Salão do Livro de Paris homenageia o Brasil

Diversidade da literatura brasileira será representada por 48 autores

por Estado de Minas 06/03/2015 11:06

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MARTIN BUREAU/AFP
Visitantes leem no Salão do Livro de Paris de 2014, que teve a Argentina como convidado de honra (foto: MARTIN BUREAU/AFP)
Dos best-seller mundiais de Paulo Coelho ao cru universo de Rodrigo Ciríaco, o Salão do Livro de Paris prestará homenagem neste mês à diversidade da literatura brasileira, representada por 48 autores convidados. “É um salão único no mundo, porque oferece a proposta mais eclética e mais ampla de livros”, afirmou o comissário geral do salão, Bernard Morisset, ao apresentar o evento, que ocorrerá entre 20 e 23 deste mês.

Cerca de 200 mil visitantes são esperados na Porta de Versalles (Sudoeste de Paris), onde 1,2 mil expositores e 30 mil profissionais da edição organizarão mais de 400 encontros e 4.700 sessões de autógrafos de livros de todos os gêneros por seus autores. Haverá distintos eixos temáticos, como literatura jovem, culinária, viagens e aventuras, artes e direitos humanos.

Em 2014, o convidado de honra foi a Argentina – posto que neste ano é do Brasil. É a segunda vez que o Brasil é convidado de honra, fato sem precedentes na história do salão parisiense. A primeira participação foi em 1998. Está sendo preparado um pavilhão de 500 metros quadrados, muito colorido. “Desta vez, os brasileiros querem colocar ênfase na presença de profissionais”, afirmou Morisset.

ARGENTINA No ano passado, a homenagem à literatura argentina havia levantado uma controvérsia, porque vários autores ausentes denunciaram em Buenos Aires que a lista oficial de convidados estava integrada principalmente por “escritores K”, simpatizantes do governo peronista da presidente Cristina Kirchner.

Os atritos continuaram, inclusive quando terminou o evento, já que, segundo os organizadores franceses, eles levaram meses para conseguir cobrar uma conta de 400 mil euros, cujo pagamento correspondia à Argentina. “Ficou uma parte a pagar, a cargo do Estado argentino, demoraram para pagá-la, mas agora tudo ficou resolvido”, afirmou Morisset.

De acordo com o governo brasileiro, os custos da participação do Brasil serão divididos e, segundo Morisset, “essa divisão garante listas mais abertas”. E mais equilibradas, por exemplo, em termos de participação masculina e feminina, ou de escritores jovens e veteranos. “Será um grande evento qualitativo, queremos evitar cair na contagem de presentes e ausentes”, insistiu.

A mostra da diversidade literária brasileira abarcará desde as populares reflexões de Coelho ao realismo sem máscaras de Rodrigo Ciríaco, autor de Te pego lá fora, sobre as escolas da periferia de São Paulo, passando por um chefe indígena da Amazônia, Almir Narayamoga, que apresentará suas propostas para Salvar o planeta.

Ana Maria Machado (ficcção e juventude), Bernardo Carvalho (ficção, teatro), Adriana Lisboa (ficção), Patricia Melo (policial) e Nelida Piñon (ficção) também fazem parte da lista de convidados, que inclui autores de história em quadrinhos como Daniel Galera, Fábio Moon e Marcello Quintanilha.

O salão, sob estritas medidas de segurança, já que desde os atentados de janeiro Paris segue sob alerta máximo antiterrorista, será inaugurado dia 19 próximo pelo primeiro-ministro Manuel Valls. Espera que o presidente François Hollande faça uma visita no fim de semana.

No ano passado, os participantes tinham por desafio revelar o livro que havia mudado a vida deles. Agora, deverão nomear e divulgar nas redes sociais o herói favorito que conheceram nas páginas de um livro.

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