Editora brasileira traduz o primeiro romance de Roberto Arlt

'A vida porca' é uma obra-prima do modernismo na Argentina

por Estado de Minas 22/12/2014 08:55

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Reprodução de internet
Roberto Arlt foi correspondente do jornal 'El Mundo' (foto: Reprodução de internet )
Primeiro romance do escritor Roberto Arlt (1900–1942) e considerado um marco inicial do modernismo argentino, 'A vida porca' (1926) ganha nova tradução pela Relicário Edições. Traduzido por Davis Diniz, o romance apresenta a iniciação do adolescente Silvio Astier no submundo portenho, zona cinzenta de uma sociedade em que a educação burguesa perdeu as suas cores luminosas. Astier e seus amigos leem livros baratos em traduções ruins, cometem crimes por meio dos quais ascendem à cultura letrada de que foram excluídos. O conjunto dessas características se potencializa nos romances posteriores de Arlt, 'Os sete loucos' e 'Os lança-chamas'. O lançamento será nesta noite no Pizza Sur, com apresentação de bandoneon e leitura dramática de trechos do livro.

Originalmente, o romance se chama 'El juguete rabioso'. No ano passado a Iluminuras lançou uma edição brasileira com o título de O brinquedo raivoso. A tradução da Relicário optou pelo título em português porque ele resgata o nome ('La vida puerca') que Arlt pretendeu, em um primeiro momento, chamá-lo. A nova tradução, financiada pelo Programa Sur de Apoyo a las Traducciones del Ministerio de Relaciones Exteriores y Culto de la República Argentina, pretende colaborar na compreensão do texto, que tem várias arestas linguísticas muitas vezes sem encaixe no próprio idioma espanhol.

'A vida porca' inovou ao dar corpo a uma espessura verbal até então ignorada na literatura argentina, a voz partilhada entre o espanhol rio-platense e a dicção dos imigrantes que passam a povoar o país vizinho a partir da virada do século 19 para o 20. No princípio do século passado, Buenos Aires era uma cidade com metade da população era formada por estrangeiros.

Nascido em Buenos Aires, Arlt ingressou no jornalismo em 1916. Quando publicou 'A vida porca', já escrevia na imprensa diária portenha. Suas colunas foram posteriormente compiladas no livro Aguafuertes porteñas que se tornou, como o passar dos anos, um dos clássicos da literatura argentina. O escritor e jornalista divertia-se falando de suas amizades com cafetões, falsificadores e pistoleiros, das quais saíam muitos dos seus personagens. Ainda no final da década de 1920, viajou pela América Latina como correspondente do jornal 'El Mundo'. Ficou dois meses no Rio de Janeiro e as crônicas desse período foram reunidas no livro Aguafuertes cariocas, lançado em 2013 na Argentina.

Se na escrita foi bem-sucedido, como inventor não conseguiu o mesmo sucesso. Em 1935, viajou à Espanha e à África como correspondente do 'El Mundo'. Morreu de um ataque cardíaco em Buenos Aires, em 26 de julho de 1942.

'A VIDA PORCA'
Romance de Roberto Arlt. O lançamento será nesta segunda-feira, a partir das 19h, no Pizza Sur (Rua Levindo Lopes, 96, Savassi).

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