2014 ficou marcado pela perda de escritores queridos do povo brasileiro

A história consolida o seu espaço junto aos leitores e ao mercado editorial

por Carlos Herculano Lopes 26/12/2014 00:13

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TV Brasil/divulgação
TV Brasil/divulgação (foto: TV Brasil/divulgação)
Se 2014 foi bom para a literatura, com o lançamento de centenas de títulos de todos os gêneros por pequenas e grandes editoras, além do fortalecimento de feiras espalhadas pelo país, o leitor chora a perda dos escritores João Ubaldo Ribeiro, Ariano Suassuna, Ivan Junqueira, Rubem Alves e Manoel de Barros. O mundo se despediu do colombiano Gabriel García Márquez e da sul-africana Nadine Gordimer, ambos vencedores do Prêmio Nobel.

Mas a vida continua e novas gerações de autores lutam por um lugar ao sol. Este ano, a internet reforçou a parceria com a literatura, sobretudo divulgando jovens talentos. Surgiram revistas literárias on-line e pequenas editoras – a maioria delas voltada para poetas e ficcionistas iniciantes.

Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade divulgou seu relatório final, listando os responsáveis por violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988 – especialmente no período da ditadura imposta pelo golpe civil-militar de 1964. A história recente do país foi “musa inspiradora” de vários lançamentos importantes. O jornalista Paulo Markun mandou para as prateleiras os dois volumes do projeto Brado retumbante: Na lei e na marra – 1964-1968 e Farol alto sobre as diretas – 1969-1984. Lira Neto fechou a trilogia dedicada a Getúlio Vargas com o volume dedicado ao período entre 1945 e 1954.


INTERNACIONAL
Charles Platiau/Reuters
(foto: Charles Platiau/Reuters)
O francês Patrick Modiano, autor de mais de 40 livros, entre ensaios, roteiros e romances, venceu o Prêmio Nobel de Literatura em 2014. Três de seus romances foram lançados no país – todos têm como pano de fundo a ocupação alemã na França durante a 2ª Guerra Mundial. O romance Skagboys, do escocês Irvine Welsh, fechou a trilogia formada com Trainspotting e Pornô. O capital, livro II, monumental obra de Karl Marx, também saiu no país, assim como Para entender O capital, do geógrafo britânico David Harvey. Outro que ganhou edição brasileira foi O capital no século XXI, do francês Thomas Piketty, o livro de economia mais badalado deste ano. Dois outros sucessos: A balada de Adam Henry, romance do inglês Ian McEwan, e Judas, de Amós Oz, o mais importante escritor israelense da atualidade.


EM MINAS
Reprodução
(foto: Reprodução)
A lista de lançamentos em Minas Gerais comprova o fôlego de autores do estado. Chegaram às livrarias os romances Hotel Rodoviária, de Danislau; Malditas fronteiras, de João Batista Melo; Uma Denise, de Roberto Amaral, e O sono de Morfeu, de André Zambaldi. Ana Elisa Ribeiro releu a carta de Pero Vaz de Caminha em O e-mail de Caminha, e Maria Esther Maciel reuniu crônicas publicadas no Estado de Minas no livro A vida ao redor. Destacaram-se também os livros de poemas Distraídas astronautas, de Simone Teodoro, e Não se sai de árvore por meio de árvore, de Paula Vaz. O premiado casal Nelson Cruz e Marilda Castanha autografou em BH O livro do acaso e Fases da lua e outros segredos. Também chamaram a atenção Farelo de Quiat (com A terceira porta da lua), Lavínia Rocha (De olhos fechados), Raphael Vidigal (Amor de morte entre duas vidas), Nilson Silva (Um amor entre as montanhas) e Fábio Salomão (Um rio me levou de mim).


NO BRASIL
Bel Pedrosa/Divulgação
(foto: Bel Pedrosa/Divulgação)
Veteranos da literatura nacional brindaram o leitor com novidades. Nélida Piñon publicou A camisa do marido, enquanto o mineiro Silviano Santiago lançou o romance Mil rosas roubadas. Outro mineiro, Evandro Affonso Ferreira, mandou para as livrarias Os piores dias de minha vida foram todos, com o qual fechou a Trilogia do inferno. Raphael Montes, uma das revelações da literatura brasileira este ano, publicou o ótimo Dias perfeitos. O mineiro Sérgio Rodrigues, com o romance O drible, venceu o Prêmio Portugal Telecom de Literatura, enquanto o São Paulo de Literatura foi para Ana Luisa Escorel, autora de Anel de vidro. Chico Buarque mandou para as lojas o quinto romance, O irmão alemão, autoficção baseada na história de Sergio Günther. O historiador Sérgio Buarque de Hollanda teve esse filho quando morava na Alemanha, antes de se casar com Maria Amélia, mãe do compositor.  Clássicos ganharam releituras. Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa, surgiu em HQ na versão assinada por Eloar Guazelli e Rodrigo Rosa, enquanto antologia de Murilo Mendes chegou acompanhada de CD com o autor declamando seus versos.


IMORTAIS
José Ventura/Divulgação
(foto: José Ventura/Divulgação)
Criada em 1897 por Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu novos imortais: o poeta maranhense Ferreira Gullar, eleito para ocupar a vaga do poeta e ensaísta carioca Ivan Junqueira; o embaixador e historiador pernambucano Evaldo Cabral de Mello, que herdou a cadeira do romancista baiano João Ubaldo Ribeiro; e Zuenir Ventura, jornalista mineiro radicado no Rio, que entrou para a ABL na vaga de Ariano Suassuna. Na Academia Mineira de Letras, o romancista Benito Barreto sucedeu ao poeta e trovador Soares da Cunha.

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