Retrospectiva 2014: Artes cênicas conquistaram público de BH com montagens autorais

Capital prestigiou espetáculos que apostam no experimental, na releitura de clássicos e na produção própria; temporadas no meio da semana começam a conquistar espectadores

por e Carolina Braga 25/12/2014 00:13

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Márcio Monteiro/divulgação
Bruna Chiaradia e Leonardo Fernandes em 'Inverno', texto norueguês dirigido por Rita Clemente (foto: Márcio Monteiro/divulgação)
Foi o ano do despertar. Não de uma produção que já vem se mostrando intensa – e bastante variada – há muito tempo, mas da importância de preservar a memória, registrar a história das artes cênicas produzidas em Minas. Patrimônio imaterial da cidade.

 

É assim que o teatro e a dança devem ser tratados a partir de agora. Anunciado no fim de novembro, o tombamento que contempla sete salas de espetáculos, entre elas o Teatro da Cidade, foi reforçado por iniciativas como o documentário 'Primeiro sinal – A história do teatro de Belo Horizonte – dos primórdios até 1980', dirigido por Chico Pelúcio e Rodolfo Magalhães. 

 

A jovem Primeira Campainha demonstrou ter força bastante para aprofundar a pesquisa que propõe. Se no primeiro semestre estreou o drama 'Isso é para dor', em agosto apresentou 'A tardinha no Ocidente', montagem de rua crítica e bem-humorada sobre a história do Brasil. A diretora Rita Clemente foi outro nome com produtividade em alta: estreou 'Inverno', primeira montagem brasileira do texto do norueguês Jon Fosse, e 'O que você foi quando era criança?', de Lourenço Mutarelli, com duas semanas de casa lotada. Detalhe: em cartaz de segunda a quarta-feira. Sinal de que as temporadas teatrais vêm conquistando o público. O Centro Cultural Banco do Brasil promoveu várias: em janeiro, recebeu Cássio Scapin e o monólogo 'Eu não dava praquilo', depois apresentou 'Contrações', com Yara de Novaes e Débora Falabella, e 'Irmãos de sangue', da companhia franco-brasileira Dos à Deux.

Luz Lauren/Divulgação
Globe Theatre trouxe seu 'Hamlet' a BH (foto: Luz Lauren/Divulgação)
SER OU NÃO SER
Hamlet é o personagem do ano em BH. Detalhe: sob perspectivas estrangeiras. A primeira surpresa foi a passionalidade da montagem do grupo alemão Berliner Ensemble apresentada no FIT. Nunca se viu por aqui um príncipe da Dinamarca tão intenso e uma Ofélia tão apaixonada. Sem falar na precisão do elenco e, claro, nos elementos que compõem a cena. Os britânicos do Globe Theatre também incluíram Belo Horizonte na turnê mundial do mesmo clássico. A versão dos legítimos defensores da memória de William Shakespeare é bem mais simples – e menos empolgante.

ESPAÇOS
Fechados há sete e dois anos, respectivamente, os teatros Francisco Nunes e Marília reabriram em maio. Os primeiros editais de ocupação foram publicados e devem ser renovados para 2015. Enquanto antigos espaços voltam à ativa, o funcionamento do Teatro Oi Futuro Klauss Vianna está na berlinda. O prédio na Avenida Afonso Pena foi entregue ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que ainda estuda que finalidade dará ao equipamento cultural. As atividades do Oi Futuro serão transferidas para a nova sede, no Palacete Dantas, no Circuito Cultural da Praça da Liberdade.
Guto Muniz/Divulgação
Berliner Ensemble: 'Hamlet' no FIT (foto: Guto Muniz/Divulgação)
FESTIVAIS
Se em ano de Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de BH (FIT) a cidade respira teatro, na edição de 2014 o frisson não foi o mesmo. O FIT ficou mais longo, com 20 dias, mas sem demonstrar a força do passado. Salvaram a montagem de Hamlet, do grupo Berliner Ensemble, o espanhol Matéria Prima e o cabaré australiano Glory Box, que encerrou o evento. Este ano, houve o retorno do Festival Internacional de Teatro de Bonecos, com 22 atrações de sete países, e do Encontro Mundial das Artes Cênicas (Ecum). O Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto comemorou seus 15 anos. Por sua vez, o projeto Teatro em movimento trouxe 13 montagens à capital, atraindo cerca de 20 mil pessoas.
Ramon Loyola/Divulgação
Angel Vianna: expressão total (foto: Ramon Loyola/Divulgação)
DANÇA
Aos 85 anos, a bailarina Angel Vianna voltou aos palcos de BH, sob a direção de João Saldanha. Em Qualquer coisa a gente muda, ela comprovou que idade não impede a beleza da expressão corporal. Na lista de estreias surgiram novidades do Primeiro Ato (InstHabilidade) e da Mimulus Cia. de Dança (Pretérito imperfeito), além da continuidade da trilogia do feminino de Rosa Antuña (O vestido) e três montagens da jovem Sesc Cia. de Dança (Plano, Oblivion e Grito suspense). A Cia. de Dança Palácio das Artes investiu na experimentação com a ocupação Mu – entre a coreografia e a habitação. Supresa boa: Rasante, de Sérgio Penna.
Euler Junior/EM/D.A Press
Eid Ribeiro: duas peças em cartaz (foto: Euler Junior/EM/D.A Press)
A VOLTA
Dois nomes importantes de Minas voltaram à direção: Eid Ribeiro e Carlos Rocha. Carlão montou O urro, texto de sua autoria interpretado por André Senna. Eid encarou jornada dupla. Além do monólogo Relatório para uma academia, com Kimura Schetino, dirigiu o grupo Armatrux em Thácht. Os grupos Espanca! e Invertido comemoraram 10 anos com retrospectivas. A companhia fundada por Marcelo Castro e Gustavo Bones estreou Dente de leão. O Teatro Kleber Junqueira, no Bairro Prado, também festejou uma década de atividades.
Caio Galluci/Divulgação
'Elis - a musical': talento de Lala Garin (foto: Caio Galluci/Divulgação)
MUSICAIS
Apesar da alta no mercado de musicais, Belo Horizonte ficou longe da rota das grandes montagens. No primeiro semestre, destacaram-se Emilinha e Marlene: as rainhas do rádio, Crazy for you, com Cláudia Raia, e Cazuza – pro dia nascer feliz, o musical. Com o fim da Copa do Mundo, a agenda ficou mais generosa: vieram Cássia Eller – o musical, Elis – a musical (com performance impressionante da atriz Lala Garin), Nada será como antes, sobre a obra de Milton Nascimento, O Grande Circo Místico, com trilha de Edu Lobo e Chico Buarque, e O eterno aprendiz eterno – Gonzaguinha.

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