Sarau literário do Galpão celebra o eterno namoro entre o grupo e o público

'De tempo somos' entre em cartaz neste fim de semana no Galpão Cine Horto

por e Carolina Braga 19/12/2014 08:00

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Guto Muniz/Divulgação
(foto: Guto Muniz/Divulgação)
Quando os espectadores do sarau 'De tempo somos' entram no Teatro Wanda Fernandes, no Galpão Cine Horto, os atores já estão à espera. O cumprimento é corriqueiro, como se Antônio Edson, Beto Franco, Eduardo Moreira, Fernanda Vianna, Lydia Del Picchia, Luiz Rocha, Júlio Maciel, Paulo André e Simone Ordones recebessem convidados em casa.


O clima de intimidade é essencial para 'De tempo somos', que a companhia apresenta até domingo em BH. Desta vez, elementos comuns nos espetáculos do Galpão foram deixados de lado. Não há figurino nem maquiagem marcantes. Não tem cenário grandioso e nem muito texto. Poucos personagens aparecem por ali. Chegou a vez de a música ser protagonista, e ela tem missão especial: te fazer viajar no tempo.

Com 32 anos de palco, os integrantes do Galpão sabem que não há roda para reinventar. A companhia já é dona da própria linguagem. Mas como isso – ainda bem – não é sinal de fim de linha ou de acomodação, 'De tempo somos' chega na entressafra das grandes produções do grupo como uma espécie de balanço. É autoconhecimento também. Nada disso funcionaria sem honestidade com os colegas e, principalmente, com o público.

Aí está o mérito do primeiro sarau literário do Galpão: 'De tempo somos' é, sim, um olhar para o passado, mas nesse exercício não há poeira – muito menos vaidade. Vemos a alegria de compartilhar fragmentos dessa história de sabida importância tanto para o teatro brasileiro quanto para Divina, de Uberlândia, que fez uma oficina com o Galpão, largou o emprego de doméstica e hoje é contadora de histórias. Ou para o Zé, o doidinho de Morro Vermelho. Ele testemunhou os ensaios de 'Romeu e Julieta' no ponto mais alto do cenário. E assim é para cada um dos espectadores que dividiram momentos de sua vida com os atores do Galpão.

Com novos arranjos, as 25 canções vieram das trilhas de 'Corra enquanto é tempo' (1988), 'Álbum de família' (1990), 'Romeu e Julieta' (1992), 'Um Molière imaginário' (1997), 'Partido' (1999), 'Tio Vânia e Eclipse' (2011). Espalhados pelo palco, instrumentos fazem as vezes de cenário. De cara limpa, os atores se revezam na declamação de textos, que, em geral, trazem o tempo como tema.

Em um dos raros momentos em que há contracena, Paulo André e Antônio Edson esbanjam sintonia no trio dividido com Luiz Rocha, ator convidado e diretor musical. O jogo estabelecido com o conto “A carteira”, de Tchékhov, sintetiza a montagem. 'De tempo somos' faz o Galpão, com leveza, rir de si mesmo. E se confraternizar com a própria história.

DE TEMPO SOMOS

Nesta sexta-feira, às 21h; sábado, às 19h e 21h; domingo, às 20h. Teatro Wanda Fernandes do Galpão Cine Horto, Rua Pitangui, 3.613, Horto, (31) 3481-5580. R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada).

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