brasileira na feira de Frankfurt, ele diz que os convites do governo para participar desse tipo de feira diminuíram consideravelmente. “Fui convidado pelo Centro Nacional do Livro francês, não pelo governo brasileiro. Eles até tentaram me tirar da lista, mas continuo participando de muitos eventos internacionais”, revela.

PERFORMANCE
O poeta Ricardo Aleixo, estreante no salão francês, foi convidado para duas mesas. O clímax de sua participação, acredita, será a performance 'Música para modelos vivos movidos a moedas'. “Preparei um roteiro especial para esse trabalho, que faço há cinco anos. Um dos debates aborda a emergência da voz poética e do corpo no Brasil. Essa é uma discussão forte em nosso país, mas limitada ao âmbito acadêmico. Por parte do poder público, não houve essa preocupação, mas eles deveriam entender que esse campo é tão merecedor como qualquer outro”, destaca.

Para o escritor mineiro, a homenagem ao Brasil tem dois aspectos. Por um lado, a tendência é isso virar rotina pelo fato de o país integrar o grupo dos Brics ao lado da Rússia, Índia, China e África do Sul e ser visto como potência mundial. Por outro lado, a cultura vai apenas de reboque nesse contexto. “Parece-me que aqui não conseguimos enxergar o mesmo potencial que o pessoal lá fora consegue ver”, lamenta.

Para Ricardo Aleixo, a homenagem, mais do que mero tributo ao Brasil, exige que se ultrapasse a dimensão simbólica disso. “Temos que ver o escritor como uma profissão mesmo, parte da cadeia produtiva, e enxergar nessa participação a possibilidade de trocar e estabelecer relações efetivas com o país que nos homenageia, além dos outros que estarão lá. Muita gente vê esse tributo apenas como algo bonito, interessante, mas é algo muito mais profundo, pois mexe com nossa cultura, economia e política”, enfatiza.

A escritora, ilustradora e artista plástica Angela Lago vai trocar a bucólica Biribiri, no Vale do Jequitinhonha, por Paris, onde participará de duas mesas sobre literatura e imaginário infantil. “São temas extremamente difíceis. Vou abordar como a estrutura do imaginário infantil é semelhante em qualquer lugar. O conto de fadas é capaz de ser lido e absorvido por crianças das mais diferentes etnias e nacionalidades. A diferença e a semelhança serão assuntos importantes nesse debate”, frisa.

Affonso Romano de Sant’Anna participou do salão várias vezes como visitante. “Quem sabe passamos a ocupar mais espaço nas estantes francesas? A França tem um projeto cultural e o salão faz parte dessa iniciativa. Como se sabe, não participamos do boom latino-americano. Todo mundo quer um lugar em Paris, pois é ainda um espaço irradiador de cultura”, observa. O poeta e crítico belo-horizontino fará duas apresentações – uma delas, na Sorbonne, com Serge Boujea, que traduziu suas obras para o francês.

BEL PEDROSA/DIVULGAÇÃO
O escritor Sérgio Rodrigues (foto: BEL PEDROSA/DIVULGAÇÃO)
COMITIVA DE MINAS

Adauto Novaes

Vencedor do Prêmio Jabuti na categoria ciências humanas por duas vezes. Jornalista, professor e filósofo, Novaes tem dois livros traduzidos para o francês: Les aventures de la raison politique e L’autre rive de l’occident.

Affonso Romano de Sant’Anna

Ensaísta, crítico, cronista e poeta, lecionou na Universidade de Los Angeles e dirigiu o Departamento de Letras e Artes da PUC Rio. Entre seus livros em francês, estão L’enigme vide – impasses de l’art e de la critique, Anthologie de la nouvelle poèsie brèsilienne e Affonso Romano de Sant’ Anna e Carlos Nejar: deux poètes brésiliens contemporains.

Angela Lago

Escritora e ilustradora, a maior parte de sua obra é dedicada às crianças. Publicou mais de 40 livros no Brasil e no exterior. Ganhou os prêmios Jabuti, Iberoamericano de Ilustración (Espanha), BIB Plaque (Eslováquia) e Octogone de Fonte (França). Cena de rua foi selecionado entre os 15 melhores livros de imagens do mundo.

Fernando Morais

Jornalista premiado, seu primeiro best-seller foi A ilha, relato de uma viagem a Cuba. Publicou biografias de sucesso, como Olga e Chatô, o rei do Brasil, além de livros-reportagem como Corações sujos e Os últimos soldados da Guerra Fria.

Luiz Ruffato

Formado em comunicação social, estreou na literatura em 1998 com Histórias de remorsos e rancores. Seu romance Eles eram muitos cavalos foi traduzido para o francês em 2005. Recebeu os prêmios Machado de Assis, Jabuti e Casa de Las Américas.


Maria da Conceição Evaristo Brito
A poetisa e romancista atua nas áreas de literatura e educação com ênfase em temas de gênero e etnia. Lançou os romances Ponciá Vicêncio e Becos da memória.

Ricardo Aleixo

É poeta multimídia, artista visual, cantor, compositor, ensaísta, artista plástico e editor. Publicou Mundo palavreado, Modelos vivos e Máquina zero. Apresentou suas performances na Alemanha, Argentina, Espanha, EUA, França, México e Portugal.

Sérgio Rodrigues

O escritor, crítico literário e jornalista é autor de O drible, que ganhou o Grande Prêmio Portugal Telecom 2014 na categoria romance. O interesse despertado por esse livro na França rendeu-lhe convite para escrever um folhetim no Le Monde, durante a Copa do Mundo. O drible ganhará edição em francês.

 

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